Infância em risco: como as telas estão sufocando o imaginário infantil
O movimento por uma infância menos digital busca proteger o desenvolvimento emocional e cognitivo das novas gerações
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A infância da geração Alpha está sendo moldada por estímulos visuais frenéticos e consumo digital excessivo. De acordo com dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil, 93% das crianças brasileiras entre 9 e 17 anos já acessam a internet, e esse contato começa cada vez mais cedo, mesmo antes dos dois anos.
O uso intenso de telas tem sido associado ao aumento de quadros de déficit de atenção, distúrbios do sono, ansiedade e queda no desempenho escolar.
Mais do que um resgate nostálgico, o movimento por uma infância menos digital busca proteger o desenvolvimento emocional e cognitivo das novas gerações.
Guilherme Bevilaqua, conhecido como Prof. Laqua, é referência nacional em ilustração infantil. Com mais de 20 anos de carreira, ele é um dos nomes à frente do movimento que defende o retorno às experiências analógicas na formação das crianças, com livros impressos, desenhos animados clássicos e materiais que valorizam a imaginação espontânea.

“Esses conteúdos acelerados que invadiram a infância têm consequências sérias. As crianças não estão desenvolvendo foco, limites nem criatividade. O lúdico está sendo substituído por estímulos automatizados e vazios de significado”, afirma Laqua. Para ele, o consumo desenfreado de vídeos curtos e jogos repetitivos compromete a construção de referências visuais mais profundas.
Atraso no desenvolvimento
Diversos estudos confirmam essas preocupações. Um levantamento da Associação Americana de Pediatria (AAP) aponta que o tempo de tela excessivo em crianças pequenas está associado ao atraso no desenvolvimento da linguagem, dificuldades na socialização e problemas de comportamento.
Com base em evidências como essas, o educador defende uma infância que valorize o contato com livros físicos, histórias contadas oralmente, brincadeiras tradicionais e animações que respeitem o ritmo das crianças. Em seus projetos, ele propõe não apenas a preservação da memória gráfica das infâncias anteriores, mas também a formação de um olhar mais atento, criativo e afetuoso nas novas gerações.
“Precisamos devolver às crianças o direito de imaginar. Isso não acontece com cinco vídeos por minuto nas redes sociais. A infância precisa de tempo, de silêncio, de páginas que viram devagar, de cores que não piscam”, conclui o ilustrador.
Em um mundo cada vez mais veloz e superficial, talvez o maior ato de cuidado seja justamente desacelerar, com um bom livro no colo, uma história bem contada e uma criança que aprende, aos poucos, a criar o seu próprio universo.




