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Crescimento pessoal

05/06/2020 08h00

Que lições aprendo com essa pandemia?

Ganhamos um tempo para repensar o nosso propósito como indivíduos e como seres em inter-relacionamento social e com o Planeta. E com ele...

Por Vera Mari Damian

Nosso Bem Estar
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Que lições aprendo com essa pandemia?

Paciência, resiliência e compreensão sobre a impermanência de todas as coisas.

Refletir sobre o ter e o ser. Descobrir as maravilhas da simplicidade.

Rever nossos hábitos de consumo, valorar nossas relações e preservar nossa saúde.

Questionar sobre a terceirização da educação dos filhos.

Cozinhar, aprender a fazer pão e a ampliar o uso das tecnologias.

Sentir falta de abraços e cuidar de quem lhe é caro.

Transitar em meio a um baile de máscaras.

Limpar, lavar, desinfetar.

Se encantar com os golfinhos voltando a frequentar os canais de Veneza, com as imagens de animais selvagens rondando pelas cidades e com o pássaro tão diferente que pousa e canta no fio elétrico em frente à sua janela.

Descobrir que as emissões de gases do efeito estufa reduziram em 17% por conta das quarentenas de diferentes países e constatar que podemos mudar o rumo ecocida da atual civilização.

Temer pela crise econômica, mas se espantar com o paradoxo de que apenas 2.153 pessoas concentram mais riquezas do que 4,6 bilhões de pessoas no mundo. 

Constatar que nos últimos 30 anos surgiram cerca de 200 novas doenças, como o coronavírus, causadas pela relação predatória de exploração de animais para consumo humano. 

Lamentar que a pandemia evidenciou uma epidemia igualmente vasta de vírus ideológicos que estavam adormecidos na nossa sociedade: fake news, teorias da conspiração, paranoias, racismo... Mas também, e acima de tudo, comemorar a explosão de solidariedade.

Assumir a responsabilidade individual e ser protagonista na busca de um bem-estar coletivo. Colocar à prova nossa saúde mental, controlar as emoções, exercer a empatia e manter a flexibilidade. Chorar pelas mortes de milhares de pessoas pelo mundo. Mortes que poderiam ter sido evitadas. A lista de aprendizados não tem fim. E nessa edição do Nosso Bem Estar convidamos nossos leitores a responder à pergunta: QUE LIÇÕES APRENDO COM ESSA PANDEMIA?

As respostas de pessoas de 22 a 88 anos são reveladoras de um sentimento de que podemos ser melhores. E ser melhor pode viralizar.

 

“Podemos viver melhor e com menos, podemos estar no lar e no trabalho, distâncias evitadas e relações estreitadas. Aprendemos a conter. Entender cortes, na guerra. A pandemia é a 3 guerra mundial e todos estamos nela”. - Jailza dos Santos Martin

 

“Aprendo a viver um dia de cada vez e a valorizar pequenas coisas, como uma comida feita em casa e o ter tempo para curtir meu filho de 4 anos”. - Cristiane, 42 anos.

 

“Reaprendo minha frase favorita: “aos elogios do mundo, prefiro os aplausos da minha consciência”.  - Levi, 22 anos.

 

“Estou me observando e observando o panorama mundial, nunca visto até então.  Concluo que cada um de nós vive seu processo particular imerso dentro do contexto maior. O que ajuda? Estar equilibrado holisticamente, ou seja emocional, corporal e espiritualmente para assentir ao que está acontecendo nesta pandemia mundial. Mas uma noite dessas, depois de assistir um documentário, fui invadida pelo medo. Meu corpo foi ficando tenso,  minha respiração curta e a mente ficou descontrolada. Então, conscientizei que isso era medo, medo do que poderia acontecer comigo e com a população mundial e que já está acontecendo em algumas regiões, ou seja, muitas vidas tendo destinos muito difíceis e irrecuperáveis. Sentei na cama e fui aos poucos dizendo a mim mesma que isto era medo.  Me permiti ficar um pouco sentindo isso .O alívio veio quando minha respiração foi voltando ao normal, sabendo que posso dar a volta nessa crise de ansiedade, voltar para meu centro e agradecida por ter tido essa experiência na qual ajudo outras pessoas a atravessar”. - Eliana Borelli 62 anos.

 

“Aprendi que tudo pode mudar como num passe de mágicas. Que a natureza é perfeita. Que não sentimos falta do que não falta, até que falte! Que em um momento de crise conhecemos realmente quem somos e todo nosso potencial, mas também as nossas sombras. Que há um abismo dentro de mim, mas também há um paraíso e que posso passar de um estado para o outro em segundos. Cada decisão e atitude podem ser cruciais. Que podemos ser milagre na vida das pessoas. Que não há mais espaço em cima do muro. Que aprendo mais com minha filha do que ela comigo. Que muita gente sabe muito na teoria, mas a prática é bem diferente. Que apesar de tudo, tenho fé em um mundo melhor!” - Josi Marcolin, 40 anos.

 

 “Essa pandemia veio para nos ensinar a viver o hoje e não só focar as coisas (aquisição de bens materiais, festas,...) no amanhã. Veio para mostrar-nos, que só o ter, sem o ser, é ilusório; que é preciso fazer uma reforma interior, a partir do autoconhecimento; que a essência da vida está na simplicidade, que o seu significado está na partilha e que a razão do viver está no amar. Fica o convite para que o mundo vibre positivamente, em nome do amor! - Volnei Flávio Soldatelli, 58 anos.

 

“Quando fechamos o universo exterior temos que abrir o interior. O encontro consigo mesmo dependerá de como somos. Percebemos o mundo muito mais a partir do que somos do que como o mundo é”. - Alberto Bracagioli, 60 anos.

 

Como já desenvolvia minhas atividades profissionais na forma de tele trabalho e resido só, o isolamento não me trouxe muitas alterações de rotina, a não ser pelo fechamento dos espaços públicos de cultura e entretenimento que frequento. Sinto muita falta deles. Durante a pandemia, reforcei os laços de amizade e tentei auxiliar, dentro das minhas possibilidades, as pessoas que necessitam de algum tipo de apoio". - Rubem, 46 anos.

 

“Aprendo sobre a importância dos singelos e puros presentes que a mãe natureza nos oferece generosamente: ar, sol, árvores, chuva e os animais”. - Elis, 40 anos.

 

“A pandemia conseguiu exteriorizar o que há de melhor em algumas pessoas, mas também o que há de pior em outras. E vi, sobretudo, que a ciência e a informação séria e verídica nunca foram tão necessárias. E a paz de espírito também”. - Marlei, 57 anos.

