Vamos falar de saúde mental na adolescência?

Nos últimos anos, a ocorrência de transtornos mentais como ansiedade e depressão em adolescentes aumentaram de forma significativa, gerando uma grande preocupação. Afinal, quais fatores podem ajudar a amenizar essa tendência?

Redação NBE

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10/05/2024
Vamos falar de saúde mental na adolescência? AdobeStock/NBE

4 min de leitura

A adolescência (que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), abrange o período entre 12 e 18 anos de idade) é uma fase da vida cheia de transformações e questionamentos, durante a qual o jovem está se moldando para a vida adulta. E nos últimos anos, pais, professores e sociedade como um todo, vêm se deparando com um fato preocupante: o aumento expressivo da ocorrência de transtornos de saúde mental como ansiedade e depressão nessa faixa-etária.

De acordo com dados do Relatório Mundial da Saúde divulgados no final do ano passado pela Agência Brasil, 14% do total de pessoas com transtorno mental no mundo (que chegam a um bilhão), corresponde aos adolescentes. E existe outro agravante: um estudo publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde afirma que a metade de todas as condições de saúde mental inicia na adolescência (em média, aos 14 anos) e não costumam ser detectadas nem tratadas. Diante desse panorama, nos perguntamos: quais fatores podem ajudar a amenizar essa tendência tão preocupante? Como agir com os nossos adolescentes?

Fatores determinantes

Sabemos que a adolescência é uma fase da vida crucial para os jovens estabelecerem hábitos saudáveis e desenvolverem habilidades (em especial, sociais e emocionais) que vão levar para a vida adulta - e que podem ser determinantes quando falamos em bem-estar físico e mental. Vale frisar que as habilidades no campo social e emocional são fundamentais para o jovem atuar de forma plena e equilibrada em seu meio à medida que amadurece. Elas incluem autoconfiança, expressão de pensamentos e sentimentos, superação de desafios, desenvolvimento de enfrentamento e manejo das emoções e do estresse.

De acordo com a psicóloga Elisa Koff Dametto, o contexto social e cultural no qual o adolescente está inserido pode ser um fator determinante para a ocorrência de transtornos como depressão e ansiedade. “O ambiente sempre vai influenciar. Se eles não tiverem diálogo, se não tiverem uma orientação pautada pelo acolhimento e pela escuta ativa, se não tiverem apoio emocional ou se forem expostos à escassez de recursos básicos, abuso ou violência, certamente vão estar mais vulneráveis à ocorrência desses transtornos”.

Elisa chama a atenção para o fato de que esse é um período de muitas descobertas e também de desafios - e esse aspecto surge também no ambiente escolar, com suas interações. “Eles estão aprendendo a se inserir nos grupos, estão intensificando a vida social, tem toda a questão da descoberta sexual e das mudanças do corpo. A pessoa sabia existir no mundo como criança e aí, de repente, tudo vai mudando e então, ela precisa descobrir como existir nesse novo mundo que se apresenta”.

Adolescente com livros pensando

A psicóloga explica que nesse momento surgem inúmeros questionamentos. “Internamente, eles se perguntam: Como é que eu vou me inserir nesses grupos? A que grupo eu pertenço, quem eu sou? Me enquadro ou não me enquadro? Me encaixo aqui ou não?”. E nesse ponto, voltamos aos questionamentos de pais, professores e da própria sociedade: como ajudar os adolescentes a atravessarem esse período de forma mais saudável e equilibrada? Quais fatores podem amenizar a ocorrência de transtornos como depressão e ansiedade na adolescência?

Elisa reforça as pistas dadas anteriormente: “Nessa fase, eles precisam de muito diálogo e acolhimento, precisam de orientação dos familiares ou mesmo professores, respeito à individualidade e claro, que as necessidades básicas sejam atendidas (como acesso à informação, à educação e à saúde)”. E completa: “É importante que os pais adotem uma postura acolhedora e não severa, pois a agressividade sempre vai ser um fator que coloca o adolescente numa condição de mais vulnerabilidade”.

Por fim, ela destaca outros pontos que fazem a diferença nesse processo, como a criação de certos programas familiares (jantar ou ver um filme juntos, por exemplo), o incentivo à prática de esportes (que ajuda não só fisicamente, mas também socialmente, pois coloca o jovem em contato com os pares) e o cuidado com o uso excessivo de telas (seja televisão, celular ou computador), que acaba sendo prejudicial em vários aspectos.

Sobre isso, ela pontua: “Quando propomos que o adolescente modere o uso de telas, precisamos oferecer opções, caso contrário, a situação se transforma numa mera restrição, muitas vezes, com caráter punitivo. Então, vale apelar para o bom senso, para a criatividade e é claro, para a aproximação afetiva genuína - uma caminho certeiro na hora de guiar nossos jovens nessa fascinante e desafiadora jornada rumo à maturidade”.

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