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Crescimento pessoal

06/11/2020 08h30

“SER” É INTERSER

Tudo na vida está ligado. Nada, nem ninguém pode existir por si só.

Por Thich Nhat Hanh

Adina Voicu/Pixabay/NBE
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“SER” É INTERSER

Se você for um poeta, verá claramente que há uma nuvem flutuando nesta folha de papel.

Sem uma nuvem, não haverá chuva; sem chuva, as árvores não podem crescer e, sem árvores, não podemos fazer papel.

A nuvem é essencial para que o papel exista. Se ela não estiver aqui, a folha de papel também não pode estar aqui. Logo, nós podemos dizer que a nuvem e o papel intersão.

“Interser” é uma palavra que não está no dicionário ainda, mas se combinarmos o prefixo “inter” com o verbo “ser”, teremos este novo verbo “interser”.

Sem uma nuvem, não podemos ter papel. Assim, podemos afirmar que a nuvem e a folha de papel intersão.

Se olharmos ainda mais profundamente para dentro desta folha de papel, nós poderemos ver os raios do sol nela.

Se os raios do sol não estiverem lá, a floresta não pode crescer. De fato, nada pode crescer. Nem mesmo nós podemos crescer sem os raios do sol. E assim nós sabemos que os raios do sol também estão nesta folha de papel. O papel e os raios do sol intersão.

E, se continuarmos a olhar, poderemos ver o lenhador que cortou a árvore e a trouxe para ser transformada em papel na fábrica.

E vemos o trigo. Nós sabemos que o lenhador não pode existir sem o seu pão diário e, consequentemente, o trigo que se tornou seu pão também está nesta folha de papel. E o pai e a mãe do lenhador estão nela também.

MAIS PROFUNDAMENTE

Quando olhamos desta maneira, vemos que, sem todas essas coisas, esta folha de papel não pode existir.

Olhando ainda mais profundamente, podemos ver que nós estamos nesta folha também.

Isso não é difícil de ver, porque quando olhamos para uma folha de papel, a folha de papel é parte de nossa percepção. A sua mente está aqui dentro e a minha também.

Então podemos dizer que todas as coisas estão aqui dentro desta folha de papel. Você não pode apontar uma única coisa que não esteja aqui - tempo, espaço, a terra, a chuva, os minerais do solo, os raios do sol, a nuvem, o rio, o calor. Tudo coexiste com esta folha de papel.

É por isso que eu penso que a palavra interser deveria estar no dicionário. “Ser” é interser. Você simplesmente não pode “ser” por você mesmo, sozinho. Você tem que interser com cada uma das outras coisas. Esta folha de papel é porque tudo o mais é.

ELEMENTOS NÃO-PAPEL

Suponha que tentemos retornar um dos elementos à sua fonte. Suponha que nós retornemos ao sol os seus raios.

Você acha que esta folha de papel seria possível?

Não, sem os raios do sol nada pode existir. E se retornarmos o lenhador à sua mãe, então também não teríamos mais a folha de papel.

O fato é que esta folha de papel é constituída de “elementos não-papel”. E se retornarmos estes elementos não-papel às suas fontes, então absolutamente não pode haver papel.

Sem os “elementos não-papel”, como a mente, o lenhador, os raios do sol e assim por diante, não existirá papel algum.

Tão fina quanto possa ser esta folha de papel, ela contém todas as coisas do universo dentro dela.

*Trecho de “O Coração da Compreensão: Comentários ao Sutra do Coração” do monge Zen vietnamita Thich Nhat Hanh.

Thich Nhat Hạnh

Thich Nhat Hạnh nasceu na região central do Vietnã há 94 anos completados em 11 de outubro de 2020. Aos 16 anos entrou para a vida monástica tornando-se mestre zen-budista e ajudou a fundar o movimento do budismo engajado orientado pelos princípios da não-violência e da ação compassiva. Pacifista, escritor e poeta, esteve ligado a Martin Luther King e influenciou-o a se opor publicamente contra a  Guerra do Vietnã. Em 1967, foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz.

As ideias do “monge suave” conquistaram centenas de milhares de seguidores no mundo todo.  Desde Outubro de 2018, reside no templo do Vietnã onde iniciou sua vida monástica há quase 80 anos. Como celebração de seu aniversário, convidou seus alunos  a praticar meditação, e a perdoar e amar aqueles com quem estão em dificuldades.

"Todos os dias olho cuidadosamente para tudo à minha volta: as árvores, as colinas, os meus amigos.

Vejo-me neles e sei que não vou morrer. Sei que vou continuar de muitas outras formas.

E quando os meus amigos olham para mim, devem também ver-me de outras formas para além deste corpo visível.

Esta prática diária vai ajudá-los a não chorar quando chegar o momento do desaparecimento da minha manifestação actual.

Pois quando esta minha manifestação desaparecer, eles saberão como me ver sob outras manifestações.”

Do livro "A Morte é uma Ilusão"

 

 

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