Cada vez mais quente e mais bélico
As guerras deixam um rastro de horror e têm um impacto significativo sobre o clima do nosso Planeta febril
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O relatório do estado do clima global de 2025, elaborado pela Organização Meteorológica Mundial e publicado no final de março, confirmou que 2023, 2024 e 2025, foram os três anos mais quentes da história.
A temperatura média consolidada de 2023 a 2025 ficou em 1,48° acima da era pré-industrial. Ou seja, as emissões de gases de feito estufa continuam aumentando e, como resultado, a temperatura vai continuar subindo.
Entre 2015 e 2025, o planeta registou os 11 anos mais quentes desde que existem registros. Os especialistas em clima afirmam que a janela para a ação e reversão dessa tendência está se fechando e os sintomas já sentidos neste Planeta febril podem se agravar. Calor extremo, tempestades mais frequentes, chuvas desmedidas, concentração de gases de efeito de estufa, aquecimento dos oceanos e desequilíbrio energético foram alguns dos alertas divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) no Relatório Global do Clima 2025.
Repercussões
Todas as alterações no clima têm graves repercussões no quotidiano da vida do Planeta.
A causa é a elevada concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera, que retêm a energia solar e impedem a sua dissipação natural para o espaço, agravando o efeito estufa.
Somente cortes ambiciosos nas emissões permitirão manter o aumento da temperatura global em 1,5°C, o limite que os cientistas dizem ser necessário para prevenir os piores impactos climáticos. Caso contrário, é possível que as mudanças no clima ocorram em ritmo exponencial e não linear.
Mas não seria impossível. A humanidade já conviveu com mudanças sistêmicas que antes pareciam improváveis e foram, em última análise, alcançadas, como os avanços tecnológicos. Pense no quanto recente são os computadores, intenet, telefones, carros elétricos, energias sustentáveis. E foram facilmente absorvidos. O mesmo pode ocorrer com uma transição rápida para um futuro com zero emissões de carbono. Mas exige boa vontade política e investimentos inteligentes e proativos em setores-chave da economia mundial.
E, claro, uma consciência ambiental coletiva. Mas o momento que o planeta atravessa parece ir na contramão disso, com a ampliação dos conflitos bélicos.
Guerras e meio ambiente
As guerras deixam um rastro de horror e têm um impacto significativo sobre o clima.
Quem não lembra das imagens apocalípticas da Guerra do Golfo, em 1991, com centenas de poços de petróleo queimando incontrolavelmente? O resultado foi uma liberação diária de até 500.000 toneladas de poluentes ao longo de mais de 300 dias, que afetaram a qualidade do ar em escala global.
O impacto ambiental de uma guerra é imenso e abrangente, desde a destruição da vida animal e vegetal, a contaminação de terras e da água de superfície e de subsolo, até a liberação de substâncias tóxicas e gases, além da contaminação por minas terrestres e munições não detonadas. Isto sem falar de guerras químicas e radiativas, que perduram por eras, contaminando inclusive o DNA dos seres vivos.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as nações com mais recursos econômicos gastam 30 vezes mais em atividades militares do que investem em países vulneráveis. A ONG Oil Change International estima que US$ 5 trilhões poderiam ser levantados a partir de uma taxa no comércio de armas entre países ricos.
Um levantamento do Instituto de Pesquisa para Paz Internacional de Estocolmo mostrou que, em 2024 - ano em que foram registrados conflitos em 36 países - o gasto militar cresceu em todas as regiões do mundo. Foram US$ 2,7 trilhões investidos no setor – o maior valor desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Além de sugar recursos que poderiam estar indo para outras frentes, cada dólar investido nas forças armadas e nas guerras significa mais emissões de carbono e a exploração desnecessária de recursos naturais.
As emissões das atividades militares — tanto na manutenção das forças armadas como no envolvimento efetivo em conflitos — não foram consideradas pelo Protocolo de Quioto de 1997 nem pelo Acordo de Paris de 2015, já que os Estados alegaram que eram emissões necessárias para a segurança nacional.
Se fossem um país, as forças armadas seriam o quarto maior emissor do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia, segundo estimativa das organizações Cientistas por Responsabilidade Global e Observatório sobre Conflito e Meio Ambiente.


