Setembro Amarelo: e quando setembro terminar?

Saiba como você pode atuar numa rede de proteção com pessoas próximas

Rosemari Johan

Rosemari Johan

08/09/2026
Setembro Amarelo: e quando setembro terminar? Freepik/NBE

2 min de leitura

Todos os anos, em setembro, o amarelo aparece. Campanhas, laços, palestras, posts nas redes sociais e mensagens de conscientização nos lembram que precisamos falar sobre suicídio.

Mas existe uma pergunta que precisa permanecer depois que setembro termina:

Quem continuará olhando para aquela pessoa que está sofrendo?

O suicídio não acontece apenas em setembro. A dor também não escolhe calendário.

O Brasil registra milhares de mortes por suicídio todos os anos. Em 2021, foram 15.507 vidas perdidas, segundo o Ministério da Saúde — mais de 42 pessoas por dia. Por trás de cada número existe uma história, uma família e uma rede de relações que também é profundamente impactada.

Precisamos parar de tratar o sofrimento emocional como frescura, exagero ou falta de força de vontade.

Quem pensa em tirar a própria vida não está simplesmente querendo morrer. Muitas vezes, está desesperadamente querendo deixar de sentir uma dor que se tornou insuportável.

E essa dor pode ter muitas raízes: perdas, rejeições, abandono, violência, traumas, conflitos familiares ou afetivos, solidão, sensação de não pertencimento, desesperança e tantas outras experiências. Não existe uma única causa para o comportamento suicida. Existe uma pessoa em sofrimento que precisa ser vista em sua complexidade.

É nesse ponto que a família pode exercer um papel fundamental.

Não como responsável pela vida do outro. Não como culpada. Não como aquela que deveria ter percebido tudo antes.

Mas como rede de proteção.

Uma família que escuta sem julgamento, que não minimiza a dor, que percebe mudanças de comportamento, que leva a sério uma fala como “não aguento mais” ou “queria desaparecer” e que ajuda a pessoa a buscar atendimento profissional pode se transformar em uma ponte para o cuidado.

Às vezes, cuidar começa simplesmente com uma pergunta:

“Como você está de verdade?”

E, principalmente, com disposição para permanecer presente quando a resposta não for confortável.

Na perspectiva sistêmica, não olhamos apenas para o indivíduo. Olhamos para os vínculos, para as relações, para os contextos em que essa pessoa vive. Porque ninguém existe isoladamente. O sofrimento de uma pessoa reverbera em toda a sua rede — e o cuidado também.

Por isso, Setembro Amarelo não deveria ser apenas um mês de campanha. Deveria ser um lembrete de uma responsabilidade que temos o ano inteiro.

Precisamos construir famílias, escolas, empresas e comunidades onde falar sobre dor não seja motivo de vergonha; onde pedir ajuda não seja sinal de fraqueza; e onde as pessoas possam sentir que pertencem e que suas vidas têm valor.

Se você percebe que alguém está em sofrimento intenso, não ignore. Escute. Acolha. Procure ajuda profissional e serviços de saúde.

O CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia.

Porque prevenção ao suicídio não começa quando alguém chega ao limite.

Começa muito antes — nas relações, na escuta, no vínculo e na coragem de não passar pela dor do outro indiferente.

E quando setembro terminar?

Que o cuidado continue.

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Rosemari Johan

Rosemari Johan

Rosemari Johan é terapeuta integrativa e coordenadora do Espaço Mátria Cura Integrativa.

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