Abaixo-assinado pede o fim dos refletores sobre as areias de Xangrilá
A exemplo do que já ocorreu em praias de Santa Catarina, moradores e veranistas de Xangrilá se mobilizam para defender a biodiversidade das dunas
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Em 2023, associações de moradores, veranistas e ambientalistas protestaram contra a verticalização proposta pelo novo plano diretor de Xangrilá-RS, localizada no litoral norte do Rio Grande do Sul. O projeto alterava de 7 para 14 andares os limites de altura das edificações e acabou sendo aprovado pela Câmara dos Vereadores local, a despeito de mobilizações e dos avisos sobre o impacto negativo na infraestrutura urbana, como a sobrecarga na rede de saneamento básico e esgotamento sanitário, além de problemas de mobilidade, segurança e abastecimento durante a alta temporada.
Agora, a mesma cidade do litoral gaúcho, juntamente com sua vizinha Atlântida, permitiu a implantação de refletores na orla voltados para as areias beira-mar. Iniciativa semelhante foi tentada em algumas praias de Santa Catarina, como Campeche e Garopaba, mas foram impedidas graças à mobilização das comunidades locais.
Moradores e veranistas desta região do litoral gaúcho também tentar reverter esta ação do poder público com mobilizações e denúncias através de uma campanha de assinaturas contrárias ao crime ambiental e estudam efetivar uma ação civil pública contra a iniciativa.
Os organizadores alertam:
“O litoral não pertence apenas aos seres humanos. Ele é lar de uma rica biodiversidade que também depende desse ambiente para sobreviver.
A ciência mostrou que todos os seres vivos, incluindo tuco-tucos, corujas-buraqueiras, piru-pirus, lagartos, lagartixas, gambás, insetos e crustáceos, além da vegetação nativa e dos micro-organismos que mantêm o equilíbrio do solo, precisam da alternância natural entre luz e escuridão para viver.
A escuridão da noite também faz parte da natureza. Quando refletores direcionados para as dunas (que são Áreas de Preservação Permanente - APPs) transformam a noite em dia, as consequências são silenciosas e profundas: os animais abandonam seus habitats, os ciclos naturais são interrompidos, micro-organismos desaparecem e as dunas começam a perder sua capacidade de sustentar vida. Em pouco tempo, um ecossistema complexo pode se transformar em um árido monte de areia.
É isso que está em risco com a instalação de refletores na orla de Atlântida e Xangri-Lá, em uma área de elevada relevância ambiental do litoral norte gaúcho. A poluição luminosa provoca impactos sobre a fauna, a flora, os ecossistemas costeiros e até sobre a saúde humana. Imagine como você se sentiria com uma luz intensa iluminando a sua cama todas as noites!
Não se trata de escolher entre segurança e preservação.
Queremos praias seguras, mas também vivas.
Defendemos soluções inteligentes: uma iluminação planejada, projetada com aderência às normas, ambientalmente responsável e direcionada para os espaços ocupados e usados por humanos, capaz de proteger as pessoas sem comprometer a biodiversidade.
Por isso, nós - moradores, veranistas, frequentadores destas praias e cidadãs e cidadãos comprometidos com a proteção do patrimônio natural do Rio Grande do Sul - declaramos nosso apoio integral à Ação Civil Pública que busca impedir a instalação e o funcionamento dos refletores voltados para as dunas.
Pedimos à Justiça que determine a desativação imediata desses equipamentos, garantindo a proteção da nossa orla e da vida que ela abriga.
Ajude a preservar um litoral onde desenvolvimento e conservação caminhem lado a lado. Porque nem todo progresso precisa custar vidas.”




