Eleições: e eu com isso?
Você pode não acompanhar política. Mas a política acompanha você e interfere diretamente na sua vida
Fernando Frazão/Agência Brasil4 min de leitura
Muita gente se diz cansada e desanimada com a política no Brasil (e no resto do mundo não é muito diferente). As razões são muitas, mas entre elas existem aquela fabricadas especialmente para que estas pessoas se sintam desta forma. Afinal, se a pessoa está cansada de decidir ou participar, acaba terceirizando para outros (aproveitadores) os rumos do seu destino.
No cotidiano, a população sofre com os problemas climáticos, a desigualdade social, a insegurança, as jornadas de trabalho excessivas, a falta de acesso à educação e à cultura, muitas vezes sem se dar conta de que tudo isso depende da política. Não só de um presidente, mas de governadores(as), senadores(as), deputados(as).
As decisões políticas de um país, estado ou cidade interferem em salários, direitos trabalhistas, aposentadorias, emprego, educação, saúde, serviços públicos, orçamento, assistência social, segurança, cultura, meio ambiente... E tudo, absolutamente tudo está relacionado à vida das pessoas.
Um exemplo? Há candidatos que acumulam dívidas ambientais. E querem o seu voto quando o país está sob a ameaça do Super El Niño!

O voto é a expressão da democracia
“Mais do que um direito, votar é uma forma de exercer a cidadania e fortalecer a democracia”, consta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Democracia é o regime político fundamentado no princípio de que o poder emana do povo. No Brasil, está estruturada sob o respeito à Constituição Federal. Pode não ser a melhor forma de governo, mas é, dentre todos os experimentados na história, a que melhor garante os direitos individuais e coletivos, como defendem historiadores e cientistas políticos.
As mulheres na decisão
As eleições de 2026 ocorrem em um momento decisivo para o Brasil. Está em jogo o projeto que definirá os rumos do país, os direitos da população, as políticas públicas e a capacidade do Brasil de decidir soberanamente o seu próprio futuro, especialmente diante de todas as ameaças que pairam sobre os países da América Latina, cujas riquezas naturais são historicamente alvo de cobiça de países do Norte global.
Em 4 de outubro, 158,7 milhões de eleitoras e eleitores brasileiros vão às urnas para escolher, no primeiro turno da eleição, seus representantes pelos próximos quatro anos. A maioria destes votos (53%) é de mulheres. Mulheres que só conquistaram o direito de votar na Constituição de 1934. Mulheres das diferentes classes sociais que recebem o impacto direto da política, e, até por isso, devem se informar e reconhecer quais as propostas que verdadeiramente (e historicamente) ofereceram programas de apoio, incentivo e proteção às mulheres, às suas famílias e à população.
Votar conscientemente significa avaliar o histórico, os compromissos e o projeto de quem se apresenta para representar a sociedade, especialmente sua posição diante dos direitos sociais, do trabalho e da própria democracia.

A escolha eleitoral não começa nem termina na urna. Antes e depois das eleições, é preciso conhecer os projetos, acompanhar os representantes, cobrar compromissos e defender políticas públicas.
E para conhecer as propostas, é importante pesquisar a história de cada um em sites de instituições e sites oficiais de notícias, já que a internet é hoje um mar revolto de informações pouco confiáveis.
As propostas de governo, bem como a declaração de bens e a prestação de contas dos candidatos(as) podem ser consultados AQUI.
Confira seis dicas para escolher seus candidatos AQUI.
Bets e internet
Aliás, a regulação da internet, ao contrário do que muitos tentam caracterizar como invasão à liberdade individual, é uma necessidade que está sendo debatida e implementada no mundo todo. Caso contrário, as grandes corporações da internet seguirão influenciando a vida da população, as campanhas eleitorais e elegendo candidatos conforme seus próprios interesses financeiros.
No Brasil, já vimos o resultado positivo de proibir, em 2025, o uso dos celulares no ambiente escolar. Em breve vamos vivenciar também o resultado da recente decisão de suspender as apostas nas chamadas Bets, que consumiram os orçamentos de milhões de brasileiros, geraram vícios e até suicídios. Só em 2025, R$ 220 bilhões entraram nas contas das plataformas de apostas. Um dinheiro que poderia estar circulando na economia, gerando novos negócios e equilibrando finanças familiares.
Escolhas políticas interferem nas nossas vidas. Especialmente diante de uma eleição polarizada, precisamos identificar quem tem um olhar voltado para o bem da população, deixar de lado preconceitos e escolher o que será melhor para o país.
Como escolher os candidatos
Primeiro olhe para você, de qual grupo social faz parte, com quais valores se identifica e o que espera do poder público.
Depois avalie o currículo, as propostas, o passado e as ações do candidato(a). Verifique quem o apoia ou financia, a qual partido e coligação pertence e como esse grupo político tem atuado diante dos temas relevantes para a sociedade brasileira.
Se tiver dúvidas, converse com a família e amigos sobre o assunto.
Quando estiver decidido, prepare a sua colinha, que pode ser escrita em papel e levada até à urna.
As editoras do Nosso Bem Estar desejam a você um bom voto consciente!




