Iniciativas ousadas inspiram a cooperação e inovação

O que para alguns soa como utopia, outros vão transformando em realidade

Redação NBE

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20/04/2026
Iniciativas ousadas inspiram a cooperação e inovação  Divulgação Gomo Coop

7 min de leitura

Sabe aquela ideia do sábio indiano Mahatma Gandhi de que “precisamos nos tornar na mudança que queremos ver no mundo”?

Pois cada vez mais vemos ao nosso redor iniciativas inspiradoras nas quais seres humanos se mostram verdadeiros homo sapiens.

Exemplo disto é primeiro mercado sem patrão criado em São Paulo em janeiro de 2026. A Gomo Coop é uma cooperativa de consumo participativa, uma estrutura ainda rara no cenário brasileiro.Neste modelo, as pessoas são ao mesmo tempo clientes, donos, trabalhadores do local e agentes de decisões.

Na Gomo Coop, o cliente precisa se tornar cooperante, adquirindo ao menos uma cota-parte de R$ 100,00 e se comprometer a trabalhar três horas por mês em alguma função do mercado, que vai desde repor mercadorias até limpar o espaço ou atuar em tarefas administrativas.

Além do trabalho cooperativo, a proposta dos idealizadores é reduzir custos operacionais, eliminar a figura do "patrão" e oferecer alimentos orgânicos e agroecológicos a preços mais justos, fortalecendo a lógica de trabalho coletivo e de apoio a pequenos produtores.

Mulher grávida e homem em frente à prateleira

Gomo de gominhos

A inspiração para a Gomo Coop veio da Park Slope Food Coop, cooperativa criada em Nova York há mais de 50 anos, que desde então funciona com base no trabalho mensal participativo de seus cooperantes. O modelo também influenciou a criação de cooperativas na Europa, como a La Louve, em Paris, e a Bees Coop, na Bélgica, entre outras.

“Aqui no Brasil a ideia ganhou forma com muitas cabeças. Até a abertura de portas foram quatro anos de conversas, aprendizados, reuniões de estruturação e criação de CNPJ. Para os custos iniciais da Gomo Coop fizemos uma campanha de arrecadação através de financiamento coletivo para abastecer as prateleiras da loja e uma campanha de arrecadação de recursos através de empréstimos solidários entre o grupo interessado”, conta Karina Nishioka (38) que faz parte do grupo fundador. Em pouco tempo a loja já contava com cerca de 500 cooperados e o número segue em crescimento.

E de onde saiu o nome? “Gomo vem de gomo de mexerica (bergamota). Um gomo é feito de muitos gominhos, transparentes e nutritivos. Juntos formam o fruto, que alimenta e perfuma o ambiente inteiro”, explica Karina.

Pessoas reunidas na rua com letreiro Gomo Coop

Tramas de esperança em cinco estados

Na Porto Alegre de 2005, uma cooperativa de mulheres costureiras acionou outras cooperativas e associações de vários estados para atender a vultosa demanda de produção de 60 mil bolsas para o Fórum Social Mundial. Dali surgiria a Justa Trama que hoje envolve mais de 700 trabalhadores(as) organizados(as) em associações e cooperativas em cinco estados brasileiros numa proposta inovadora de geração de trabalho e renda.

Os empreendimentos da cadeia produtiva da Justa Trama incluem desde o plantio agroecológico do algodão no Ceará e Rio Grande do Norte, coletores de sementes em Rondônia para botões ou biojóias, fiadoras e tecedoras em Minas e costureiras no Rio Grande do Sul. O produto final é uma moda sustentável que inclui sacolas, camisetas, brinquedos e várias outras peças feitas com algodão orgânico.

Homens colhendo algodão

Todo o processo de produção e comercialização tem como foco promover a economia solidária, a sustentabilidade, a agroecologia, o comércio justo, o consumo consciente, a preservação do meio ambiente e a distribuição justa de renda para seus associados e a sociedade em geral.

Modelo de vida

A economia solidária não é apenas um modo de vida, mas um modelo de desenvolvimento diferenciado. Os agricultores ganham o dobro do que outros no mesmo ramo e todos envolvidos da cadeia produtiva participam das decisões, inclusive da criação das peças. O preço final dos produtos também é definido com um valor justo, de forma que quem produziu também possa comprar.

A diretora da Justa Trama, Nelsa Fabian Nespolo (62), conta que o caminho inicial foi duro e teve um longo processo de aprendizado para chegar no que hoje é considerada a maior cadeia de manufatura de produtos de algodão orgânico da América Latina. Isto é particularmente importante quando se tem em vista de que o algodão tradicional é uma das culturas que mais utiliza agrotóxicos para a sua produção.

