Hábitos dos idosos questionam o comércio
Pesquisa mostra como compram os idosos gaúchos que já representam 20,6% da população
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Se o Rio Grande do Sul da década de 70 registrava 5,8% da população acima de 60 anos, em 2026 este percentual chega a 20,6%. A população envelheceu e a expectativa de vida aumentou para 79,63 anos para mulheres e 73,30 anos para homens, segundo dados do IBGE.
Uma população que questiona a rápida digitalização das relações de consumo e segue mantendo hábitos tradicionais na hora de comprar. É o que revela a “Pesquisa de Hábitos de Consumo de Pessoas Idosas 2026”, realizada pela Fecomércio-RS, que traçou um panorama sobre o comportamento de consumo de pessoas com 60 anos ou mais em diferentes regiões do Estado. Os dados não surpreendem, mas questionam o comportamento do comércio que não parece ter um olhar específico para este público.
Confira alguns importantes indicativos:
- O comércio físico permanece como principal espaço de consumo dessa parcela da população. Entre os entrevistados, 58,2% afirmaram preferir realizar compras em lojas do centro das cidades, enquanto somente 13,8% utilizam a internet para comprar vestuário, calçados, eletrônicos e outros produtos.
- Os idosos têm preferência pelo dinheiro como forma de pagamento, sendo utilizado por 45,7% dos idosos como principal meio de pagamento, índice superior ao cartão de crédito parcelado (27,5%), cartão de débito (24,7%) e ao Pix, método escolhido por apenas 22,9% dos entrevistados.
A preferência por formas de pagamento mais tradicionais pode ser atribuída a diversos fatores: hábitos e costumes, o maior controle financeiro proporcionado pelo uso do dinheiro em espécie, uma menor familiaridade com a tecnologia e o receio de golpes e fraudes.
- A relação de fidelidade do consumidor idoso está mais conectada aos estabelecimentos do que às marcas. Enquanto 74,5% afirmam não ser fiéis a marcas, 56,9% dizem manter fidelidade às lojas onde costumam comprar, indicando que fatores como ambiente, organização, atendimento, mix de produtos e precificação têm peso decisivo nas escolhas de consumo.
Na definição de onde comprar, os critérios mais relevantes apontados pelos entrevistados são preço e ofertas (65,5%), promoções (31,7%), qualidade dos produtos (21,8%) e atendimento (17,4%).
- A experiência presencial, inclusive, aparece como fator importante na percepção de consumo. Embora 83,9% afirmam não enfrentar dificuldades no momento da compra, entre aqueles que relatam obstáculos, 14,5% apontam o mau atendimento dos vendedores como a principal dificuldade encontrada no varejo.
Dados importantes
Para a maioria dos idosos, conforme a pesquisa, comprar segue sendo uma atividade funcional. De acordo com 82,3% dos entrevistados, ir às compras representa principalmente a necessidade de adquirir produtos essenciais.
Já 11,2% enxergam o momento como uma atividade de lazer, enquanto 6,5% associam o consumo à oportunidade de interação social. Entre as mulheres, o caráter recreativo das compras aparece com mais força: 18,8% afirmam comprar por lazer, percentual bastante superior ao registrado entre os homens, que é de apenas 2,3%.
Uma das categorias de consumo regular mais frequente entre os idosos gaúchos é a alimentação fora do domicílio, hábito apontado por 46% dos entrevistados - atrás, apenas, da compra de alimentos e medicamentos. Outros 29,1% relataram frequentar regularmente salões de beleza e barbearias, prática mais comum entre mulheres, onde o índice chega a 35,6%. O estudo também identificou relação direta entre renda e consumo: alimentação fora de casa e serviços de beleza tornam-se mais frequentes conforme aumenta o poder aquisitivo dos entrevistados.
Viajar está no horizonte
O levantamento ainda reforça o peso crescente do turismo no cotidiano dessa população. O hábito de viajar foi indicado por 40,5% dos entrevistados. Entre eles, 51,9% realizam viagens motivadas por lazer, enquanto 39,7% viajam principalmente para visitar amigos e familiares. Quanto à frequência, 35,3% afirmaram viajar ao menos uma vez por ano e outros 26,9% costumam viajar a cada seis meses.
No perfil econômico, aposentadorias e pensões seguem como principal fonte de renda para 81% dos entrevistados, enquanto 25,5% ainda possuem remuneração proveniente do trabalho. Em relação à organização familiar, 37,4% vivem com familiares, 32,7% moram sozinhos e 29,4% residem com o cônjuge, fatores que ajudam a compreender aspectos ligados à autonomia financeira e padrões de consumo desse segmento.


