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Bem-estar

03/03/2015 06h53

Tecelãs de um novo amanhã

Mulheres se unem para resgatar e celebrar o Sagrado Feminino

Por Nanda Barreto/Nosso Bem Estar

Monica Gomes/Prisma Circular
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Círculos de mulheres: trocas, cumplicidade e celebração

Determinadas a relegar o patriarcado aos livros de História, mulheres do mundo inteiro estão de mãos dadas para resgatar a sacralidade do poder feminino. Trata-se de um movimento milenar que ganha força a cada dia, na busca por uma sociedade mais equânime, que reconheça e valorize as especificidades femininas. Existem diversos grupos de convivência dedicados ao Sagrado Feminino. Cada um deles se organiza em função do propósito a que se destina, mas guardam um princípio comum: é no convívio exclusivo entre iguais que as mulheres se fortalecem.

“Se você observar, há círculos de mulheres sendo formados em todos os lugares, no ambiente corriqueiro ou no espaço dedicado ao sagrado, às terapias, à arte, ao cuidado com o ambiente. Há um movimento circular mundial, ecológico e planetário, uma nova visão do feminino. A referência ao círculo, seu simbolismo e a liderança circular tem permitido às mulheres resgatar os valores, princípios e conceitos femininos perdidos ao longo dos tempos, através da sua reconexão com o sagrado”, pontua a jornalista Andrea Boni, 47 anos, integrante do círculo Teia de Thea, em Brasília.

Nestes grupos, mulheres de todas as idades, muitas histórias e diferentes profissões, realizam danças circulares, rodas de conversa e estudos, além de rituais. São encontros em que elas cultuam Deusas de todas as mitologias, evocam a própria ancestralidade, trocam conhecimentos sobre seus corpos, sexualidade, ciclos, influências da lua e outros mistérios. "Acho necessário e precioso vivências apenas para mulheres, precisamos ouvir umas as outras, confiar umas nas outras, rir e chorar juntas", defende a focalizadora de danças circulares Rita Almeida, 59 anos, que mantém o espaço Om Tare, em Brasília (DF).

Na opinião da terapeuta Lúcia D. Torres, 53 anos, não é novidade que o princípio feminino vem sendo excluído da vida interior de cada um de nós há muito tempo. “Com isto, estamos todos carentes de uma verdadeira vinculação com o que é mais essencial, com a capacidade de nos relacionarmos a partir da alteridade que vem da alma, deste lugar onde nos nutrimos e, por isto mesmo, podemos também nutrir o outro", sustenta Lúcia, que também é ​diretora da Unipaz-Sul e mentora dos círculos femininos Tendas e Clãs do Sul, em Porto Alegre (RS).
 

Leia também:

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Resgate histórico

Transformar para desenvolver
Andrea Boni explica que os grupos de Sagrado Feminino beneficiam as mulheres em diversos aspectos, nos corpos físico, mental, emocional e espiritual. “Historicamente falando, resgatamos o sagrado feminino dentro de uma sociedade patriarcal, na qual a contraparte feminina da divindade foi negada nos últimos três mil anos, pelo menos. Há a necessidade de resignificar o espaço das mulheres no ambiente coletivo, propiciado pelo seu desenvolvimento individual. Esta é uma mudança de valores lenta e gradual que está acontecendo a olhos vistos e os círculos de mulheres têm fundamental importância neste processo”.

Resgate que cura
Tal como ocorre com muitas mulheres, participar destas dinâmicas em grupo foi um divisor de águas na vida da atriz e facilitadora de biodança Clarice DNejar, 33 anos. "Em momentos de transformação, de perdas e separações, percebi que uma das formas de recuperar minha autoestima era reverenciando a energia do feminino que existe em mim. Descobri que ao dançar, ao me relacionar com a natureza, ao cantar, ao me enfeitar, eu nutria em mim esta força. E que esta energia se fortalecia ainda mais na presença de outras mulheres, num processo de identificação e reconhecimento mútuo de nossos potenciais criadores", ressalta.

Na avaliação de Clarice, que atualmente focaliza círculos de mulheres na Chapada Diamantina (BA), onde reside, à medida que a mulher toma consciência do poder gerador de vida que lhe é intrínseco, é possível expressar e desfrutar dessa potência, curando antigas feridas de suas ancestrais que foram por muito tempo reprimidas em sua sexualidade e capacidades criativas. "Quando nos curamos, curamos nossas avós e também as futuras gerações. Para mim, Sagrado Feminino é continuar a tecer o fio invisível da tecelã mais antiga", sustenta.

"​No momento em que cada mulher se reconhece como um ser que busca a inteireza dos seus aspectos feminino e masculino, começa, verdadeiramente a sua jornada de autocura", complementa Lúcia D. Torres.

Expressão poética

 

 

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