Sabedoria do Ayurveda ajuda a digerir melhor alimentos e emoções

Para minimizar o impacto dos excessos ligados às festas de final de ano, vale observar algumas dicas ayurvédicas que incluem boas escolhas alimentares e atitudes conscientes

Redação NBE

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21/12/2023
Sabedoria do Ayurveda ajuda a digerir melhor alimentos e emoções AdobeStock/NBE

6 min de leitura

Com a aproximação das festas de Natal e Ano Novo, surge a preocupação com os exageros na hora da ceia, afinal, com tantas opções de doces, petiscos, pratos salgados e bebidas, fica difícil resistir. Essas refeições festivas, em geral, nos levam a comer e a beber demais - e de acordo com a medicina ayurvédica, a acumular AMA (palavra em sânscrito que significa “não digerido”, designando o acúmulo de toxinas no corpo ou resíduo tóxico da digestão incompleta).

Os primeiros sinais desse acúmulo de toxinas no corpo podem incluir sintomas diversos como letargia, reações alérgicas, rigidez ou dor nas articulações, constipação, dores de cabeça e ganho de peso. Mas, como controlar melhor esse processo e minimizar o estrago, evitando que o organismo fique intoxicado e com o sistema imunológico enfraquecido? Fortalecendo seu “fogo digestivo” ou agni e cuidando das emoções e reações que cercam esses momentos.

Antes de seguirmos, vale ressaltar que a alimentação é considerada a base da medicina ayurvédica. E, de acordo com os preceitos desse sistema milenar indiano que busca equilibrar o corpo, a mente e o espírito através de práticas integrativas de saúde, a rotina alimentar de cada pessoa deve ser fundamentada em suas necessidades individuais. Essas necessidades - incluindo a quantidade de alimento e a frequência das refeições - devem ser reconhecidas a partir da autopercepção que nos leva a constatar o que faz bem ao nosso corpo e o que nos prejudica.

Você é o que você digere

Partindo da abordagem ligada à medicina ayurvédica, a frase “você é o que você come” se transformaria em “você é o que você digere”. Ou seja: você é o que absorve daquilo que você come. Para o Ayurveda, tudo está ligado à capacidade de digerir alimentos, absorvê-los e assimilar os nutrientes através do equilíbrio corpo e mente - capacidade essa chamada de AGNI (“fogo digestivo” em sânscrito).

Então, quando o agni está equilibrado, os nutrientes que seu organismo necessita são plenamente absorvidos, suas células são nutridas, os resíduos metabólicos purificados e você experimenta uma sensação de bem-estar, leveza e serenidade. Mas, se o agni está em desequilíbrio, sua capacidade digestiva também fica comprometida, desarmonizando corpo e mente. Então surge a pergunta: como manter essa dinâmica em harmonia? Voltando ao princípio básico da autopercepção.

A dimensão da autopercepção

Segundo a terapeuta ayurvédica Sabrina Sainz, é necessário percebermos essa dimensão do autoconhecimento, da auto-observação. “Você já prestou atenção em como se sente depois de comer determinada fruta? Ou após jantar muito tarde? Como seu corpo reage quando você ingere muitos doces? Já parou para pensar se aquela fome no meio da tarde é física ou emocional? Como é sua digestão depois de um almoço cercado por brigas e discussões? Esses são questionamentos importantes, que nos levam à percepção de todo o contexto que cerca a alimentação em seu sentido mais amplo.

Sabrina pontua a importância de alimentarmos todos os sentidos, em especial, nesse período do ano repleto de festividades. Ela chama a atenção para as escolhas que fazemos, pois mesmo com uma mesa repleta de pratos tentadores, podemos controlar a quantidade de alimento que vamos ingerir, as bebidas que vão acompanhar nossa refeição e as opções que vamos buscar em meio ao diversificado cardápio das festas de final de ano.

Touca de Papai Noel na piscina

A questão sazonal

A terapeuta destaca uma questão importante: “Inicialmente, precisamos lembrar que muitos dos costumes natalinos são legados do Hemisfério Norte, onde é inverno no mês de dezembro. Pinheiros nevados, ceias repletas de castanhas, nozes, chocolate ou bebidas quentes, entre outros, são itens intimamente ligados ao frio. Mas no Brasil é verão e muitas vezes, a temperatura pode ultrapassar os 40º. Então, vale repensar algumas escolhas, principalmente ligadas aos alimentos que vamos preparar para essas datas tão especiais”.

Sabrina reconhece que esses costumes são nostálgicos, aconchegantes e fazem parte da tradição natalina, mas chama a atenção para o fato de que adotamos esse modo de comemorar o Natal há tanto tempo que esquecemos a possibilidade de adaptar o cardápio e as práticas, dando um tom mais sazonal à ceia e à comemoração em si. “O país oferece uma infinidade de frutas, legumes, verduras, temperos, músicas, cores, tecidos leves e tanto mais para fazer nosso Natal de forma mais harmonizada, em sintonia com o nosso corpo, nosso ambiente e nossa digestão! Vale a pena experimentar algumas mudanças”.

Mulher agradecendo no Natal

Vivenciando esse momentos com leveza e harmonia

Existe várias formas de vivenciar esse período de festas de um modo mais leve e harmonioso, digerindo melhor alimentos e emoções, explica Sabrina. “Uma primeira sugestão para este Natal é agradecer: o que temos na mesa, a companhia das pessoas que amamos, as conquistas do ano. Depois, tente estar presente verdadeiramente, desde o simples ato de compartilhar genuinamente uma conversa com um amigo, familiar ou colega, até aquele - já não tão simples - exercício de respirar profundamente, para sentir o aroma do ambiente, para perceber a decoração tão dedicada, para sentir as músicas e até para abraçar as pessoas próximas."

A proposta de respirar profundamente é algo que Sabrina coloca como um meio de perceber o real propósito dessas festividades. “Inspirar e expirar, enquanto vivenciamos essa experiência que é compartilhar o alimento que vamos digerir, os sorrisos, a alegria de ter conseguido percorrer o caminho deste ano com coragem, além de nos entregarmos a essa automotivação para alcançar o que for importante para nosso bem-estar”.

ALGUMAS DICAS

A terapeuta afirma que, independentemente do grau de autoconhecimento que a pessoa tenha hoje, algumas questões podem aproximá-la desse estado de presença tão procurado durante as festas de final de ano:

  • Perceba como as conversas, os presentes, os encontros e reencontros já fazem parte desse processo de digerir os alimentos e as emoções, alimentando seu corpo e mente.
  • Está muito quente lá fora? Então, vale auxiliar a digestão com algum chá (frio ou quente) que leve especiarias no preparo, como coentro, erva-doce e cominho. A água saborizada também é uma grande aliada entre os brindes, garantindo a hidratação adequada.
  • Fique atento às refeições anteriores à festa: comer algo mais leve durante o período que antecede as ceias (num ambiente calmo e tranquilo) pode ajudar a aproveitar melhor a festividade de Natal ou da virada de ano. E um bom descanso antes pode fazer toda a diferença.
  • Pergunte-se: Devo aceitar todos os convites? Preciso pegar o telefone neste momento, no meio do jantar? Será que consigo demonstrar meu real interesse perguntando como foi esse ano para uma pessoa querida que está ao meu lado? As respostas a essas perguntas devem vibrar dentro de você e estar presente por inteiro, indo ao encontro daquilo que nos faz bem, é essencial. Repensar hábitos e rotas faz parte do fechamento de um ciclo e início de outro, pois nos leva adiante, para nossas buscas e para o encontro consigo mesmo.

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