 

“Esse momento da vida  tem me ensinado a viver com intensidade o amor familiar, o amor pela casa e o cuidado com ela, o amor com as roupas/vestes que precisam ser higienizadas, enfim viver de forma consciente e grata, pois a vida passa rápido.  A morte faz parte. Todos vamos morrer um dia, mas o risco dela estar tão  próxima gera movimentos diferenciados que nos movimenta a intensificar cada momento. Aprendo a todo instante que posso ser a cada dia mais gentil e carinhosa". -  Rosemari Johan, 62 anos.

 

“A pandemia veio nos mostrar o quanto somos frágeis, o quanto necessitamos exercitar nossa fraternidade, o amor ao nosso próximo ! Precisamos praticar o desapego aos bens materiais e dar valor ao que realmente importa. E nunca, jamais esquecer o quanto Deus é bom e justo! O mal não foi criado por Ele e sim pelo nosso atraso moral! Estamos na época da colheita... Esse vírus invisível que nos ataca quer chamar nossa atenção para o respeito às leis soberanas. Ao meu ver, só com o exercício fraterno de apoio mútuo que a humanidade vencerá o vírus! Esse é um tempo de avaliar o que realmente importa em nossas vidas!” - Miriam, 63 anos.

 

“Aprendi que o mundo nunca mais será o mesmo e que, para seguir em frente, será preciso ressignificar muitas coisas, a começar pelo nosso mindset. Aprendi a rever a forma como levava a minha vida, como me comunicava, como geria o meu tempo e como me relacionava. Aprendi a viver de maneira, ainda, mais sustentável. Revi projetos pessoais e profissionais e os segmentei por relevância de desenvolvimento e contribuição. Aprendi a ousar em tempos de incerteza: lancei o Bem- Estar planner, um livro interativo, e muito instrutivo, que propicia o autoconhecimento, colabora com a qualidade de vida, possibilita no entendimento do eu no presente e ajuda a criar uma visão de futuro. Aprendi que, de agora em diante, a conexão com o outro por um propósito relevante, a interconectividade, a economia compartilhada e a solidariedade são a nova ordem mundial. E, principalmente, aprendi que reaprender será uma constante”. - Lenora Santos, 50 anos.

 

“O que vamos ESCOLHER a partir de agora? Continuar funcionando pela mente lógica ou aprender a funcionar pelo Coração?  O que mais é possível, que nunca consideramos possível, que se nos abrirmos para as infinitas possibilidades, criaremos uma NOVA REALIDADE?" -  Gizele Abreu, 55 anos.

 

 “Viver cada dia um dia. Sem perder a esperança e o sorriso no rosto. Toda crise tem um início, meio e fim. E essa também irá terminar. Mas como não sabemos quando, temos que viver com ela e fazer nosso melhor. Inovar, cuidar das pessoas que estão o nosso redor. Todos esforços para continuarmos respirando quanto ser humano e empresa. Seguir multiplicando luz e amor no mundo. -Verônica, 31 anos.

 

“ Aprendi e estou aprendendo a me valorizar, cuidar mais de mim para então poder cuidar do próximo”. - Cintia, 39 anos.

 

 “Faz anos que convivo com um fantasma… ficar sozinha. Quando minha mãe desencarnou, em 2017, acreditei que enfim teria que enfrentar o que mais me assombrava: estava sozinha! Sem filhos, morando longe da família… Mas, o momento de cura para este medo ainda estava por vir: 17 de março de 2020. Isolamento social. Hoje? Praticamente curada! Sobrevivendo à solidão… brincando com ela. Às vezes dói. Mas logo me refaço e danço alegremente por ter me superado. Sou minha melhor companhia!” - Claudia, 51 anos.

 

“Essa pandemia veio ressaltar a diferença entre "ter" e "ser". A maioria de nós, anseia ter. Ficou provado que não somos nada”. - Ivan, 88 anos.

 

“Eu não tinha me dado conta de quão rápido passa o tempo e do quanto corremos atrás da máquina para vivermos melhor. Porém essa corrida é a vida! Então nos preocupamos em termos "condições" de viver melhor, não vivemos. Algo que eu aprendi é que a vida é agora, o presente, então tentar aproveitar cada segundo com qualidade de vida é viver! Olhar para quem caminha do nosso lado com mais carinho, paciência, e cuidado é crucial sempre!” - Monica, 30 anos.

 

 “Sinto que uma das grandes lições que estou tendo é a de abrir mão de projetos previamente estabelecidos e me abrir para viver o que a vida me oferece neste momento, mesmo sem nenhuma segurança em relação ao futuro, continuar tendo esperança, fé e confiando na benignidade da vida. Outra grande tomada de consciência está sendo em relação ao quanto minhas atitudes individuais, responsáveis ou irresponsáveis, afetam o todo, contribuindo para melhorar ou agravar a crise. Então, tenho conscientemente escolhido colaborar com o bem comum”. - Gina Raquel Martin,  59 anos.

 

“Como filha da Mãe Terra, aprendi a honrar cada fio dos meus cabelos brancos que deixei de pintar durante a pandemia. Como Mulher, aprendi que ser Avó (ou Nona) e a mais Bela das bençãos! Como Terapeuta, aprendi a Escutar ainda com mais Coragem e Amor sobre o medo das pessoas”. - Cristina, 59 anos.

 

“Encaro este período como um desafio e frente a isso busco entender a realidade dos fatos e as possibilidades de ações. Assim, mantenho especialmente minha saúde mental em foco e responsabilidade nos meus atos”. - Valéria, 32 anos.

 

“Me fez desacelerar e repensar vários pontos do meu dia a dia. No início senti medo, depois incertezas, mas agora sinto que tudo foi melhorando. Aprendendo a viver um dia de cada vez”. - Julia, 34 anos.

 

“Que ela existe e que ninguém sabe o que acontecerá logo a frente, portanto nos fez parar e enxergar o óbvio: vivemos para aprender a nos reinventar”. - Iolanda, 58 anos.

 

“Essa pandemia nos trouxe de bom: menos poluição no planeta, as famílias se “ curtindo” mais em casa, a solidariedade mais presente, o comércio e serviços se reinventando; enfim, temos que ter todos os cuidados e aceitar que estamos entrando numa nova era , complexa, mas possível de ser bem vivida”. - Liane

 

 “É muito melhor buscar se adaptar a uma realidade do que ficar batendo de frente com as situações conflituosas . Tudo tem início e fim. Tudo se transforma . Tudo tem dois lados”. - Solange, 34 anos.

