Campanha propõe todos contra as Bets
O vício em apostas online triplicou durante a Copa. Enquanto as empresas lucram bilhões, famílias estão sendo dilaceradas. A campanha Brasil Contra Bets quer deter esta epidemia
Joedson Alves/Agência Brasil4 min de leitura
Segundo dados da Folha de São Paulo, 1 em cada 3 brasileiros apostou em jogos online durante a Copa do Mundo. Há dois meses, era 1 em cada 9 brasileiros. Em percentuais, significa que, em maio de 2026, 11% da população mandava dinheiro para bets. Durante a Copa, chegou a 34,8%.
Ou seja, triplicou.
Mais gente apostando, e apostando mais. O valor médio por apostador subiu de R$ 188 para R$ 272 por dia.
Enquanto Austrália, Reino Unido e Portugal restringem a publicidade de bets nas transmissões esportivas, no Brasil, a regra é só sobre o formato do anúncio. Nada sobre horário ou frequência das propagandas.
Pior ainda foi ver atletas que já são milionários se prestarem para propagandas de incentivo a apostas nas bets. Sem falar de canais de comunicação que transformaram “bets” em um mantra próprio. Palmas para o jogador de futebol francês Kylian Mbappé que declarou publicamente não aceitar propostas deste tipo, porque, segundo ele, “isto destrói as pessoas”.
Enquanto as bets lucram bilhões, milhões de famílias brasileiras acumulam dívidas, ansiedade e sofrimento psicológico. Só em 2025, as bets arrecadaram 37 bilhões (MF, 2026) às custas das perdas dos jogadores, isto é, da população brasileira.
As taxações de impostos sobre as bets são irrisórias, cerca de 12%. Em dezembro passado, o Congresso aprovou o aumento dos impostos em jogos de apostas para 18%, mas só vai valer a partir de outubro de 2026.
A campanha Brasil Contra Bets quer a proibição dos jogos de alto risco e da propaganda de apostas online no Brasil. Você também pode assinar e compartilhar para ampliar a força desta campanha.

O Projeto de Lei Brasil Contra Bets (nº 2478/26 na Câmara dos Deputados e nº 2470/26 no Senado) quer tratar as bets como questão de saúde pública, assim como o tabaco, e não mais como simples entretenimento.
A proposta gira em torno da proibição de jogos de alto risco e da restrição de propagandas e responsabilização das plataformas, protegendo crianças e adolescentes.
Dados assombrosos
Onze milhões de brasileiros e brasileiras são apostadores contumazes de jogos online. Já é aquilo que estudiosos classificam como epidemia. Há um crescimento exponencial de pessoas que procuram nas bets – as plataformas online de apostas – sua dose diária de dopamina, o neurotransmissor que lhes oferece uma satisfação fugaz.
Depois do fumo e do álcool, o jogo é a maior fonte de dependência no país. Desde que o governo Michel Temer regulamentou as bets em 2018, houve uma explosão de bets.
A avalanche de jogos online – dos quais o mais notório foi apelidado “Tigrinho” – devasta principalmente homens até 30 anos pertencentes às classes C e D, justamente as que enfrentam as maiores dificuldades da luta pela sobrevivência.
Mas as consequências da ludopatia - o vício do jogo - vão além do apostador, vitimando sua família através de conflitos internos e da ruína econômica. No Brasil, já foram registrados vários casos de suicídio e homicídios por conta deste vício.
Em 2025, 25 milhões de brasileiros apostaram. Quase metade dos apostadores afirmam ter se endividado por conta do jogo e cerca de 10 milhões já apresentaram algum comportamento de risco em relação a apostas.
É uma epidemia. E ela está acontecendo bem diante dos nossos olhos. Propagandas de bets estão em todas as competições esportivas, nas camisas dos times de futebol, nas redes dos influenciadores. Foram tão longe que mais da metade das crianças e adolescentes já foram alvo de propaganda.
Por que participar da Campanha Brasil Contra Bets
1. Apostar Adoece
Estima-se que 12,8 milhões de pessoas já apresentam algum comportamento de risco relacionado às apostas: apostas cada vez mais altas, perda de controle, mentiras para encobrir o comportamento e comprometimento de relações.
Os custos com perda de qualidade de vida, tratamentos médicos, depressão e suicídio podem chegar a R$ 30,6 bilhões de reais. Um custo que acaba sendo pago por todos os cidadãos.
2. Mais propaganda, mais chance de jogar (e perder)
A experiência com o tabaco nos mostra: com a proibição da propaganda no Brasil, em 10 anos houve redução de 46% na prevalência de fumantes, sendo 14% atribuída diretamente às restrições de marketing e propaganda.
3. Todo mundo sofre: bets afastam sua família e amigos
Cerca de 30% dos apostadores brasileiros já usaram dinheiro destinado a despesas básicas (como contas ou alimentação) para apostar. Apostar destrói as famílias não só pelo endividamento, mas também pela quebra de confiança. Quando uma pessoa aposta, toda a família perde. A casa sempre ganha, e não é a sua.
4. Crianças e adolescentes em perigo
Adolescentes têm cerca de 3 vezes mais chances do que adultos de desenvolver problemas relacionados ao jogo. Apesar disso, mais da metade das crianças e adolescentes brasileiros já foi exposta a publicidade de apostas online, especialmente em redes sociais e transmissões esportivas.
Importante registrar – o Nosso Bem Estar negou veementemente propostas recebidas para anunciar bets em suas páginas.
Em nossas editorias, temos alertado desde 2025 para os perigos e consequências deste cassino ao alcance da mão.


