Crianças estão desaprendendo a brincar?

Terapeuta alerta que brincar vai muito além da diversão e exerce papel essencial na construção do desenvolvimento saudável

Redação NBE

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30/06/2026
Crianças estão desaprendendo a brincar? Freepik/NBE

2 min de leitura

Celular para distrair durante a refeição, tablet no carro, desenho animado para acalmar antes de dormir. Em meio à rotina acelerada das famílias, as telas passaram a ocupar um espaço cada vez maior na infância, muitas vezes como recurso necessário para dar conta do dia a dia. 

Mas, especialistas vêm observando mudanças importantes no comportamento infantil relacionadas ao excesso de estímulos digitais.

Mais irritabilidade, dificuldade de concentração, baixa tolerância à frustração, alterações no sono e menos interesse em brincadeiras criativas estão entre os sinais que têm chamado a atenção de profissionais que acompanham o desenvolvimento infantil.

Para a terapeuta ocupacional e psicopedagoga Catiuscia Homem, o problema não está apenas no tempo de exposição às telas, mas na substituição crescente de experiências fundamentais para o desenvolvimento da criança.

“A criança precisa experimentar o tédio, o movimento e a brincadeira espontânea para desenvolver criatividade, autonomia e autorregulação emocional”, explica.

Segundo a especialista, o cérebro infantil está em constante construção e depende de experiências concretas, interação social e estímulos variados para amadurecer habilidades emocionais, cognitivas e motoras.

“Hoje vemos crianças acostumadas a receber estímulos rápidos o tempo inteiro. Isso pode dificultar processos importantes como atenção sustentada, espera e resolução de problemas”, afirma a psicopedagoga.

A preocupação acompanha uma realidade cada vez mais comum dentro das famílias: crianças que demonstram pouco interesse em brincadeiras livres, dificuldade para se desconectar dos dispositivos e necessidade constante de entretenimento imediato.

De acordo com a especialista, o brincar vai muito além da diversão e exerce papel essencial na construção do desenvolvimento saudável.

“O brincar não é apenas passatempo. É através dele que a criança organiza emoções, aprende a lidar com frustrações, desenvolve linguagem, imaginação e habilidades sociais”, destaca.

Outro ponto observado por especialistas é o impacto das telas na autonomia infantil. Com estímulos rápidos e recompensas instantâneas, algumas crianças passam a apresentar mais dificuldade para lidar com espera, rotina e pequenas tarefas do cotidiano.

“Quando a criança perde o interesse por atividades simples do dia a dia e só consegue se engajar diante de estímulos muito intensos, isso merece atenção”, alerta.

Culpa parental

A terapeuta ocupacional reforça que a discussão não deve ser baseada em culpa parental ou demonização da tecnologia.

“Muitas famílias usam as telas como ferramenta de sobrevivência na rotina e isso é compreensível. O mais importante é buscar equilíbrio e garantir que o digital não ocupe o espaço das interações, do brincar e das experiências reais da infância”, afirma.

A especialista orienta que pequenas mudanças já podem trazer benefícios importantes, como estabelecer momentos sem telas, incentivar brincadeiras ao ar livre, estimular atividades manuais e permitir que a criança vivencie pausas e momentos de criatividade espontânea.

“A infância precisa de tempo, movimento, vínculo e experiências reais. O desenvolvimento acontece justamente nas interações mais simples do cotidiano”, conclui Catiuscia Homem.

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