 

 “Por um lado, verificar o estado das políticas públicas dos governos a nível internacional que na sua grande maioria são muito pobres e, por outro, maior certeza de que a única forma de mudar nosso mundo é com mais solidariedade e protagonismo em nosso dia a dia, mais compaixão, mais amor por todos os seres vivos”. - Argelia, 74 anos.

 

 “Que para viver, a humanidade não precisa dessa correria maluca, e assim vai sobrar mais tempo para estreitar as relações sociais, depois que a pandemia passar!" - Bruno, 68 anos.

 

 “Aprendi que não importa onde estejamos: sempre está em nós a capacidade de usar nosso tempo para coisas úteis e boas para nós e para os outros, ou para desperdiçar o tempo em coisas menos importantes!” - Laura, 43 anos.

 

“Nesta quarentena, tive a confirmação de que, na verdade, precisamos de muito poucas coisas para viver e ser feliz. Às vezes, fazemos atividades que são “normais” no dia a dia, mas que só servem para encher nosso tempo e deixar a vida passar. A quarentena nos deu tempo para pensar e colocar em perspectiva o que é realmente importante”. -  Daniel, 43 anos.

 

“Viver um dia de cada vez, praticando os aprendizados adquiridos, mantendo a fé e a esperança em dias melhores, alimentando o amor e a união com a família e amigos. Saber, enfim, o que realmente vale a pena e importa nessa vida!”- Ana, 36 anos.

 

“Acredito que uma das principais lições é o quanto escolhas individuais podem ser determinantes na vida do outro; o quanto uma ação individual afeta profundamente o coletivo”. - Alessandra, 42 anos.

 

“Acho que existem três aprendizados muito importantes, que juntos podem formar algo novo dentro de cada um. A primeira delas é a IMPERMANÊNCIA das coisas, como as coisas mudam muito e a todo o instante. Outra é o DESAPEGO, a necessidade abrir mão do que não conseguimos TER ou CONTROLAR e, por fim, a TRANSFORMAÇÃO, como maneira de nos reestruturarmos dentro deste novo normal”. - Vitor, 47 anos.

 

“Através da pandemia entrei em contato de uma forma muito profunda com um dos maiores medos da humanidade, a solidão. Foi um lindo redescobrir como estreitar laços, apesar da distância, trocar afeto, sem abraçar, sentir o amor, apesar de toda a dor”. - Patrícia, 50 anos.

 

“Como professora de Yoga, o grande aprendizado foi ministrar aulas on-line, desafio que superei usando a plataforma de conteúdos da Pangeas. Vida é movimento, então mudar hábitos, reinventar a rotina de trabalho e lazer, rever atitudes, ficar em casa, tudo isso é positivo. Quanto ao mundo, em geral, o que vejo como mais significativo é o despertar da consciência, da solidariedade e da espiritualidade. Para mim, a palavra do momento é: MEDITAÇÃO”! - Vera Edler, 70 anos.

 

“Com esta pandemia, aprendo que ao proteger a mim mesma, protejo ao outro. E ao proteger ao outro, protejo a mim. Aprendo que estamos todos ligados e a grande lição, no meu ponto de vista, é reconhecermos que somos um só. A solidariedade e o olhar atento e compassivo ao outro nos revela”.  - Elisa Dorigon, 51 anos.

 

“Há um velho ditado que diz “não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje”. Ele é tão óbvio (alguém garante que estará vivo amanhã?) que frequentemente ele é deixado um pouco de lado (não cabe aqui discutir o porquê). Esta pandemia veio para lembrarmos de que o nosso tempo é agora, não amanhã. Tempo é vida!”  - Lidiane, 26 anos.

 

“A quarentena me trouxe a clareza da importância de sermos nossa melhor cia, de vivermos nosso lar (casa e corpo) em harmonia. Eu ser minha melhor amiga e me amar, anula a busca exaustiva do que está fora, desacelera as inquietudes. Esse período me confirmou que não somos donos de nada, principalmente do tempo. O tempo, é o universo (Deus/Natureza) quem sabe e decide”. - Adriana, 36 anos.

 

“Eu percebo este período, como todo período de crise, de dificuldades, de ameaça à zona de conforto, como sendo de oportunidades. Oportunidade de mudança pessoal, oportunidade de novo negócio, de crescimento, enfim, oportunidade de algum aprendizado para a vida”. - Mario, 48 anos.

 

“O povo brasileiro tem graves dificuldades em compreender e aceitar medidas que promovam o bem-estar social. Consequência da falta educação de qualidade, com filosofia, programa de educação em saúde, ética. Todas as esferas e níveis de governo tem que estar alinhados no combate a pandemia, com planejamento, organização e logísticas multidisciplinares.Todos precisam se reinventar porque o vírus exige uma nova relação entre pessoas e meio ambiente, e relações de trabalho. Responsabilidade e equilíbrio é dever de todos”. - Nara, 55 anos.

 

“Aprendi que ainda há muito que aprender. E que a mudança urge em nossas mentes e corações”. - Cristina

 

“Existe um equilíbrio na natureza que precisa ser respeitado para nossa sobrevivência. Precisamos repensar nosso consumo e nosso estilo de vida rapidamente. Dependemos de todos os outros para levar a nossa vida. Observação, paciência e tolerância ajudam a viver em paz. Precisamos criar a nossa vida naturalmente, com simplicidade e amor à natureza”. - Magali.

 

“O que aprendi com a pandemia? A enfrentar meus medos e reinventar-me descobrindo novos pontos de força”. - Denise.

 

“A lição maior é que aprendemos que não é só dinheiro riqueza e luxos é que tenhamos que ser mais humildes e mais humanos. Que a felicidade é feita de momentos que estamos presentes participando    junto à família. Esta quarentena está nos ensinando que nossa família e nossa casa é onde a gente é feliz”. - Getúlio , 69 anos.

 

“Eu penso que a pandemia fez com que nós aprendêssemos a esperar. Ter paciência, parar e entender certas coisas. Muitas vezes tínhamos que fazer algo imediatamente, saíamos sem necessidade nenhuma. E com isso fez pararmos, nos aquietar em casa, obedecer a regras, com isso aprendi que não mandamos em nós, aprendemos a ser mais humanos”. - Neida, 63 anos.

 

“Lições que aprendo com a pandemia...são tantas! Me dar conta do quanto necessito de afeto, de estar junto, de olhar no olho, de abraçar, de beijar. Ir pra dentro e olhar pra minhas sombras e ver o tanto de coisas que precisa ser olhada e iluminada pela minha parte luz. Aprender a ter mais compaixão, aceitação e perdoar mais a mim, e não só o outro. Não cobrar a perfeição. Responsabilidade, solidariedade, respeito pelo Todo”. - Simone.

