Bailarina une dança e yoga para promover saúde e consciência corporal

Júlia Poletto vai ministrar o curso online e ao vivo "Corpo sensível: Movimento e consciência corporal"

Fernanda Moraes

Fernanda Moraes

06/07/2026
Bailarina une dança e yoga para promover saúde e consciência corporal Júlia Poletto/Arquivo pessoal

3 min de leitura

Os benefícios da dança já são comprovados até no meio científico. No corpo: melhora da capacidade cardiorrespiratória, do equilíbrio, da força muscular e da coordenação motora. Na mente: diminuição de sintomas de ansiedade e depressão e aumento da sensação de bem-estar. No Yoga, os estudos apontam para um caminho semelhante: melhora da flexibilidade, satisfação com o corpo e autorregulação emocional. 

E o que acontece ao unirmos as duas práticas? Consciência, sensibilidade e escuta ao próprio corpo – é o que explica a bailarina Júlia Poletto.

Em Corpo sensível: Movimento e consciência corporal, Júlia estabelece o corpo como território de investigação, presença e descoberta. Em formato online e ao vivo, as aulas acontecem nos dias 5, 12, 19 e 26 de agosto (quartas-feiras), sempre às 7h30. Inscrições podem ser feitas pelo link

“Escolhi esse formato [online] com a intenção de ampliar o acesso e permitir que pessoas de diferentes lugares participem, inclusive da minha cidade, Caxias do Sul. Acredito que todos podem se beneficiar dessa escuta mais sensível, principalmente nessa realidade hiperconectada que temos vivido. Tenho percebido cada vez mais que sensibilizar o corpo é um ato de resistência”, justifica a dançarina. Segundo ela, apesar de deter artistas talentosos, a cidade oferece poucas alternativas ao meio artístico, sendo, muitas vezes, necessário buscar oportunidades em outros centros.

Mulher dançando

Nunca estiveram separadas

Da criança agitada que utilizava as aulas de dança para direcionar sua energia à intérprete da Cisne Negro Companhia de Dança – uma das maiores companhias de dança contemporânea do país –, Júlia decidiu proporcionar um espaço para que as pessoas possam se reconectar consigo mesmas através do corpo, independentemente da experiência. 

Para ela, yoga e dança nunca estiveram separadas. “Enquanto a dança despertou minha capacidade de expressão, consciência corporal e desempenho em alto rendimento, o yoga aprofundou a percepção sobre respiração, atenção, acolhimento e me ensinou a ser generosa comigo mesma”, explica. E a paixão foi tanta que levou a gaúcha, de Caxias do Sul, até São Paulo em busca de mais oportunidades para desenvolver e difundir esse conhecimento.

Mulher fazendo Yoga

“São Paulo concentra uma quantidade muito maior de companhias, projetos, editais, espaços culturais e circulação artística. Isso não significa que seja um caminho fácil — a concorrência também é muito maior —, mas existe um ecossistema cultural mais amplo, e isso permite experimentar diferentes possibilidades de trabalho”, explica. Em Caxias, apenas 0,58% do orçamento de 2026 foi destinado à cultura, abaixo do mínimo de 1% indicado pela legislação federal.

Ainda assim, Júlia acredita que fortalecer a produção artística nas cidades do interior é fundamental para que mais pessoas possam viver da arte sem necessariamente precisar sair de onde nasceram. “Sair da cidade onde cresci significou deixar para trás a família, a rede de apoio e tudo o que era familiar”, lembra, ao afirmar que dificilmente encontraria as possibilidades que uma cidade como São Paulo oferece em outros lugares do Brasil. 

Entre as oportunidades, além de integrar a Cisne Negro Cia. de Dança, Júlia participou como bailarina na ópera Double Bill: Le Villi e Friedenstag, no Theatro Municipal de São Paulo. Para ela, entretanto, os momentos mais marcantes não são aqueles de maior visibilidade – mas os capazes de tocar as pessoas, seja em uma Ópera renomada ou em uma Fábrica de Cultura na periferia.

Ela entende que a arte e a cultura na educação são ferramentas transformadoras e potentes, o que torna a democratização ao acesso cada vez mais necessária. Em vista disso, sua maior motivação neste momento da carreira é compartilhar o conhecimento adquirido de forma ampla e acessível, como através do Consciência Corporal.

Aos artistas do interior, por fim, a caxiense aconselha que não deixem a falta de oportunidades definir o tamanho dos seus sonhos. “Nem sempre o caminho será linear e, muitas vezes, será preciso criar as próprias oportunidades, estudar, buscar novas referências e estar disposto a sair da zona de conforto. O mais importante é manter a curiosidade, a disciplina e o prazer em continuar aprendendo”, afirma Júlia.

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Fernanda Moraes

Fernanda Moraes

Estudante de Jornalismo, apaixonada por literatura, música e cinema. Através da arte, busca transformar a realidade em poesia.

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