Para receber a Primavera

As plantas têm que estar bem nutridas, com boa adubação para a chegada da nova estação

Redação NBE

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28/08/2022
Para receber a Primavera Adobe Stock/NBE

4 min de leitura

O inverno 2022 segue firme, ainda temos algumas semanas de frio pela frente. Este é o momento ideal para começar a preparar as plantas que temos em vasos para a primavera, o verão e o outono, as estações em que as espécies, em geral, brotam, florescem e frutificam.

É na reta final do inverno que a grande maioria das espécies se prepara para sair da dormência característica da estação. Essa quebra de dormência, também chamada de hibernação, marca a transição para o período produtivo das plantas.

“No inverno, como nós, as plantas estão hibernando”, afirma Vanessa Akhila Zechin, arquiteta biopaisagista e diretora do Bosque Urbano Cursos de Paisagismo, de Porto Alegre.

Nosso papel nessa transição do inverno para a primavera é fundamental para a saúde das plantas em vasos. Vanessa, também professora do Curso Técnico em Paisagismo da Escola Técnica Bom Pastor, de Nova Petrópolis, reforça a importância de proporcionar imunidade às plantas. Adubar, eliminar folhas secas e atentar para eventuais contaminações de fungos e bactérias são cuidados básicos nessa época.

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e sócio-diretor da Quintal Urbano, de Porto Alegre, empresa que ministra cursos e presta assessoria em jardins, hortas e pomares, Júlio Cesar Giuliani vai na mesma direção.

“Na primavera e no verão ocorrem surtos de crescimento. As plantas têm que estar bem nutridas, com boa adubação”, ensina.

Tanto Vanessa quanto Júlio Cesar defendem adubação orgânica para os vasos que temos em casa.

Para obtermos melhor resultado, a adubação deve ser aplicada de duas formas, uma complementa a outra:

1. Na terra do vaso;

2. Nas folhas da planta (adubação foliar).

A adubação livre de química consiste em produtos encontrados no mercado e de fácil aplicação. Alguns produtos temos até em casa. Para o solo, use esterco curtido, húmus de minhoca, cinza de madeira queimada em fogões e lareiras, torta de mamona, farinha de ossos. Para aspergir nas folhas, chorume, líquido obtido a partir da decomposição de folhas, cascas etc e também disponível em lojas.

“A adubação foliar é a maquiagem final”, define Vanessa.

Como adubar a terra

Cubra a terra do vaso com o adubo (camada de 0,5cm, aproximadamente). Não é preciso revolver a terra, pois os nutrientes irão se incorporar ao solo naturalmente com as regas.

A partir de agosto, repita a operação mensalmente até maio. Suspenda a adubação no inverno (durante a dormência) e recomece a adubar novamente em agosto.

Como adubar as folhas

Dilua o chorume na água (siga as orientações do produtor) e borrife nas folhas. A periodicidade é a mesma da adubação da terra.

Fuja dos químicos

A dica é optar por produtos livres de químicos. Seja para adubar plantas ornamentais ou hortinhas caseiras, sempre tem uma opção livre de venenos.

“Produtos químicos são absorvidos pela planta em poucos dias, e eles destroem os microrganismos do solo”, explica Júlio Cesar.

Exemplo bastante difundido de adubo químico é o NPK, facilmente obtido no mercado e incensado como suprassumo da jardinagem. Poucos sabem, porém, que as propriedades do NPK podem ser obtidas naturalmente, com resultados semelhantes.

O NPK inorgânico é composto pelos três principais nutrientes que as plantas necessitam:

N - Nitrogênio

P - Fósforo

K – Potássio

Esse trio de macronutrientes também está presente nos adubos orgânicos, como torta de mamona (ajuda a fixar o nitrogênio no solo), farinha de ossos (fósforo) e cinzas de fogão ou lareira (potássio).

Plantio de flores em vasos

Rega

A rega de vasos e floreiras é item que precisamos ficar atentos a fim de proporcionar boas condições para nossa plantinha brotar, florescer, frutificar.

Em vasos, esse cuidado é ainda mais importante, pois pequenos descuidos podem comprometer a vida da planta.

Água demais gera fungos e bactérias; água de menos, resseca a planta.

A regra geral é que no inverno devemos regar menos, pois a planta está em dormência, em atividade metabólica reduzida. Exemplo: caso nos meses quentes você rega sua planta quatro vezes por semana, no inverno reduza essa frequência para duas vezes por semana.

Teste universal e infalível para saber se a planta de vaso está com sede: enfie a ponta do dedo na terra. Se o dedo sair seco, regue; se o dedo sair úmido, sujo de terra, espere mais uns dias para regar.

*Gilberto Blume é Jornalista e paisagista.

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