 

“Na pandemia, tivemos grandes oportunidades: de aproximação com quem está longe, por meio da tecnologia, e de conexão real com quem está perto, por meio da conversa. Acabamos com a inversão de valores. Mais importante tem sido acordar de manhã e perceber a natureza forte, do lado de fora, alheia a todas as nossas angústias. Generosa, tudo dá e nada espera. Os dias são mais longos, mas nós é que não percebíamos antes o passar das horas, embebidos que estávamos de um cotidiano caótico e estressante. Sim, a pandemia nos mudou. Para melhor”. - Marta Bertelli.

 

“Eu podia falar que a pandemia mudou minha forma de ver a importância da ciência ou a fragilidade da vida biológica na terra, mas tudo isso já fazia parte das minhas convicções. Agora refletindo sobre o que eu aprendi nesta pandemia, vejo que tenho dado mais valor ao tempo  que passa. O tempo passa tão rápido mas ele as vezes fica arrastado, isto acontece quando estou com meu filho, observo agora que ele é minha eternidade, estar com ele e cuidar dele é sem dúvida a forma de valorizar meu tempo para sempre”. - Valesca  Casali, 49 anos.

 

A pandemia nos forçou a reconhecer que este mundo desigual, sem respeito à natureza, onde o sistema financeiro privilegia os mais ricos e exaure o planeta, é a verdadeira calamidade. Felizmente existem novos e grandes pensadores e economistas abrindo os olhos para uma possível solução. O papa Francisco adiou para novembro deste ano um encontro, anteriormente marcado para março, com economistas brilhantes para este fim. Sinal de esperança”. - Ricardo, 61 anos.

        

“O TEMPO agora fala de um Retiro, de um Recolhimento, de uma Revisão. Dar uma "Pausa" nas atividades externas...voltar para "casa", para dentro de nós mesmos. O mundo externo estava muito acelerado. Não percebíamos mais o nosso corpo. Estávamos correndo atrás da nossa memória, esquecendo de perceber a nossa respiração.Chegou o momento único de retornar ao nosso Lar Interior, de recolher e centralizar a nossa energia e potencializar os nossos talentos, as nossas virtudes e testar a nossa capacidade de reação. Abrir espaço no nosso coração para a solidariedade e criatividade....um belo exercício de Amor. O Retiro não é uma fraqueza e sim um ato de Força. É no Retiro que se consegue, no presente, preparar uma base sólida para o futuro, um novo tempo de ações produtivas em nossas Vidas. Reconhecer o valor existente em cada lição vivida agora. Parabéns. Você já é um ser humano DIFERENTE E MAIS HUMANO”. - Evelise, 61 anos.

          

“Aprendi que a natureza e o planeta estavam precisando deste respiro para se regenerar. Aprendi também a conter um pouco meus impulsos e a analisar quem me ama e quem me procura. - Teca das Mensagens, 49 anos.

          

Este momento marcante nos lembra e nos ensina sobre o quanto dependemos um do outro. Somos uma família que maltrata sua mãe Terra. Sugiro manter o astral alto. Boas frequências”. - Leandro Maffazzioli.

 

“Independientemente de si es cierta o no la pandemia y de las luchas de poder que aparentemente está generando, esta situación me está afectando de una forma diferente a cualquier otra situación vivida por mi hasta ahora. Al igual que cuando iba a un examen para el que había estudiado estaba muy tranquilo, no tengo absolutamente ningún miedo a la posible reacción de mi sistema al cual lo estoy "vacunando" diariamente desde hace mucho tiempo con, entre otras cosas, alimentación orgánica adecuada en cantidad combinación y frecuencia. Ejercicio, descanso y sueño adecuados, meditación diaria y sentido común. Esta "vacuna" me permitió salir de una leishmaniose cutánea de la que los médicos de la universidad de Bahía dijeron que fue cura espontânea”. - Carlos Castillejo.

 

“Infelizmente nós humanos, seres finitos, frágeis, pequenos diante do universo, muitas vezes precisamos da dor para crescer e entender a mensagem que o criador nos quer passar. Estou convicto de que essa pandemia desmoronou as estruturas do nosso Eu e vai transformar alguns, evidentemente, em novos seres. Este tempo de isolamento e distanciamento social, me fez perceber que um abraço não é só dois braços abertos, o cumprimentar não é apenas estender o braço com as mãos abertas e um beijo não é tão somente dar um carimbo no rosto de alguém. Na verdade, isso tudo nunca foi somente isso. Tenho certeza que saio desse momento de reflexão que o universo nos propõe, sendo um Eu muito mais completo, mais forte, solidário e agradecido pela oportunidade que o universo me proporcionou, para entender que vale a pena acreditar no dom da vida”. - José Theodoro.

 

“Aprendi que não controlo nada e que ter a ousadia de simplesmente me entregar ao fluxo da vida como ela é ... ah, esse é o grande aprendizado . E, essa capacidade que descobri que tenho foi o melhor produto da minha vida de yoga e que agora pode ser , na prática, testada . "Sem perder a ternura, jamais!” - Eve Pisani, 59 anos.

 

“Sobre a quarentena, eu posso dizer que foi como um retiro espiritual, no primeiro momento.Eu estava precisando parar e ficar na minha casa e foi maravilhoso ver que não preciso correr e como é bom ficar comigo mesma, desfrutando de momentos de solitude. Mas, no segundo momento depois de passar 30 dias, tive que encarar a vida e enfrentar coisas que não eram o que eu sonhava e tinha planejado para mim. Mas tive que encarar, com um nó na garganta, frustrada , fiquei bem irritada e ansiosa. Mas nada como um dia após o outro e olhar a vida com aceitação e dizer para ela: então tá, é isto que devo fazer? Então eu vou, tudo passa... A gente tem duas escolhas, ou a gente muda a circunstância ou damos outro sentido a ela”. - Kira,  57 anos.

 

“ Viver nesta pandemia é acordar na incerteza , sentir medo ,saudades dos amigos ,dos familiares e de um passado recente. Contudo, hoje ,estamos mais sensibilizados ,olhar voltado ao próximo, atenção para setores da comunidade nunca lembrados , idosos ,cuidado com nosso lar ,cozinhando , curtindo nossos filhos e nossa casa , as noites estão mais estreladas pelo ar mais puro. Confia , entrega , aceita e agradece a este novo tempo!”- Cleiza Alfaya Merino.

 

“O mundo clama por uma nova ecologia, da alma, da presença, de um novo olhar para o planeta, um novo tempo, tempo de corações coerentes, que vivam conectados na amizade, na compaixão, na respiração consciente,  que vibrem na frequência da sua verdadeira essência de luz, num entrelaçamento quântico de amor”. - Ricardo, 71 anos.

