“Cronicamente online”: como a Geração Z tenta evitar o vício em telas

Nativos digitais se reúnem (ainda que nas redes) na busca de uma vida mais offline

Fernanda Moraes

Fernanda Moraes

25/02/2026
“Cronicamente online”: como a Geração Z tenta evitar o vício em telas Freepik/NBE

4 min de leitura

A Geração Z, que compreende os nascidos entre o final dos anos 1990 e 2000, é conhecida por ser “nativa digital”, isto é, imersa na tecnologia desde a mais tenra infância. Atualmente, no entanto, o que se vê é o movimento contrário à hiperconexão: a adoção de hobbies que mantenham a mente e o corpo longe da luz azul das telas.

“Cronicamente online”

Cronicamente online é um termo muito utilizado em redes como X e TikTok para descrever pessoas que estão sempre por dentro de memes, tendências e outros aspectos do mundo digital, não importa o quão recente sejam. A palavra “crônica” é propositalmente utilizada para remeter a uma doença ou desordem, ainda que não necessariamente atribuída em tom ofensivo. Jovens que se descrevem como cronicamente online enxergam a si mesmos, muitas vezes, dentro de uma condição imutável – já que está presente em suas vidas desde sempre.

E não estão errados: o estudo Carpe diem em vez de perder sua consciência social: além do vício digital e por que todos sofremos com o uso excessivo da tecnologia, realizado por neurocientistas ainda em 2016, afirma que o uso excessivo da tecnologia não só é viciante, como altera as interações sociais, afastando-nos das experiências humanas autênticas. Capacidades como interpretação de expressões faciais e ritmos conversacionais, evoluídas ao longo de milhões de anos, são severamente afetadas pela reclusão às telas.

Uma década depois, novos estudos mostram que os malefícios persistem. Reduzir o tempo gasto em frente ao smartphone melhora a saúde mental: um ensaio clínico randomizado controlado, publicado em 2025, constatou que a redução no tempo de telas foi associada à melhoria na qualidade do sono, diminuição de sintomas depressivos e aumento no bem-estar geral.

Diante dessa realidade, movimentos como o Offline Club e criadores de conteúdo digital independentes decidiram que ser cronicamente online não é realmente uma condição crônica, e através da autoconsciência, buscam curar-se da dependência – na medida do possível.

Desvinculando as telas do acesso à arte

Filmes, séries e músicas? No streaming do celular. Livros? Em leitor de PDF. Desenho? Em mesa digitalizadora. E as notificações? Sempre ligadas, apitando, distraindo – afastando a vivência de uma experiência integral da obra.

O que os jovens alternativos propõem é experienciar a arte através dos canais utilizados “antigamente”, que não permitam o acesso a uma infinidade de outras atividades por meio de um único (e tentador) clique. A seguir, algumas de suas ideias:

Aproprie-se das mídias físicas, da tangibilidade

Compre CDs, DVDs, leitores, rádios (que podem ser encontrados facilmente em sebos e bazares, fisicamente ou até online). Além de manter-se longe do celular, a posse da obra é sua – não da Netflix ou do Spotify, que podem removê-las do catálogo a qualquer momento se assim desejarem.

Folhas, orelhas, lombada, cheiro de livro

Nenhuma experiência se assemelha a virar para a próxima página. Se possível, opte por livros físicos. Caso as edições digitais sejam mais acessíveis, invista em um leitor próprio, que não permita acesso às redes sociais e outras distrações, mas apenas à literatura.

Lápis, borracha e papel na mão

Escreva, pinte e libere a criatividade em cadernos e telas. Dentro do movimento, o journal é uma alternativa famosa, em que os pensamentos e expressões devem ser liberados em um diário pessoal, através de textos, colagens e outras formas de arte. Em vez de tuitar, pegue o journal.

Um movimento pela vida offline… online?

Por mais irônico que possa parecer, para a maioria das pessoas, é praticamente impossível fugir da internet. Pagamento de contas, acesso a documentos e até serviços do governo exigem (ou no mínimo recomendam) o acesso digital.

Por isso, apropriar-se do ambiente é necessário para não submergir aos interesses das grandes empresas de tecnologia, que constroem seu algoritmo em benefício do lucro – e nunca da saúde do usuário.

Sendo assim, movimentos genuínos que buscam e incentivam pela desconexão revelam que os jovens estão dispostos a romper com a realidade imposta a eles antes mesmo que aprendessem a falar por si próprios. E que servem de exemplo para todas as outras gerações.

Não só a desconexão é incentivada, como também a redução de danos, o consumo consciente. Controle do tempo de tela e das redes sociais utilizadas, consciência dos malefícios e apropriação do espaço digital alteram a maneira, outrora quase que automática e robotizada, como nos relacionamos com a internet – sejamos nós zillennials, millenials, alphas ou boomers.

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Fernanda Moraes

Fernanda Moraes

Estudante de Jornalismo, apaixonada por literatura, música e cinema. Através da arte, busca transformar a realidade em poesia.

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