Mulher falando em microfone

A cada conquista, o grupo se fortalece para ir mais longe. Em 2024, entraram em uma licitação pública para fornecer lençóis e fronhas de algodão orgânico para a UTI infantil e oncológica de um hospital em Porto Alegre e os negócios nesta área estão se ampliando.

“É muito emocionante para nós ver que nossos produtos vão oferecer conforto para pessoas que estão com a saúde fragilizada. É muito orgulho também ver as pessoas usando as roupas confeccionadas pela Justa Trama. Trabalhar com o que se gosta e ainda fazer disto a sua fonte de renda dá um sentido muito profundo para a vida”, diz Nelsa.

Mulher em frente a fundo marrom

Festa Baila Comigo revoluciona a participação 50+

A pessoa passa dos 50 anos e a vontade de sair para a festa e voltar de madrugada vai ficando cada vez menor. Acrescente-se aí a doença social provocada pela pandemia que até hoje está reverberando e mantendo as pessoas dentro de suas cavernas particulares. O resultado é (quase) todo mundo em casa.

Mas, e se alguém criasse uma festa que começasse às 19h e acabasse antes da meia noite? Bingo.

“A festa Baila Comigo surgiu de uma necessidade pessoal minha. Gosto de sair, dançar, me divertir, mas os lugares que eu frequento sempre tem festas que começam muito tarde, meia noite, hora que eu quero voltar. Então eu pensei: deve ter muita gente da minha faixa etária que tem a mesma dificuldade”, conta a comunicadora e DJ katia Suman, que atuou por cerca de 20 anos na lendária Ipanema FM, além de outras rádios.

Pessoas em festa

Referência absoluta quando o assunto é “música boa”, Katia Suman (68) estreou a Baila Comigo em março de 2024 no tradicional bar Ocidente, em Porto Alegre, em parceria com o filho Bruno (40).

Focada inicialmente no público 50+, em pouco tempo a Baila Comigo começou a atrair também pessoas mais jovens que se identificam com a curadoria musical. Desde então, já reuniu a bailar mais de 10 mil pessoas, entre as edições mensais e alguns eventos corporativos.

Kátia também elege músicas que não servem pra dançar, mas são ótimas pra cantar. O resultado é o público num grande coro, que se encerra sob aplausos como se todos participassem de um show. Já o DJ Bruno, traz para as pistas pérolas das décadas de 1970, 1980 e 1990.

Pequena revolução

“Eu tô muito feliz com a Baila Comigo. Primeiro porque foi um reencontro com pessoas que ouviam a rádio Ipanema e temos um passado comum. Vivemos as mesmas experiências, o mesmo momento histórico. Outra coisa que me traz muita felicidade é ver mulheres sozinhas chegando na festa. Considero isto uma pequena revolução, porque não é comum uma mulher entrar numa festa sozinha. Mas ali o lugar acolhe, a festa acolhe. Parece que todo mundo é da mesma turma”, conta Katia, que desde 2010 mantém também uma rádio web, com uma curadoria musical minuciosa.

Mulher sorrindo

Uma boa ideia - por onde começar?

Meditar, conhecer outras experiências, trocar ideias com amigos, decidir realizar um sonho antigo... Muitos são as fontes para se inspirar e empreender novas iniciativas. Também é preciso trilhar o caminho, mas às vezes, parece que “não vai”.

Hora de praticar Sankalpa.

“Podemos traduzir Sankalpa como um propósito, aquilo que a gente quer realizar, conquistar”, explica a professora de Yoga Eve Pisani, que há mais de 40 anos ensina sobre o método oriental do Sankalpa a seus alunos.

A professora explica como fazer:

Primeiro é preciso definir o que a gente quer com clareza numa frase, que deve ser curta, afirmativa e no presente, já que o cérebro tem dificuldades para ler o “não” e para ler “passado e futuro”. Repita o seu Sankalpa na sua meditação ou em estados de relaxamento profundo para que ele fique registrado no seu subconsciente.

Depois de definir o que quer, é preciso traçar as ações que te cabem para realizar este Salkalpa. Estipular o que você vai fazer para que seu propósito aconteça, já que as suas ações são de sua responsabilidade.

Definindo toda esta rota, a possibilidade de você alcançar seu propósito aumenta vertiginosamente. Mas lembre-se que o resultado final não te pertence. Os méritos, o próprio karma e muitas outras variáveis podem contribuir para a realização, ou não, do seu Sankalpa. Mas este já é um bom caminho de autoconhecimento.

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