A arte do encontro

Elementos essenciais para a nossa saúde física, mental e social

Redação NBE

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09/11/2022
A arte do encontro Adobe Srock/NBE

3 min de leitura

Vontade de não sair de casa, desânimo e até uma certa depressão para o convívio social, dificuldade de se conectar a grupos ou pessoas, restrição para ficar em ambientes com aglomeração de pessoas, ansiedade, distúrbios de sono, pensamentos negativos, medo, raiva, conflitos pessoais, sociais e econômicos.

Você se identificou com algum ou mais desses sintomas?

Então vá com calma e saiba que não está sozinha(o).

Muita gente passou a se comportar de forma estranha até para si mesma depois do longo período de isolamento social.

O comportamento está sendo identificado como “Síndrome da Gaiola”, uma analogia ao comportamento de pássaros que depois de muito tempo engaiolados, mesmo com a porta aberta, têm dificuldade em sair da gaiola.

O efeito psicológico que a pandemia por coronavírus imprimiu na vida das pessoas ainda está reverberando e é possível que os resultados sejam percebidos por gerações.

O fenômeno começa a ser estudado por especialistas em todo mundo. A constatação é de que há uma íntima relação entre a pandemia e o desenvolvimento de doenças físicas, mentais e sociais. Profissionais se dedicam a estudar e explicar.

Hiperativação

Segundo a especialista em traumas e saúde mental, Denise Tartarotti Postay, quando uma pandemia acontece é ativado o nosso cérebro límbico – que é o nosso cérebro emocional, relacionado ao instinto de sobrevivência. Ele é orientado para lutar, fugir, ou para se fingir de morto. Se o predador ataca você reage, mas quando o perigo passa, você relaxa. O problema é quando o cérebro segue hiperativado, entrando em estado de estresse crônico. Esse estado passou a ser chamado de “cérebro pandêmico”.

“Neste período de pandemia ficamos com um forte sentimento de vulnerabilidade. O trauma coletivo mobilizou memórias de sofrimento que já estavam instaladas – talvez de abandono, desproteção, impotência, perdas, fragilidades - entre tantos outros registros com maior ou menor carga traumática.

Passamos mais de dois anos num processo de permanecer em nossas cavernas – nossos lugares e esconderijos seguros. Estamos todos ainda com este estado de ativação do nosso “cérebro pandêmico” que segue em guarda pela sobrevivência.

Mas o cérebro humano não é programado para se manter ativado assim por tanto tempo. Essa hiperativação do cérebro é geradora de doenças e pode criar estados mentais dissociados, ativar traumas antigos ou novos traumas que se desenvolveram na própria pandemia”, explica.

Cuidados

A psicóloga alerta que, em seu processo evolutivo, os seres humanos só sobreviveram porque descobriram que poderiam cuidar uns dos outros. Diferentemente de outros animais, nosso lobo frontal – responsável pela concentração, controle comportamental e emocional e pela autoconsciência - se desenvolveu permitindo sentimentos como empatia, amorosidade, generosidade, acolhimento, cuidado.

“Não tínhamos este cérebro desenvolvido até entendermos que deveríamos cuidar uns dos outros e há um sofrimento muito grande quando deixamos de olhar uns para os outros e de cuidar uns dos outros. Quando temos a sensação de que deixamos de pertencer afetivamente vinculados uns aos outros”, afirma Denise Postay.

Profissionais do mundo inteiro vêm se preocupando porque já estamos vendo o efeito da pandemia num agravamento muito importante de adoecimento mental em todas as faixas de idade, desde bebês, jovens, adultos e idosos. A experiência de vulnerabilidade da pandemia foi combinada com os isolamentos e os tipos de conexão muito instáveis e extremados que as redes sociais acabaram criando.

Cavernas e abraços

O brasileiro sempre foi identificado como um povo que gosta de se relacionar, de abraçar, beijar a ter contato com várias pessoas, em pequenos e grandes espaços.

Em 2021, num dos graves picos da pandemia e diante da impossibilidade do encontro presencial, a Rede de Mídias Nosso Bem Estar convidou seus leitores a enviar vídeos curtos com “abraços virtuais”, para comemorarmos o Dia do Abraço, em 22 de maio.

Para nossa surpresa, recebemos tantos vídeos que, editados, formaram mais de 25 minutos de abraços variados. Tal era a saudade de abraçar. ASSISTA AQUI

Hoje a pauta é outra, incentivamos os abraços quentinhos e a arte do encontro, mesmo que, como dizia o poeta, “haja tantos desencontros pela vida”.

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