Murais públicos celebram a ancestralidade Kaingang

Obras do artista plástico Alessandro Müller passam a integrar o patrimônio cultural de Gramado

Redação NBE

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10/03/2026
Murais públicos celebram a ancestralidade Kaingang Divulgação

2 min de leitura

A comunidade e os visitantes já podem conferir, em Gramado - RS, o resultado do projeto cultural “Muralismo e os povos originários: do esquecimento à inclusão”, um conjunto de três murais permanentes, criado e executado pelo artista plástico Alessandro Müller, instalados na parede lateral do Arquivo Público João Leopoldo Lied, junto à Vila Joaquina – Território Criativo.

Mais do que uma intervenção urbana, a obra forma uma narrativa visual baseada na cultura e na ancestralidade Kaingang, inspirada na filosofia cíclica que compreende a vida como um fluxo contínuo — “Começo, Meio, Começo”.

Em três painéis, a criação percorre símbolos de identidade, memória e futuro: a criança Kaingang com a “peça que falta” e a gralha-azul, associada à Mata Atlântica e à dispersão das sementes de araucária; as mãos que acolhem uma muda da árvore, refletindo cuidado, continuidade e transmissão de saberes e o rosto em formação, cercado por peças e pássaros em movimento, transformação e reconstrução.

O projeto nasce do compromisso de incluir, através da arte, a presença indígena no registro cultural da cidade, ampliando o espaço de fala e valorização dos povos originários, frequentemente ausentes ou marginalizados nas narrativas locais. Nesse sentido, os murais se apresentam como contribuição artística para a manutenção da história de Gramado: uma história que, por muito tempo, foi contada sobretudo pelas etnias de imigração europeia e que, agora, também reconhece e incorpora a narrativa indígena como parte essencial da memória do território.

Abrir espaços

Para o artista Alessandro Müller, essa é uma responsabilidade da própria linguagem artística: “O papel do artista também é o de abrir espaço para temas fundamentais da nossa história e da nossa formação como cidadãos. A arte comunica e, quando ela está na rua, no espaço público, ela se torna acessível a todos. Ela encontra as pessoas no caminho e as convida à reflexão.”

Ao permanecerem expostos de forma definitiva em um local público e cultural, os murais se consolidam como legado para o município, com potencial para novos desdobramentos educativos e culturais.

Como parte do compromisso com inclusão, cada mural conta com QRCode de acesso a audiodescrições imagéticas detalhadas, produzidas por equipe especializada em acessibilidade, garantindo fruição qualificada também para pessoas com deficiência visual.

Além da entrega artística permanente à cidade, ao longo do último ano, o projeto realizou atividades culturais e formativas gratuitas, articulando arte urbana, educação e valorização dos povos originários, através de: palestra sobre Patrimônio Cultural Imaterial, curso de formação para mediadores de educação patrimonial, vivência de grafismo indígena na aldeia, oficinas de grafite/muralismo em escolas públicas, exibição do documentário “Os povos originários da Serra Gaúcha”, palestra sobre grafite e capacitação em acessibilidade atitudinal. Um destaque especial foi a aproximação da cultura Kaingang com crianças das escolas infantis, por meio de contação de histórias, criando vínculo afetivo e formativo desde a primeira infância.

O financiamento do projeto foi através do Pro Cultura- RS, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal Brasil União e Reconstrução.

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