Casa com cara de casa
Dicas para aumentar a sensação de aconchego e encontrar seu estilo de decoração
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Quando o assunto é decoração, os gostos são inúmeros. Há quem prefira tons de cinza e luzes de led, enquanto outros optam por cores terrosas e iluminação quente. A verdade é que todos gostamos de sentir o aconchego que só uma casa que nos recebe como se estivesse de braços abertos pode proporcionar, seja após um longo dia de trabalho ou em uma simples tarde de preguiça.
Apesar dos diferentes estilos, existem alguns aspectos que comprovadamente aumentam essa sensação tão buscada, principalmente em um mundo cada vez mais caótico lá fora. Confira algumas dicas que o Nosso Bem Estar separou para ajudar a transformar sua casa em um refúgio particular.
Iluminação baixa e quente
Já ouviu falar em “casa com cara de consultório médico”? Essa sensação muitas vezes se dá pela iluminação, cuja principal fonte são lâmpadas em lugares altos, como o teto ou topo das paredes, e com tonalidade fria – branca ou azulada.
Nestes locais, é essencial a luz intensa e clara para melhor observação de detalhes, como em exames corporais. Além disso, há uma explicação biológica: este tipo de luz estimula determinadas células da retina, especialmente em comprimentos de onda próximos ao azul, o que pode aumentar o estado de alerta e atenção do cérebro e inibir a produção de melatonina (que sinaliza o sono).
Já a iluminação quente, que apresenta uma tonalidade amarelada semelhante à luz de velas, faz justamente o oposto: interfere menos no estímulo circadiano, favorecendo o ritmo natural do corpo. E quando aliada a fontes baixas, como abajures e luminárias de mesa ou de chão, os olhos ficam menos expostos à luz artificial e o organismo reconhece mais facilmente que é hora de repousar.
Por isso, quando comprar lâmpadas, atente-se à medida Kelvin (K) na embalagem. Lâmpadas de aproximadamente 2.700 a 3.000 K produzem luz quente, enquanto aquelas entre 4.000 e 6.500 K apresentam uma aparência mais neutra ou fria.
Atenção às cores
A psicologia das cores estuda como as cores influenciam nossas emoções, percepções e comportamentos. Tons quentes, como bege, terracota, pêssego e rosa queimado, remetem a elementos como o fogo, o pôr do sol e a terra, associações que podem despertar uma sensação de calor, proximidade e acolhimento. Já as cores frias, como azul, verde e lavanda, são associadas à água, ao céu e à natureza, transmitindo uma impressão de frescor e serenidade, além da sensação de maior amplitude.
Também é importante prestar atenção na intensidade e saturação das cores: um terracota suave pode transmitir acolhimento, enquanto um vermelho vibrante pode parecer estimulante. Da mesma forma, um verde-sálvia é preferível para criar um ambiente mais confortável diante de um verde-esmeralda.
Apesar de o branco e o off-white estarem na moda, considere a sensação que deseja passar para cada ambiente. Cômodos mais intimistas, como a sala de jantar, podem ir melhor com cores quentes, enquanto espaços de descanso como o quarto podem se beneficiar da serenidade dos tons mais frios.
Tapetes e cortinas
Além de complementarem a decoração, os tapetes e as cortinas influenciam a percepção de conforto térmico, a acústica e a entrada de luz natural nos ambientes.
Os tapetes ajudam a tornar os espaços mais acolhedores porque criam uma superfície macia ao toque, diminuem a sensação de frio nos pés e ajudam a reduzir a reverberação do som, já que materiais têxteis absorvem parte das ondas sonoras que, em superfícies duras como pisos cerâmicos, seriam refletidas pelo ambiente.
As cortinas, por sua vez, ajudam a controlar a luminosidade, a privacidade e a temperatura do ambiente. Cortinas leves permitem a entrada de luz natural difusa, que ilumina o espaço sem provocar tanto ofuscamento, enquanto os tecidos mais encorpados bloqueiam uma parcela maior da luz solar e reduzem a entrada de calor.
Mais uma vez, atenção às cores: tons quentes transmitem mais calor visual; tons frios criam uma atmosfera mais fresca. Quanto ao tecido, materiais com textura como algodão, lã e linho também podem reforçar a sensação de conforto.
Acima de tudo, encontre seu estilo
De nada adianta uma atmosfera confortável se ela não se relaciona com você. Para além das dicas citadas, desenvolva seu estilo próprio e encontre aquilo que combina mais com a sua personalidade e o ambiente que deseja viver.
Como referência, dê uma olhada em estilos já consolidados na arquitetura e design de interiores:
Japandi
O Japandi combina a simplicidade estética japonesa com o conforto funcional escandinavo. Valoriza a tranquilidade, a organização, os materiais naturais e até mesmo as imperfeições.
Suas principais características são as cores bege, off-white, marrom, preto e verde-sálvia; materiais naturais como madeira, linho e bambu; e decoração simples, com objetos funcionais, plantas e cerâmicas.

Fonte: Freepik
Boho ou boêmio
O boho é um estilo livre, artístico e cheio de texturas que valoriza a mistura de peças em vez de um conjunto uniforme.
Entre as principais características estão peças vintage e móveis de madeira e palha; tapetes estampados e almofadas; e objetos artesanais.

Fonte: Lovely Harbor Home Decor
Brasileiro tropical
Não tem como não falar do design brasileiro: um estilo que combina influências indígenas, africanas, coloniais, modernistas, contemporâneas e regionais.
Suas principais características são a conexão com a natureza a partir de plantas tropicais, madeira, pedras e fibras naturais; e a integração com o exterior a partir de janelas amplas, varandas e jardins.

Fonte: Soft and Soulful
Dopamine Decor
É uma abordagem mais maximalista. O nome faz alusão à dopamina, neurotransmissor envolvido em motivação e recompensa, então as prioridades são cores, objetos e referências pessoais capazes de despertar alegria.
Suas características são cores fortes, como rosa, laranja, amarelo e lilás; misturas de tecidos; formas divertidas e arredondadas; e uma combinação de quadros, coleções e objetos afetivos.

Fonte: @interiorbytim via Instagram
Mid-century
Remete ao design de meados do século XX, especialmente das décadas de 1950 e 1960. Combina funcionalidade com formas orgânicas e peças com personalidade.
Características: madeira média, tons de mostarda, verde-oliva, azul-petróleo e laranja; materiais como nogueira, couro, vidro e metal; aparadores baixos e curvas suaves.

Fonte: Genroom
Mas lembre-se: sua casa, seu conforto. Lance mão de um estilo, adapte-o à sua realidade, mescle-o com outros ou crie o seu próprio. O que importa é se reconhecer no local que abre as portas para você como nenhum outro.




