Como o Pathwork® pode ajudar no manejo da ansiedade
No Pathwork®, a ansiedade não é vista apenas como um problema a ser eliminado, mas como um sinal de conflitos internos, medos e padrões inconscientes de defesa
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Casos de transtornos de ansiedade aumentam dia a dia - pesquisas recentes mostram que cerca de 4% da população global é afetada pelo distúrbio. E vale ressaltar que, de acordo com levantamentos como Covitel* (2023/2024) e estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é um dos países que ocupa posição alarmante no ranking dessa epidemia de ansiedade: são cerca de 56 milhões de brasileiros (aproximadamente 26,8% da população) que sofrem com esse transtorno psíquico.
Mas outro dado preocupante que os estudos apontam é que apenas uma em cada quatro pessoas recebe tratamento adequado. E o cenário mundial não ajuda muito: crises econômicas, guerras, situações climáticas extremas, a pressão do mundo digital. Diante desse panorama, vale buscar ajuda o quanto antes, pois diagnóstico precoce e tratamento adequado fazem toda a diferença na qualidade de vida das pessoas que são afetadas por esse distúrbio.
E em meio a diversas terapias e práticas que podem auxiliar no manejo dos casos de transtornos de ansiedade, está o Pathwork® - um sistema de estudos que promove o desenvolvimento emocional e o crescimento pessoal através de conteúdo teóricos, atividades e vivências, conduzindo o indivíduo de forma profunda e consciente a se conhecer melhor.
E para compreender de que forma esse método pode auxiliar no manejo das crises de ansiedade, conversamos com Viviane Marcon - professora de Yoga, Terapeuta Helper e facilitadora de grupos de estudo na metodologia Pathwork® há mais de dez anos. Acompanhe:
NBE: O Pathwork® pode auxiliar no tratamento e/ou manejo da ansiedade?
Sim, o Pathwork® pode contribuir de forma significativa no manejo da ansiedade ao ir além dos sintomas e buscar compreender suas causas internas. Nessa abordagem, a ansiedade não é vista apenas como um problema a ser eliminado, mas como um sinal de conflitos internos, medos e padrões inconscientes de defesa.
Ao desenvolver consciência sobre suas reações, reconhecer emoções e compreender seus mecanismos internos, a pessoa passa a se relacionar consigo mesma de forma mais clara e presente. Isso favorece a autorregulação e reduz a intensidade dos sintomas. Mais do que controlar a ansiedade, o caminho é aprender a escutá-la - e, a partir disso, construir uma base interna mais segura.
NBE: De que forma essa metodologia pode atuar nas camadas mais profundas desse transtorno?
O Pathwork® atua nas camadas mais profundas ao trabalhar crenças inconscientes, feridas emocionais e estratégias de defesa formadas ao longo da vida. Medos como rejeição, abandono ou perda de controle podem permanecer ativos internamente, mesmo quando já não correspondem à realidade atual.
A metodologia convida a pessoa a reconhecer essas estruturas com honestidade, compreender sua origem e perceber como ainda influenciam suas escolhas e reações. Esse processo amplia a consciência e permite que a pessoa deixe de reagir automaticamente, abrindo espaço para respostas mais livres, maduras e alinhadas ao seu Eu Real.
NBE: O atendimento é individual ou pode ser em grupo?
O Pathwork® pode ser realizado tanto no formato individual quanto em grupo, sendo experiências complementares. No atendimento individual, há um aprofundamento mais direcionado às questões pessoais. Já no grupo, o espelhamento amplia a percepção e traz um importante senso de pertencimento.
Ao se reconhecer no outro, a pessoa percebe que não está sozinha em seus desafios. Além disso, o grupo oferece um espaço vivo de relação, essencial para a transformação de padrões emocionais.
NBE: Quais práticas dentro da metodologia Pathwork® você considera mais indicadas para crises agudas?
Em momentos de crise aguda, o foco não é aprofundar conteúdos, mas acolher, estabilizar e devolver à pessoa um senso de segurança — sem qualquer tipo de pressão. O Pathwork® respeita o ritmo de cada um e oferece um espaço terapêutico onde a pessoa pode existir como está, sendo acompanhada com escuta qualificada e presença.
São utilizados recursos como atenção ao corpo e à respiração, nomeação das emoções e auto-observação sem julgamento, que ajudam a reduzir a sobrecarga e a organizar a experiência interna. Mais do que técnicas, trata-se de um campo de acolhimento que permite à pessoa, gradualmente, sair do estado de desorganização e se reconectar consigo mesma.
Mesmo em meio à crise, o processo já sustenta algo essencial: o desenvolvimento do Eu Real. Isso acontece não pela exigência de mudança imediata, mas pela construção de um espaço interno mais estável, onde a pessoa pode começar a se reconhecer com mais verdade, presença e segurança.
*COVITEL (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia) é uma pesquisa brasileira que monitora, por telefone, hábitos de saúde e fatores de risco para doenças crônicas.