 

“Esta quarentena é mais uma grande oportunidade que Deus nos dá  para compreendermos que este mundo material nunca será um paraíso; que não devemos nos  apegar a ele , mas sim à nossa relação com Deus; que devemos aceitar tudo aquilo que nos chega  como sendo Sua misericórdia; que o refúgio mais seguro é sempre nos braços de Deus, que devemos sempre ver a mão de Deus em tudo; e que, principalmente,  devemos reconhecer que somos insignificantes  e que só nos resta contemplar a grandeza do amor de Deus”. - Monge Mahavir, 38 anos.

 

“ Com a pandemia aprendi que o que mais importa não é o fato/ realidade que se apresenta, mas sim o que eu faço com isto. O que para alguns é tragédia, para outros  oportunidade de se reinventar. Aprendi a dar atenção à minha vida e à minha casa ( olhar para dentro),  ao invés de me ocupar com questões que não posso resolver ( apontando/olhando para fora )”. - Claudia , 33 anos.

 

“Tenho uma visão pessoal sobre o atual momento que estamos passando. Não podemos deixar de Perceber que o nosso Planeta está mudando. Ele já mudou de eixo, com isso sua rotação mudou. As marés, as geleiras, o clima também estão em mudança. Com isso, a vibração no Planeta também é outra. Somos Seres Energéticos/Vibracionais e como tal temos, cada um de nós, uma frequência Vibracional. Se olharmos por esse âmbito, pela tabela Vibracional de SCHUMANN: o Corona, assim como qualquer vírus tem uma frequência de 5,5 - 14,5 Hz. Numa frequência acima de 25 Hz ele não é resistente. A frequência atual da terra é de 27, 4 Hz, portanto destrutiva para o vírus. Um corpo humano saudável acompanha essa frequência. Ocasionalmente alguns distúrbios podem baixar essa frequência: Fadiga ou exaustão Emocional, Hipotermia, Doenças crônicas, Tensão nervosa, etc. Existem padrões emocionais criados pela MENTE que baixam a nossa frequência vibracional, consequentemente alimentam ou potencializam o vírus; Medo de 0,2 a 2,2 Hz, Ressentimento 0,3 a 3,9 Hz, Agressividade 0,9 Hz, Raiva 1,4 Hz, Orgulho 0,8 Hz, Abandono 1,5 Hz. Mas, existem sentimentos que elevam a nossa vibração (emanados pelo Coração) e que são considerados remédios para quaisquer males: Generosidade 140 Hz, Compaixão 150 Hz,  Gratidão 145 Hz, Amor incondicional 150 Hz, Alegria acima de 150 Hz. Então, tudo é responsabilidade nossa. Se Cocriamos essa realidade por conta de toda a vibração em que estávamos funcionando até agora, temos a capacidade de conviver com qualquer vírus. Sim, porque é FATO que ele não será erradicado e que temos que adquirir IMUNIDADE contra ele e isso está dentro de nós, mudando nossa Vibração. A mídia está vendendo o medo e a histeria e todos estão comprando como real. Como seria oferecer uma terapia do riso? da alegria? da Confiança? Tenho certeza que tudo ficaria muito bem. Por que Confiar é Fiar com. Vós sois Deuses! Podereis fazer o que Eu fiz e muito mais! (Jesus) Se confiarmos realmente no que Ele disse acessaremos o Deus que habita em nós e isso tudo não passará de um grande aprendizado e de uma preparação  para Recebermos essas novas Energias que estão disponíveis a partir de agora.  O que vamos ESCOLHER a partir de agora? Continuar funcionando pela mente lógica ou aprender a funcionar pelo Coração? O que mais é possível que nunca consideramos possível que se nos abrirmos para as infinitas possibilidades, criaremos uma NOVA REALIDADE? - Gizele Abreu, 55 anos.

 

FINS DE MUNDO

O fim do mundo já aconteceu muitas vezes. Cada guerra, cada catástrofe, cada cidade que precisava ser reconstruída era um fim de mundo, e um novo começo. Até para os povos indígenas na invasão, foi um fim. Ou o fim da aristocracia inglesa no início do século XX. Era o fim do mundo para eles, não, ficar sem um mordomo, perder suas mansões, seu modo de vida? Sim. O mundo acaba mais uma vez, agora para nós, por meio do Coronavírus, e nos toca viver este tempo que nos foi dado.

Talvez, o mundo acabe como no conto "O cair da noite", de Isaac Asimov - um dos principais escritores de ficção científica, responsável por títulos como Eu, Robô. Neste conto, a cada 2 mil anos acontece um eclipse em um planeta chamado Kalgash, onde há seis sóis e, portanto a luz sempre reina - quando um sol se põe, o outro está nascendo. As pessoas enlouquecem na escuridão total que nunca tinham visto. E fazem fogueiras, e a civilização inteira acaba ruindo e virando cinzas. E depois tudo se reconstrói. Evidências arqueológicas, nessa ficção científica, mostrava camadas e camadas de uma civilização construída em cima das cinzas da outra.

E essa é a metáfora. O mundo já terminou muitas vezes. E, como diz a canção Melhor Assim, da banda Engenheiros do Hawaii: "já vi o fim do mundo algumas vezes, e na manhã seguinte tava tudo bem". Vamos ficar juntos, mas cada um em sua casa. Vamos nos cuidar para que tudo passe rápido, da melhor forma possível, com os menores danos, e a gente possa reconstruir a nossa civilização mais uma vez.

Quem sabe não conseguimos até aproveitar para corrigir alguns graves problemas estruturais? Tomara. Eu sempre disse que nunca saímos os mesmos de uma depressão, mas não necessariamente para pior. Há coisas que até podemos melhorar depois de um período como este, da Covid-19. Talvez seja isso que vai acontecer com a humanidade. Estamos em uma espécie de depressão coletiva. Quando renascermos das cinzas, seremos diferentes - torço para que não necessariamente piores. - Sabrina Didoné, 31 anos.

