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Planeta

22/09/2020 08h00

Uma Primavera histórica

O ano de 2020 caminha para consolidar alterações importantes na relação que temos com as plantas

Por Gilberto Blume

Nosso Bem Estar
Ilustra casa2

Uma Primavera histórica

Estação naturalmente marcante, a Primavera 2020 promete ser inesquecível. Em praticamente tudo que fizemos, neste ano tão extraordinário deixamos sinais mais profundos do que o habitual, colhemos experiências mais marcantes, intensas. Esta Primavera não passará em branco, não permitiremos que passe em branco.

Um dos legados da pandemia é a reconexão com a natureza que muitos experimentamos. Ao mesmo tempo que pagamos caro pelas restrições da clausura, muitos encontramos nas plantas algum lenitivo para amenizar o peso dos dias.

Colorir a casa com flores e folhagens e se aventurar no universo das hortinhas são as atividades ambientais mais habituais do confinamento. Tem mais: a pandemia tem oportunizado que nossa relação com as plantinhas esteja deixando de ser um passatempo, só uma possibilidade decorativa ou mais outra forma de consumirmos por consumir.

As plantas, quem diria, faturam com a pandemia. A clausura tem tornado nossas relações com o reino vegetal mais humanizadas –indelével e conscientemente.

Está ficando para trás o tempo em que íamos ao super e, entre tantos gêneros adquiridos, coroávamos o carrinho com uma plantinha linda cujas necessidades, benefícios e origens raramente conhecíamos. Não é racional acomodar o vasinho em casa, compartilhar nossa pretensa porção ambientalista nas redes sociais e, semanas depois, descartar planta, vaso e tudo o mais na lixeira.

Vazios de conhecimento e de orientação, compramos plantas erradas para as nossas necessidades e desconhecemos as necessidades das plantas que levamos para casa.

Resultado, as plantinhas adquiridas conforme esse script geralmente morrem. Seja por carência ou por excesso de sol, seja por regas incorretas, muitas não resistem trocar estufas profissionais para enfeitar nossa estante.

RELAÇÕES VERDES

As plantas começam, lentamente, a galgar o Olimpo destinado a todos os seres vivos. A maioria de nós ainda está longe de dispensar às plantas da sala tratamento equivalente ao oferecido ao cãozinho, ao gato, ao peixe da família. Mas estamos melhorando.

Buscar orientação é o primeiro e maior pulo-do-gato para interromper a cruel rotina de comprar-descartar plantas.

Meio ano de pandemia proporcionou reflexões sobre nossas relações com o verde. Não é novidade. Alguns movimentos ganham força e se consolidam abrindo cabeças que defendam as plantas como seres vivos, que de fato são.

O movimento “Cegueira Botânica”, por exemplo, incentiva o consumo consciente. “A botânica está presente no dia-a-dia e não nos damos conta. Tudo o que a gente faz/vive tem algo de botânica. Mas a nossa cegueira gera uma incompreensão sobre a importância das plantas no ciclo da vida”, disse recentemente numa live do Atelier Flor de Arte (@flordearte) a acadêmica de Biologia da UCS Julia Dani, mentora do Orquídea de Darwin (@orquideaddarwin), canal no YouTube que aborda o assunto.

Solução?

Segundo os especialistas, é preciso investir em educação ambiental, notadamente nos Ensinos Fundamental e Médio.

O tema não se restringe aos indivíduos. O movimento Cegueira Botânica interfere nas políticas públicas ambientais, especialmente nas ligadas à biodiversidade.

A Primavera, despertar do Inverno, neste 2020 chega com ingredientes bastante concretos para se tornar um marco na vida de quem de fato se importa com a vida.

Os cegos

A expressão Cegueira Botânica, ou Cegueira Vegetal, foi cunhada em 1998 pelos botânicos e educadores Elisabeth Schussler e James Wandersee.

“Segundo os autores, as pessoas com  tal cegueira podem apresentar as seguintes características: dificuldade de perceber as plantas no seu cotidiano; enxergar as plantas como apenas cenários para a vida dos animais; incompreensão das necessidades vitais das plantas; ignorar a importância das plantas nas atividades diárias; dificuldade para perceber as diferenças de tempo entre as atividades dos animais e das plantas; não vivenciar experiências com as plantas da sua região; não saber explicar o básico sobre as plantas da sua região; não perceber a importância central das plantas para os ciclos biogeoquímicos; não perceber características únicas das plantas, tais como adaptações, coevolução, cores, dispersão, diversidade, perfumes etc”, descreveu em 2018 no site Botânica Onlie a professora Doutora do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo Suzana Ursi.

Um livro

A literatura é fartíssima na defesa das plantas. Tem de tudo, para todos os níveis de conhecimento. Um livro interessante para começarmos a perceber que as plantas são seres tão vivos como os animais é “Se Não Fugir, é Planta”, do doutor em Biologia pela USP Eduardo Gonçalves. No livro, um bem-humorado, didático e absolutamente atual Eduardo presenteia o leitor com conhecimentos científicos exibidos de forma trivial e de fácil entendimento.

*Gilberto Blume - Jornalista e paisagista.

 

 

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