Década dos Oceanos pede urgência

Temos que mudar nosso relacionamento com os oceanos

Redação NBE

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09/03/2022
Década dos Oceanos pede urgência Single Phin Photo - Ocean Image Bank

3 min de leitura

A noite caía no litoral gaúcho e as crianças (e adultos) corriam para a beira do mar para brincar de raspar os pés na areia e provocar rastros de luz.

Com muita sorte era possível ver também a mesma luminescência azulada nas cristas das ondas, em noites sem muita lua.

Naquela mesma noite, do outro lado do mundo, adultos e crianças se reuniam à beira do Oceano Índico para reverenciar a aparição de uma Baleia Azul, o maior ser vivo do Planeta.

Entre os seres microscópicos (Noctilucas), que em grandes populações produzem a bioluminescência encantadora, e a Baleia Azul, com seus 30 metros de comprimento, a ciência estima que existam outros 2,5 milhões de espécies marinhas. Um número projetado, pois a própria ciência reconhece que a grande maioria das espécies dos oceanos ainda não foi classificada ou mesmo descoberta.

A vida veio do mar há 3,5 bilhões de anos.

Nenhum ser humano estava lá para ver, mas cada um de nós já pode constatar ao longo de sua existência o desaparecimento (ou drástica redução) de vários animaizinhos que eram encontrados na beira do mar, como caramujos, estrelas do mar, conchas especiais e mesmo as (temíveis) águas-vivas, sem falar de peixes que nunca mais apareceram.

A vida veio do mar há 3,5 bilhões de anos.

Mas bastaram os últimos 200 anos, com a chegada da Era Industrial, para que a civilização passasse a comprometer a própria vida dos oceanos com as “zilhões” de toneladas de resíduos líquidos e físicos decorrentes das atividades humanas, jogadas ao mar diariamente.

Baleia no oceano que vira deserto

Sem mar não há vida

Todos temos uma estreita relação com o mar, seja pelo prazer de estar em sua companhia, pelos produtos dali extraídos (ou que por ali transitam) para nosso consumo e mesmo para respirar.

Ao contrário do que muitos pensam, a maior parte (mais de 50%) da produção do oxigênio que necessitamos para viver é produzida por plânctons, algas e bactérias que vivem nos mares, segundo reconhece o próprio Instituto Brasileiro de Florestas. Ou seja, os mares são o verdadeiro pulmão da Terra. Também são fundamentais para regular o clima no planeta e influenciam toda a produção agrícola.

Sem mar não há vida. A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que de 2021 a 2030 seria realizada a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável – mais conhecida como Década do Oceano.

O foco nos oceanos será essencial para a sociedade discutir as ameaças já vivenciadas pela vida marinha. A poluição plástica, acidificação, pesca predatória e elevação dos oceanos são alguns dos problemas a serem freados. E tomar providências urgentes.

De acordo com os resultados estudo realizado por cientistas da Universidade de Reading, da Inglaterra, mais da metade dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico podem ser considerada afetada por mudanças climáticas.

A previsão é de que - se nada for feito - este percentual chegue a 80% em 60 anos. Os oceanos do hemisfério Sul são afetados mais rapidamente, com alterações significativas que vem sendo detectadas desde a década de 80.

Trilha de lixo plástico no oceano

Estamos longe de descobrir todas as espécies que vivem neste vasto universo dos oceanos, mas já podemos constatar os graves impactos que a sociedade industrial vem causando sobre esta fonte da vida.

Se quisermos continuar usufruindo da generosidade oceânica que tanto sustenta a vida, temos que mudar nosso relacionamento com a água, desde o uso doméstico até a destinação de nossos resíduos.

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