 

RECOLHIMENTO DA ALMA

O frio chegou cedo no outono da Serra Gaúcha neste ano. Este frio que me traz nostalgias de infância. Me lembrei de quando era criança, e chegava no fim de tarde como agora, às 18h...o crepúsculo vinha com força, a luz ia embora depressa, deixando o céu com tons alaranjados mesclados ao intenso azul marinho. Lembro do cheiro de sol nos cobertores que a mãe tinha colocado na sacada pra arejar, e que então recolhíamos para não ficarem úmidos com o sereno. Lembro de abrir a janela e sentir esse mesmo vento frio cortante no rosto, mesclado a um cheiro de lenha, o cheiro que aprendi a associar com muita força aos dias mais frios do ano. Era hora de fechar a casa pra não entrar o frio lá de fora, recolher tudo que tínhamos colocado ao sol fraquinho. Era um recolhimento também de alma. Nos recolhíamos todos, acendíamos o fogão a lenha e a família ficava ao redor, se esquentando. Nostalgias de infância, nostalgias do inverno - essa estação que aprendi a odiar com tanta intensidade nos anos posteriores a isso, mas que agora me causa uma saudade imensa - uma saudade que a quarentena não permite apaziguar. Pelo menos naquela época, os pés estavam sempre frios, o banho era só morno, o cobertor era um pesadíssimo acolchoado de lã, mas estávamos todos juntos ao redor do fogão a lenha, sem medo de nenhum vírus. Posso continuar não gostando do inverno mas, sinceramente? Acho que não saberia viver sem ele, sem este recolhimento de alma. Só torço para que, nos próximos anos, o recolher do espírito venha com o estarmos juntos! - Sabrina Didoné, 31 anos.

 

A HORA SEMPRE É AGORA (Apesar do que dizem os ponteiros!)

Olhou pro seu relógio de pulso antigo. No aro dourado e desgastado, ao invés do número seis, a letra S. Lembrou do nome dele. E seu pensamento rodopiou numa retrospectiva veloz, despencando ladeira abaixo. Parou no exato momento em que se despediram, tempos atrás. E entendeu que quando se perde o Norte, o Sul naufraga também.

Nunca quis ter alguém como bússola norteadora, mas talvez essa fosse uma das facetas do amor. Amor? Sim, amor. Porque já entendera que o amor podia vir de várias formas, intensidades e durações. Na adolescência, amou como nunca o colega que ocupava todo o espaço romântico de sonhos e desejos. Ele se chamava Âmbar: e tinha um cheiro doce e uma pele quente. Quando deixou de amá-lo, pelos dezessete, deixara também pra trás a ideia de que o amor é flecha única e com destino certo. Entendeu que o sentimento se transforma, se ressignifica… e que essa ideia de amor único era mais uma das tantas roupas apertadas que por tanto tempo fez uso (esses pesos e apertos que só geram desconforto, que as luzes da vitrine não compensam a falta de ar do zíper que sufoca!).

Naquele instante os ponteiros se tocaram mais uma vez, tal qual o badalo dos sinos ao alto: meia-noite, seis e meia, meio-dia, seis e meia… Seis meses foram suficientes para eles. Qualquer possibilidade de encontro é mágica. Um ponteiro alcançava o outro como se numa eterna busca. E cada vez que se sobrepunham, lembrava o calor da pele de Sinval. Ele chegava manso, pé ante pé, como se contando os segundos para colocar seu braço na mesma manga do casaco… num colorido onde os sonhos de ambos ficavam entrelaçados – tramados na mesma linha do tear de pente liço herdado da avó. Desde sempre, naquela família, os amores ardentes eram tecidos assim: inesquecíveis! Viveram dias de verão, com o colorido do amor. Pareciam dias de férias, onde tudo pode, onde não há rotina. Onde o único planejamento é viver. Cada fugaz encontro deixara o momento impregnado em sua memória.

O tempo traz a mudança das estações. O intenso calor deu espaço para a queda das folhas esmaecidas. O sorriso amarelou. O gélido inverno trouxe a ainda mais fria despedida.

Agora, sentada no alto de toda aquela saudade, tentava tecer palavras dentro de seu corpo que parecia seco de desamor. A falta de norte faz com que a imagem no espelho se transfigure, perca a nitidez. Por muito tempo acreditou que Sinval levara consigo seus sonhos mais doces, seu baú de linhas coloridas… Decidiu fazer um trabalho delicado, como uma escritora-cirurgiã: procurando algo, dentro dela, que lhe relembrasse que estava viva, que pulsava. Tentou ir ao passado, vasculhando fotos e álbuns e caixas de recordações da memória pra ver se despertava algo dentro dela, mas nada… Ainda nada. Sentia-se seca. Como se seu interior romântico fosse oco.

Lembrou mais uma vez da despedida: na metade daquele último beijo, ela já estava sozinha. Os lábios dele ainda estavam lá, enquanto seu coração já estava longe. Despedida é a sensação de alguém tocar a campainha e correr pra porta dos fundos: a única certeza é de ter escutado algo. Fica a rua deserta, o espaço sem vida. Não tinha ninguém mais lá.

Desde então, não conseguira esquecer de quando ele saíra pela porta da frente: rápido e doído, movido pelo fim que tiveram. Lembrou de que naquele dia, ela ficou ali, como na cena de um filme, atrás da porta, olhando pro relógio. Era seis e meia. Ficou desejando poder alterar o correr das horas. Ao mesmo tempo que os dedos dela mexiam os ponteiros – adulterando o tempo – a realidade pudesse acompanhar o movimento: trazendo-o de volta, para que ele lentamente tirasse o casaco e ficasse. O tempo não voltou, e ainda sentia os lábios dele nos seus: às vezes delicados, macios, outras agressivos, penetrantes, intensos… Sempre ouvira que o tempo não volta, voa; e que precisava seguir o ritmo do relógio, indo em frente – na liberdade natural da passagem das horas. Queria e não queria essa liberdade, porque alforriar seu pensamento daquele encontro dos ponteiros, quatro vezes por dia, seria como deixar Sinval sem vida. Nunca mais saberia nada sobre ele, mas sempre iria querer saber, qualquer coisa… mesmo que tivesse nas mãos apenas o negativo da fotografia, sem nunca mais poder revelá-la.

Agora, às seis e meia, em algum lugar do mundo, talvez ele também, como ela, se perguntava porque não conseguiram manter os ponteiros no ritmo do encontro, mesmo quando distantes. Colocou o casaco sobre o vestido colorido que tanto a embelezava, suas cores combinavam com a primavera que se anunciava. Olhou o relógio e saiu.

Encontrou André.

Texto escrito a quatro mãos por - Aline Zilli, Daiane Sachet,Denise Casara e Flávia Bernardi. Sentadas juntas, aprenderam que romance é o gênero literário mais longo da nossa língua. Separadas pelo inevitável – mas ainda juntas – descobriram que os romances tornam-se eternos quando as mãos criativas se unem e, interpostas, tecem segredos, dando vazão aos sentimentos… Compreenderam que romance é, na verdade, a mágica da escrita!

