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Saúde Integral

19/11/2020 08h00

O que as doenças dizem sobre nós

Um estudo internacional sobre as causas de adoecimento e morte das populações revela: caiu a incidência de males infecciosos nos países do Sul — mas cresceram obesidade, diabetes e outros ligados à piora da alimentação

Por Maíra Mathias

Nakaridore/Freepik/NBE
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O que as doenças dizem sobre nós

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Saíram os novos dados do Estudo Global de Cargas de Doenças (GBD, na sigla em inglês), com informações que vão de 1990 a 2019 e abrangem 204 países. Há poucas boas notícias, então vamos começar por elas: no período, a expectativa de vida saudável – o tanto que uma pessoa pode esperar ter boa saúde – aumentou 6,5 anos. Enfermidades que afetam gestantes e crianças diminuíram 55%. E os esforços para combater doenças neonatais e maternas, além das infecciosas, tiveram resultados particularmente bem-sucedidos nos países de baixa e média renda.

O mesmo não acontece na maioria dos países de renda mais alta, onde há estagnação e até mesmo retrocesso. É o caso dos Estados Unidos, que experimentara uma piora na saúde da população de quase 3% na última década. Isso, é claro, tem a ver com hábitos como tabagismo, sedentarismo e dieta repleta de alimentos ultraprocessados – o que, por sua vez, tem tudo a ver com a omissão no campo das políticas públicas, que poderiam desestimular o consumo de vários produtos, por exemplo. O relatório nota que houve diminuição nos esforços governamentais em reduzir o tabagismo em vários países.

Por aqui na América Latina o problema se repete: pressão alta, acúmulo de açúcar no sangue, índice de massa corporal elevado e fumo são os fatores que mais contribuem para a deterioração da saúde da população. Nesse sentido, não é surpresa que o estudo tenha constatado um aumento relevante na incidência de doenças crônicas não transmissíveis. Em 1990, elas representavam 48% da carga epidemiológica. Em 2019, já tomavam 70%. A diabetes está entre as doenças que mais puxaram a qualidade de vida dos latino-americanos para baixo nos últimos 30 anos.

O Brasil é destaque negativo no estudo por conta dos altos índices de violência doméstica. Dividimos o problema com a Colômbia. Em ambos os países, essa forma de violência foi a principal causa de perda total de saúde (morte prematura e problemas de saúde relacionados) em 2019.

Richard Horton, editor-chefe da Lancet, que publica o GBD, lembrou algo que o movimento sanitário internacional já fala há décadas: quando o assunto é a saúde das pessoas, não adianta olhar apenas para o setor da saúde. “Por mais que devamos, sim, focar em problemas do sistema de saúde, também precisamos prestar atenção em desafios de outras áreas que afetam o bem-estar das pessoas”, afirmou na coletiva de imprensa ontem. Ou seja: reduzir a pobreza impacta os indicadores. Elevar a escolaridade da população também, etc.

O estudo analisou 286 causas de morte, 369 doenças e lesões e 87 fatores de risco. E constatou o que Horton já havia adiantado, e por aqui foi destaque essa semana: há uma sindemia em curso. “Em todo o mundo, o aumento contínuo de doenças crônicas e fatores de risco relacionados, como maus hábitos e exposição à poluição, criou a ‘tempestade perfeita’ para o número de mortes durante a pandemia”, resume a Reportagem da Galileu.

Fonte: Outra Saúde

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