Lítio - riscos e oportunidades na América do Sul
Livro fala dos impactos econômicos, políticos, sociais e ambientais do mineral mais estratégico do século XXI
O lançamento do livro “Crônicas do Lítio – a América do Sul em disputa pelo futuro da energia global”, do argentino Ernesto Picco, acontece no dia 8 de maio, às 18h30, na livraria Livreirissima, em Caxias do Sul, com a participação do tradutor da obra, o escritor e professor Paulo Damin, e da jornalista e ambientalista, Vera Damian. A publicação é da Editora Coragem.
Lítio
O mineral está hoje no centro da voracidade das nações na disputa pela energia que promete substituir os combustíveis fósseis, mas, diferentemente do petróleo, o lítio não é visível a olho nu. “Como é o mais leve dos metais, faz mais de meio século que ele é extraído e processado para a construção de aviões, naves espaciais e submarinos. Também para a medicina: o carbonato de lítio foi usado para estabilizar o ânimo de pacientes com mania ou depressão”, destaca o livro.
Este mineral estratégico é essencial para a produção das baterias usadas em carros elétricos, celulares, notebooks e outros. Hoje, apenas cinco países concentram 90% das reservas de lítio. A principal fonte de lítio no mundo – mais de 50% do total - está nos salares sul-americanos localizados na Bolívia, Argentina e Chile. O Brasil, tem reservas reservas de lítio nas chamadas terras raras, e já é motivo de conflitos com a venda da mineradora Serra Verde para os Estados Unidos, no mês de abril.

Foto: Salar de Uyuni - Bolívia - Adobe Stock/NBE
O autor de Crônicas de Lítio faz uma extensa pesquisa in loco para traçar uma radiografia história da descoberta do metal raro no chamado Triângulo do Lítio. Um trabalho jornalístico em tom de crônica mostra os impactos ambientais, sociais, políticos e econômicos da exploração do lítio na região, em especial sobre as pessoas e comunidades tradicionais que estão sendo diretamente atingidas.
Sua pesquisa também leva ao questionamento desta nova matriz energética aplicada ao transporte, especialmente através dos carros elétricos mitificados como solução para a redução das emissões de carbono. Carros elétricos não emitem gases de escape, mas a pegada de carbono para a sua fabricação pode gerar emissões ainda maiores do que produzir um carro a gasolina em função da bateria íon-lítio. A verdadeira compensação só acontece a partir dos 20 a 30 mil quilômetros de rodagem, quando efetivamente a comparação da geração de carbono passa a se tronar favorável aos carros elétricos.