 

 

NUM INSTANTE

"Há um sentir no silêncio povoado pela melodia de um pássaro e não mais um porque são dois e no mais ouvem-se três e mais outros e outros de lá longe e um tanto de muitas cigarras machos que cantam para acasalar com fêmeas silenciosas no dia de domingo de pandemia sendo mês de abril onde dentro de casa o outono desnuda o humano de si ou veste-se dentro de alguém por estarem com corpos afastados um do outro mas é só no silenciar-se que se ouve outros insetos que cantam sons conhecido da infância que nem sabia o nome dos bichos porque esqueceu de lembrar e agora sente urgência na vontade de possuir um nome para dizer que ouvia essa ave que tem canto bonito no meio de tanta natureza que se sobressai até de latido do cão vizinho e lentamente espia na janela captando o segundo da folha que se solta da árvore e cai  sem repousar na terra porque no movimento invisível que a toma para dançar de roda igual fazia criança  com bambolê na cintura e no instante depois folha-criança se deita no paralelepípedo emoldurado de erva daninha que cresce liberta na rua vazia de pessoas e carros raivosos como estão livres as calçadas e a beirada do prédio tomando ornamento com o verde da vida aquecida pelo sol que também beija meu corpo por agora estendido em uma fração do quarto como sempre faz ao amanhecer nos dias sem nuvens formando réstias brilhantes dando de ver os pelos que dançam soltos no ar despidos da gata estendida dorminhoca feito preguiça com olhinhos fechados em sonhos de fazer inveja para prisioneira do vírus que se observa cos’pelos  crescidos nas pernas esticadas feita agora quase felina com seus cabelos crescidos na cor de sua natureza enterrados debaixo do ruivo artificial dito bonito para as coisas que o mercado vende e sente alguma coisa de essência crescer observando suas unhas sem cor mostrarem os dedos que seguram um lápis que solta grafite no papel antes branco que se desenha em palavras soltas do que vê e do que sente no instante mágico da presença divina de ser um alguém racional conectado com o tudo de dentro que abraça uma saudade da ausência de alguém que conhecera ontem - Jaque Pivotto – POETA

 

A MINHA MAIOR TRISTEZA NA PANDEMIA

Escrever sobre tristeza em meio à pandemia não é difícil, basta ver as notícias diárias. A apreensão, a agonia, o não saber o de amanhã. Ficamos mais sensíveis, vimos comboios de caminhões carregando caixões na Itália, vimos o Papa rezando sozinho e, mesmo quem não é católico ficou emocionado.

Ficamos sensibilizados e dentro de nós uma esperança de que estávamos à frente, que aqui seria diferente, porque estaríamos aprendendo com a Itália. Como descendente de italianos, muitos de nós ficamos ainda mais sensibilizados, ainda temos parentes lá, amigos, lugares que visitamos, vínculos afetivos e ancestrais. Parte de nós estava morrendo. Ficamos tristes.

Durante a quarentena fomos bombardeados de informações, algumas sérias, muitas falsas. Graças ao meu modo de vida sou de uma minoria de pessoas que tem acesso à informação de diversas fontes, uma pessoa privilegiada em tempos de fakenews e terraplanismo. Achei que o meu maior desafio na quarentena seria conseguir a adaptação ao sistema de ensinar alunos à distância, a manter amizades com posicionamentos políticos extremistas sejam de esquerda ou direita, a manter a ansiedade controlada em relação aos rumos da economia e seus impactos e principalmente o mais desafiador: o medo que eu sentia da morte e que nunca senti antes.

Esse medo da morte eu posso traduzir como um luto antecipado que começava a surgir a cada notícia de morte pelo COVID-19, a cada perda de pessoas do mundo científico, artístico, desde o início da pandemia. Eu nunca tive esse medo. Sempre achei a morte natural. Mas a morte na pandemia ganhou outro sentido, era como se todos nós estivéssemos sendo roubados. Não era a morte natural. Seria o tal arrebatamento que falam algumas religiões?

Achei que lidar com esse medo fosse meu maior aprendizado. Mas não foi.

VÍNCULOS DE VIDA: ESTAR VIVO É VIVER

Eu adoeci. Até hoje não sei se não tive a COVID-19 porque foi bem no começo, mas após isso tive uma série de problemas e febres e comorbidades que necessitaram de exames, antibióticos, cortisona e outros. Estou bem, mas fiz exames e estou com baixa imunidade. Nesse período refleti muito sobre a importância do nosso SUS, uma ideia “socialista” no nosso sistema “capitalista” muito necessária e que não podemos perder, porque as pessoas pobres precisam que a saúde seja uma obrigação do Estado. Refleti também sobre os vínculos.

Trabalhando em modo domiciliar auxiliando a rede de atendimento de minha cidade, compreendi que o mais importante da quarentena é a manutenção da vida, de modo amplo. Mas o que eu quero dizer com isso? A vida é mais que o corpo. É o viver. A necessidade de mantermos os vínculos. São os alunos que sentem falta dos colegas e chamam a gente no Whatsapp. Grupos e grupos são criados para interagirmos porque senão ficamos tristes.

Nunca falei tanto e senti tanta falta de amigos como na quarentena. Nunca liguei tanto pro meu pai. Tantos assuntos. Uma “sangria desatada” de colocar as lembranças em dia, de cumprir promessas. E a preocupação com o grupo de risco, as comorbidades: setenta anos, diabético e hipertenso sob controle,  ferramenteiro aposentado que ainda trabalha em uma metalúrgica e no fim de semana vai pra chácara cuidar do parreiral. Meu pai é mais vivo que eu.

ESTAR DOENTE NÃO É LICENÇA PARA MORRER

E então em meio a isso tudo as pessoas continuam morrendo. E enquanto colocamos as máscaras de proteção, as máscaras de aparência vão caindo uma a uma. Meu maior aprendizado sobre a quarentena foi perceber que em situação de caos nós agimos exatamente como nos filmes de apocalipse. Nós somos tomados pelo egoísmo. As pessoas enchem as páginas de redes sociais com frases de feito, memes, adotaram a palavra empatia, mas não conseguem se colocar no lugar do outro. Falam do perigo de um regime fascista. O que eu aprendi na quarentena? Não existe perigo de regime fascista. O fascismo está dentro de cada um que está lendo isso e concorda que uma pessoa que tem comorbidades e morrer pela COVID-19 é natural. Que uma pessoa ter mais de sessenta anos e morrer pela COVID-19 é natural. Um pensamento eugenista que crê que se a pessoa está doente ela deve morrer a qualquer momento, pois contrair COVID-19 e morrer só será uma anomalia numa pessoa saudável e mesmo assim, vão procurar algo para justificar sua morte e dizer que ela era de um grupo de risco como imunidade baixa por exemplo.

