Por que trocar o prazer das telas de celular pelo prazer da leitura?

O usuário compulsivo das telas está viciado em recompensas imediatas. Conheça as vantagens de ser um leitor

Redação NBE

Redação NBE

12/05/2026
Por que trocar o prazer das telas de celular pelo prazer da leitura? Freepik/NBE

2 min de leitura

*Marcel Bennet

Minha desconfiança com o entretenimento instantâneo começou numa manhã de sexta, a caminho do trabalho. A situação trivial, naquele vagão de metrô, teria sido há muito esquecida, salvo por um detalhe curioso: todas as pessoas sentadas, dentro do meu campo visual, tinham a cabeça inclinada e os olhos pregados em seus respectivos celulares.

Havia, entre elas, rostos curiosos e concentrados; alguns pareciam divertidos; outros, tristes. O único traço comum a todos era o isolamento social.

Vivenciamos, com o advento dos modernos aparelhos celulares, uma era de conforto, comunicação e acesso à informação sem precedentes.

Informação no sentido mais amplo possível: da singela música infantil ao esquema de funcionamento de um artefato bélico nuclear, passando por toda a sorte de conteúdo pensado para capturar a atenção do usuário pelo maior período de tempo possível.

Onipresentes na rede, algoritmos eficientes identificam preferências individuais, realimentando o usuário em um interminável carrossel de novidades afins.

O cérebro repete

É sabido que o cérebro humano tende a repetir ações que ativem o sistema de recompensa baseado nos chamados “hormônios do prazer”, cuja finalidade é o reforço de comportamentos favoráveis à sobrevivência do indivíduo, como o estresse da caça, a concentração do aprendizado ou o esforço físico produtivo.

Como não há dilemas de sobrevivência envolvidos na interminável rolagem da telinha, temos, nesse caso, o reforço de um hábito que leva o usuário a consumir horas do seu tempo numa atividade absolutamente estéril, tudo pelas endorfinas “baratas” e instantâneas proporcionadas pelo celular.

Este apego moderno tem substituído hábitos antigos mais saudáveis, como o da leitura. Ler exige, contrariamente ao entretenimento instantâneo, investimento de longo prazo. Adiando a recompensa, comunicamos ao nosso cérebro que coisas boas exigem esforço, investimento e participação. Ler demanda esforço intelectual, disciplina e comprometimento.

É treino mental. Treino que abre portas para a satisfação da tarefa cumprida, do trabalho bem-feito, do aprendizado e da realização pessoal.

Se o usuário compulsivo das telas tende à preguiça e à procrastinação – pois está viciado em recompensas imediatas –, o leitor assíduo treina sua mente para as demandas da vida e para a ação.

E aí, de qual lado você quer ficar?

*Marcel Bennet é escritor e autor do livro “Pássaro de Fogo – O Talismã de Yelnya”

Compartilhe

Redação NBE

Redação NBE

Nosso Bem Estar é uma rede de mídias com o propósito de ajudar você a viver bem, de forma natural, saudável e justa.

Também pode te interessar

blog photo

51% dos usuários de redes sociais relatam sentir infelicidade ao navegar pelo feed

O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 aponta mães e filhos presos no mesmo mecanismo de dependência, com graus diferentes de consciência sobre ele

Redação NBE

Redação NBE

blog photo

Como o Pathwork® pode ajudar no manejo da ansiedade

No Pathwork®, a ansiedade não é vista apenas como um problema a ser eliminado, mas como um sinal de conflitos internos, medos e padrões inconscientes de defesa

Redação NBE

Redação NBE

blog photo

Amor de mãe cura tudo. Será?

Essa é uma das frases mais repetidas — e raramente questionada

Redação NBE

Redação NBE

simbolo Bem Estar

Receba conteúdos que te inspiram a viver bem

Assine nossa newsletter e ganhe um universo de bem-estar direto no seu e-mail