Em defesa das árvores de Porto Alegre

Cidade que já foi exemplo em arborização agora luta para mantê-la

Redação NBE

Redação NBE

20/10/2023
Em defesa das árvores de Porto Alegre Reprodução

5 min de leitura

Em manifesto publicado em a 19 de outubro de 2023, mais de uma dezena de entidades de Porto Alegre se unem em defesa das árvores da capital gaúcha. A expectativa é de que, na sequência, diversos outros movimentos se unam a este chamado em defesa da arborização urbana da cidade.

Porto Alegre já foi destaque no mundo com a “Rua Mais Bonita do Mundo”, eleita em pleito internacional. A rua Gonçalo de Carvalho foi escolhida exatamente pelo seu conjunto de árvores e acabou se tornando Patrimônio Ambiental de Porto Alegre e um ponto turístico de visitantes. A cidade também estava no topo das capitais mais arborizadas do país, com mais de (1) um milhão de exemplares.

A percepção da comunidade de que todo este patrimônio está em risco vem sendo manifestada há tempos nas redes sociais e eventos ambientais.

O movimento organizado em defesa da arborização de Porto Alegre também se esmera na proteção dos parques. Neste mês de outubro comemorou a desistência da administração pública de conceder para a iniciativa privada a gestão do icônico Parque da Redenção, após inúmeras manifestações contrárias da sociedade civil.

Conheça o manifesto completo:

CHEGA DE ARBORICÍDIO EM PORTO ALEGRE!

No ano de 2022, até o fim de outubro do ano passado, segundo reportagem de ZH, foram executadas 28.606 podas e 1.695 cortes de árvores (supressão total) em Porto Alegre.

Em 2021, foram 32.316 e 981, respectivamente, o que demonstra que no ano de 2022, apesar de não haver aumento de podas, subiu em quase o dobro o corte de árvores, em relação ao ano anterior.

Em 2023, as imagens da cidade indicam a situação se agravar. Inclusive, InGá, Agapan, outras entidades e grupos de moradores estão cobrando, na Prefeitura e no Ministério Público Estadual, que as informações técnicas quanto a estas intervenções sejam disponibilizadas antecipadamente, a fim de dar oportunidade de contestação por parte da população porto-alegrense de cada bairro potencialmente atingido.

Além dos números assinalados acima, a quantidade de denúncias nas redes sociais quanto a este processo indiscriminado de cortes, caracteriza um verdadeiro arboricídio, com fartos registros fotográficos fidedignos.

Parte das árvores que sobram possui muitas vezes suas copas mutiladas lembrando um "Y", para permitir a priorização da rede elétrica aérea sobre elas, ou se tornam desfiguradas em "palitos", sem ramos laterais, nem para o braço humano alcançar alguma fruta de pitanga, araçá, cereja-do-rio-grande, goiabeira-serrana, chal-chal, e de outras frutas nativas….

É importante lembrar que a diminuição da arborização diminui a captura de gás carbônico (CO2), o principal gás responsável pelo efeito estufa e mudanças climáticas, aumentando as chamadas Ilhas de Calor nas cidades.

Esta situação triste, lamentável e constrangedora contrasta com o histórico de Porto Alegre, cidade que teve a primeira Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Brasil, em 1976, que já foi considerada a capital mais arborizada do Brasil, e também onde surgiu um Plano de Arborização Urbana, em 2006, atualmente quase abandonado.

Infelizmente, desde uns anos para cá houve uma desestruturação forçada da SMAM, que detinha um dos mais completos viveiros das capitais brasileiras, possuía estrutura de Zonais, com arborização descentralizada em quatro regiões de bairros da cidade, e uma equipe de técnicos e outros funcionários com muita experiência e carinho. desde os cuidados especializados às árvores das calçadas até os espaços verdes de praças e parques.

Os parques urbanos possuíam técnicos gestores localizados nos Parques da Redenção, Moinhos de Vento, Marinha do Brasil, Harmonia (Parque Maurício Sirotsky Sobrinho), entre outros, e era prioridade a manutenção de arborização bela, diversificada e sem atuais intervenções de profusão de motosserras, como se testemunha hoje na capital.

Como agravante, tivemos recentemente a concessão de parques, por 35 anos, para empresas privadas desenvolverem atividades econômicas, que implicam muitos cortes de vegetais, como no caso do Parque Harmonia, onde foi autorizada a supressão de 432 árvores, ou ⅓ dos espécimes existentes na área anteriormente verde, e sem especificar a quantidade de construções previstas que afetam a fauna, a paisagem, o microclima e desviam a finalidade maior que era a contemplação da natureza e não os grandes e barulhentos eventos comerciais, com estacionamentos, por exemplo, para 1500 automóveis (Parque Harmonia) a preços escorchantes (50 reais acima de uma hora de permanência).

Neste sentido, vivencia-se um processo de enfraquecimento da política ambiental municipal, testemunhando-se o esvaziamento paulatino da então Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM), que assumiu de forma questionável (sem discussão com a sociedade) o tema da urbanização e uma suposta sustentabilidade, a não ser de negócios inconfessáveis, agora com nome de SMAMUS, baseada no favorecimento de licenças para a expansão de projetos imobiliários de grandes empresas da construção civil, além da divisão de serviços de manejo da arborização com a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSURB).

Agregam, ambas, muita terceirização de serviços, sem um planejamento mínimo de gestão pública e de estrutura necessária de técnicos e demais funcionários do quadro de uma administração que deve ser muito mais de Estado e não de efêmeros governos com a hegemonia de seus interesses políticos e partidários ou econômicos, que ameaçam esfacelar e mercantilizar com o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema, a própria sede da SMAMUS tem terreno em que a Prefeitura listou, junto a quase uma centena de terrenos próprios municipais, em que pretende colocar à venda.

Assim, várias entidades e movimentos socioambientais de Porto Alegre vêm denunciar à SMAMUS, como órgão central da gestão ambiental municipal, este processo inédito de arboricídio e de desmanche da política ambiental, onde não há retorno de denúncias, fiscalização, acompanhamento técnico ou mesmo a disponibilização de informações transparentes de Laudos e eventuais necessidades de alegados cortes de vegetação, por que passa a capital do Estado do Rio Grande do Sul.

Porto Alegre, 19 de outubro de 2023

Movimento Salve os Parques de Porto Alegre,

PreservaPoa,

Coletivo Preserva Redenção

InGá - Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais

Ateneu Libertário A Batalha da Várzea

AMPD- Associação de Mães e Pais pela Democracia - Comissão Ambiental

Instituto MIRA-SERRA

Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente - Apedema/ RS

AIPAN - Associação Ijuiense de Proteção ao Ambiente Natural

Movimento Laudato Si'

Pastoral da Ecologia

CSP-Conlutas

SindiBancários- Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região

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