Esse desprezo pela vida humana é tão chocante porque não é exceção. Você que está aí lendo, vá até uma notícia sobre mortes por COVID-19 e veja os comentários. Quantas pessoas comentam e quantas pessoas no seu círculo de amizades fazem esses comentários?

Pensem em alguém que vocês conheçam que tomam seu remedinho controlado e vivem suas vidas e suas histórias, seus vínculos? Eles podem morrer de COVID-19 que está correto?

Vimos vídeos de socialite afirmando que as pessoas grupos de risco deveriam ficar marcadas em casa com uma fita vermelha, vimos pessoas jogando água gelada em idosa fazendo caminhada na calçada porque ela era grupo de risco e deveria ficar em casa, ouvimos diariamente que é “só deixar os velhos em casa”, que “velhos estão nas ruas pra quê?”

São tantos discursos discriminatórios, eugenistas que senti que não existe solução e a tristeza toma conta de mim.

O que eu aprendi nessa pandemia foi que eu preciso sim continuar na minha profissão e cuidar das crianças porque elas serão uma geração melhor que a nossa porque eu entendi perfeitamente o que o Flavio Migliaccio sentiu. Cuidem das crianças.

Ândrea Vanin - 45 anos - Mãe, professora e ex-conselheira Tutelar.

 

A CRISE EXISTENCIAL HUMANA E AS NOVAS PERSPECTIVAS DE VIDA A PARTIR DA PANDEMIA DO COVID-19.

Atualmente, é fácil verificar que vivemos numa crise sem igual na história da humanidade, pois a espécie humana corre o risco iminente de autodestruição. Mais do que isso: a própria vida encontra-se ameaçada em nosso Planeta.

Nossa civilização tecnológica está sucumbindo. A alta tecnologia vinculada a um modo de vida dito “moderno”, cada vez mais pragmático, estereotipado e menos humano, está mostrando à humanidade o grande engano deste modelo de desenvolvimento. Este modelo falhou em pôr nos meios de produção a chave para a felicidade do homem. Nos dias de hoje, isso tudo tem separado cada vez mais o homem do homem, o homem da natureza e o homem de si mesmo.

A grande miséria a nossa volta mostra-nos, claramente, que a promessa de felicidade através das aplicações tecnológicas demonstrou ser um grande engodo e um enorme equívoco.

O capitalismo cientificista e sua promessa de felicidade técnica acabaram por se transformar num enorme pesadelo. Por um lado, ocorre a falta de alimentos e de conforto material nos países de Terceiro Mundo; por outro, acontecem os distúrbios psicológicos e emocionais nos países do chamado Primeiro Mundo. A solidão, o descaso, a falta de afeto e de um sentido maior para a vida, consequência de uma visão mecanicista e tecnocrata, voltada para as aparências, competitividade e individualismo, estão gerando, nesses povos, um profundo tédio e infelicidade.

O pensamento neste modelo de desenvolvimento é que tudo é separado de tudo, o que inclui as pessoas, as sociedades e as culturas, esquecendo as características específicas de cada grupo ou conjunto, de uma forma mais complexa e organizada. Continuar aceitando esse modelo é acabar com a esperança de uma nova alma, de um novo espírito para a humanidade.

A mudança desse modelo de desenvolvimento da humanidade depende de uma consciência coletiva. Essa mudança virá quando todos nós aprendermos a cantar a mesma canção, e é justamente isso que começamos a aprender com a pandemia do COVID – 19.

É preciso ter uma visão holística que abranja uniformidade e dualismo e que transcenda ambos através do amor e do conhecimento. Essa visão recomenda não separar o que a vida une constantemente e não misturar o que a vida diferencia constantemente. Ela não separa os seres humanos do ambiente natural. Ela vê o mundo não como um agrupamento de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão interconectados e são interdependentes.

Nós podemos trabalhar por um mundo melhor no plano material em prol do desenvolvimento sustentável, do equilíbrio ecológico ou contra a fome, a miséria, a opressão, desde que aprofundemos nossas raízes espirituais, tornando-nos pessoas mais calmas, equilibradas e em harmonia com o Universo.

Essa maneira de compreender os fatos propõe uma imagem do ser humano não egocêntrica e nem antropocêntrica, em que o bem-estar do mesmo depende do bem-estar da Terra e de todas as criaturas vivas.

A visão holística tem uma percepção espiritual, onde o espírito humano é entendido como o modo de consciência no qual o indivíduo se sente conectado com o cosmos como um todo.

Baseados nisso, podemos imaginar que a melhor maneira de fazermos algo pela humanidade é criarmos um estado de consciência, em que cada um passe a fazer a sua parte em prol do bem-estar de um todo.

Ao longo da história, dividiu-se o mundo em Oriente e Ocidente. Um Oriente religioso e um Ocidente tecnológico. É hora de termos um mundo único, unido, no qual o Ocidente possa satisfazer as necessidades do Oriente com suas tecnologias científicas e o Oriente possa satisfazer as necessidades do Ocidente com suas tecnologias religiosas.

O tempo das nações e das divisões já se foi. Precisamos nos mover em direção a um mundo novo, uma nova era para a humanidade, uma única humanidade. Pela primeira vez seremos capazes de criar o paraíso aqui neste Planeta e a decisão será exclusivamente nossa.

Para que isso aconteça, devemos revitalizar nossas características humanas e dar ênfase à sagrada chama da vida.

Neste Universo de coisas, estamos apenas de passagem. Se trabalharmos coletivamente poderemos provocar uma mudança extraordinária no mundo, elevando a consciência espiritual e com isso promover a cura do eu, de nós e do mundo.

Pensar dessa maneira, significa uma evolução do espírito humano, no sentido de compreender e desejar, sinceramente, que eu cuide de você, que você cuide de mim e que nós cuidemos da vida que nos cerca. Significa dizer que nós somos responsáveis uns pelos outros e que todos são responsáveis pelo mundo em que vivemos.

Por fim, significa entender que, finalmente, o homem não se considera mais dono da teia da vida, mas sim um filamento integrante da mesma e que, todas as formas de vida, desde uma microalga até uma baleia azul, serão como notas musicais que, agrupadas, farão parte da grande canção da vida.

Quando entoarmos essa nova canção, por certo até os anjos se encantarão e terá, então, o início do surgimento de uma nova humanidade, onde os princípios de respeito, paz, amor e fraternidade poderão ser uma constante em cada nascer do sol.

Volnei Flávio Soldatelli

 

Vera Mari Damian é jornalista e ambientalista.

 

 

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