O que você precisa saber sobre Lipedema

Especialista explica sinais, impactos e caminhos para o diagnóstico e tratamento adequados

Redação NBE

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27/11/2025
O que você precisa saber sobre Lipedema Freepik/NBE

4 min de leitura

Lipedema é uma doença vascular crônica, que tem causas genéticas e afeta em especial as mulheres. O distúrbio se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, quadris e braços e muitas vezes, é confundido com obesidade. Os sintomas incluem dor, sensibilidade nas áreas afetadas e tendência a hematomas, além do impacto direto na qualidade de vida.

O assunto vem ganhando espaço nas redes sociais, nos consultórios e nas conversas, mas ainda assim, muitas dúvidas persistem. Afinal, como diferenciar o lipedema da gordura comum? Como melhorar a condição de quem tem esse distúrbio? Quais os tratamentos mais eficazes?

Para responder essas e outras perguntas, conversamos com a biomédica esteta e integrativa Dra. Antônia Gonçalves, que atua em Garibaldi e acompanha diariamente pacientes em busca de diagnóstico e cuidado adequado. Nessa entrevista, ela aponta os sinais de alerta, comenta a importância da informação e reforça que identificar o lipedema é o primeiro passo para tratar, aliviar e recuperar o bem-estar. Acompanhe:

NBE: Quais são os primeiros sinais do lipedema que normalmente passam despercebidos pelas pacientes e acabam confundidos com “gordura localizada”?

AG: “Muitas pacientes convivem anos com sinais iniciais sem perceber que não se trata de gordura comum. Os principais sinais precoces são:

  • Acúmulo de gordura simétrico nos membros: coxas, pernas e/ou braços aumentam de forma igual dos dois lados, diferente da gordura localizada comum, que pode ser assimétrica.
  • “Desproporção corporal”: tronco fino e inferior desproporcionalmente maior ou pernas grossas, mesmo em mulheres magras.
  • Sensibilidade aumentada ao toque: pacientes relatam dor ao apertar a região, além da sensação de peso ou cansaço nas pernas (incomum no caso de gordura localizada).
  • Edema que piora ao longo do dia: inchaço vespertino, mas que não deixa fóvea (não afunda ao apertar, ao contrário do linfedema) e tendência a hematomas espontâneos.
  • Capilares frágeis: são típicos do lipedema, devido à inflamação crônica e à fragilidade dos tecidos.
  • Pele com aspecto ‘acolchoado’.
  • Região apresenta textura irregular, parecida com celulite, porém, mais intensa e dolorosa.”

Mulher sorrindo

NBE: De que forma o diagnóstico precoce pode influenciar a qualidade de vida e o tratamento das mulheres que convivem com o lipedema?

AG: “Um diagnóstico precoce muda por completo a evolução da doença:

  • Evita progressão para estágios mais avançados (as fases 3 e 4 envolvem fibrose e até lipolinfedema, bem mais difícil de tratar).
  • Permite intervenção eficaz no controle da dor e edema (manejo inicial reduz a inflamação, melhora a mobilidade e evita o surgimento de incapacidades).
  • Gera melhor resposta aos tratamentos estéticos e fisioterapêuticos (técnicas funcionais, atividade física orientada e nutrição têm resultados mais expressivos nos estágios iniciais).
  • Reduz frustração e melhora saúde emocional (muitas mulheres acreditam erroneamente que ‘não emagrecem porque não têm disciplina’ e essa crença gera impacto psicológico significativo).
  • Evita cirurgias desnecessárias ou inadequadas (sem diagnóstico correto, é comum a realização de procedimentos que não funcionam para lipedema).”

NBE: Quais procedimentos realmente auxiliam no manejo do lipedema e quais são mitos que ainda circulam na internet?

AG: “Cito alguns procedimentos com evidência e eficácia no manejo do lipedema (não curam, mas reduzem dor, inflamação, volume e proporcionam melhora funcional):

  • Drenagem linfática manual especializada.
  • Pressoterapia em baixa pressão.
  • Terapias anti-inflamatórias físicas.
  • Ultrassom terapêutico em baixa intensidade.
  • Radiofrequência monopolar controlada.
  • LED/laser de baixa potência.
  • Criolipólise (em casos específicos, quando há acúmulo associado de gordura, e não fibrose severa).
  • Linfotaping (kinesio funcional).
  • Meias de compressão adequadas ao estágio da doença.
  • Exercícios aquáticos e treino de força.

Importante mencionar também alguns mitos e procedimentos sem eficácia ou prejudiciais:

  • Criolipólise em alta potência para ‘reduzir lipedema’: pode aumentar a inflamação e dor se não houver indicação precisa.
  • Massagens modeladoras, drenagens agressivas e aparelhos de sucção forte: podem causar mais hematomas, rompem microvasos e piorar a inflamação.
  • Lipoaspiração comum: não é indicada, pois pode piorar o quadro (lipoaspiração para lipedema tem técnica própria - WAL, vibrolipo assistida, com preservação linfática).
  • Emagrecimento para curar o lipedema: o distúrbio não depende do peso corporal.
  • Radiofrequência para derreter a gordura: a RF auxilia na dor, mas não derrete gordura do lipedema."

NBE: Existem hábitos diários (alimentação, atividade física ou cuidados com a pele) que podem ajudar a controlar o avanço da doença?

"Sim! Cito os principais:

  • Alimentação anti-inflamatória, baixa em açúcares simples e ultraprocessados, rica em ômega-3, antioxidantes (frutas vermelhas, cúrcuma, vegetais verdes) e fibras.
  • Redução de glúten (em pacientes sensíveis), álcool e sal, com o objetivo de reduzir inflamação sistêmica e edema.
  • Atividade física adequada, sendo que as melhores modalidades são exercícios aquáticos (hidroginástica, caminhada na água), caminhada leve a moderada, treino de força (essencial para controle metabólico e linfático) e pilates.
  • Em fases dolorosas agudas, evitar pular corda, treinos de impacto e corrida intensa.
  • Potencializar a hidratação diária da pele com ativos anti-inflamatórios (centella, niacinamida, mentol suave), usar meias de compressão (graduada conforme o estágio) e fazer autodrenagem leve em dias de maior edema.
  • Beber água suficiente.
  • Evitar longos períodos sentada ou em pé, parada.
  • Elevar as pernas ao final do dia.
  • Banho contraste (quente/frio) pode ajudar no retorno venoso."

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