Bem-vindo ao Nosso Bem Estar!
Para acessar toda positividade de nosso conteúdo, escolha o portal mais próximo a você.

Bem-estar

21/04/2020 08h00

Estamos isolados?

O coronavírus veio esfregar na nossa cara a bancarrota de um sistema que nos afasta: a superação é perceber que somos interdependentes.

Por Nanda Barreto

Nosso Bem Estar
Dayne topkin nvdbeyaelmm unsplash

Estamos isolados?

Escrevo este texto nos últimos dias de março de um mundo pandêmico. Um vírus ainda sem cura perambula veloz entre a gente. Milhares já morreram e o melhor que podemos fazer para salvaguardar a saúde coletiva é evitar o convívio. Mas estamos mesmo isolados?

Quem tem a opção de ficar em casa, deve se resguardar ao máximo. As saídas devem ser apenas essenciais. Já não podemos abraçar quem amamos. Nem apertar a mão. Nem beijar. Mas, ufa, OLHAR ainda podemos. Por isso, nas poucas saídas das últimas semanas, tenho feito este exercício.

E convido vocês a fazerem também: vamos sustentar mais olhares nos momentos de rua? Olhar nos olhos do transeunte, da caixa no supermercado, da moça da farmácia, da pessoa que vive em situação de rua. Por favor, não vamos mais fingir que não vemos.

Quem sabe assim a gente percebe que o OUTRO não é TÃO desconhecido... Que somos interdependentes em todos os sentidos. Sabe, eu queria que fosse de outra forma, mas quem sabe assim a gente aprende? O coronavírus veio esfregar na nossa cara a bancarrota do sistema capitalista. Não é apenas uma doença. É todo um sistema colocado em xeque.

Se a economia que criamos coloca nossas vidas em risco, precisamos mudar a economia. Não sei como será daqui pra frente, mas parece que as coisas tendem a piorar antes de melhorar. Espero sinceramente que nada volte a ser como antes. Que honremos todas estas perdas renovando nossas formas de organização social.

O que urge agora é ressuscitar a solidariedade no seu sentido mais profundo. Fazer esta ficha cair é fundamental: cuidar de si e dos outros não é apenas um ato de bondade no Natal. É uma questão de sobrevivência - hoje e sempre. Me diga: de que adianta o acúmulo numa hora destas? Nos abracemos ao essencial.

É hora de olhar pra dentro, sim. Mas também de estabelecer redes de apoio afetivo e financeiro. Doar o que pudermos: tempo, dinheiro, álcool gel, alimentos, sabão, roupas. Estamos todos na mira deste inimigo invisível. E ele não teme forças bélicas. De nada adianta fazer uma arminha com a mão.

Portanto, é tempo também de refletir sobre nossas escolhas políticas. E pressionar o poder público. Quando superarmos este momento que coletivamente desponta como o mais exigente das nossas vidas, que a nossa vontade de viver nos dê forças para transformar as estruturas, criando horizontes mais saudáveis.

Ironicamente, o isolamento social está nos forçando a perceber que a nossa conexão enquanto humanos desconhece fronteiras. Até lá, seguimos distantes, mas unidos: ninguém desvia o olhar de ninguém. Todo mundo é importante. E ninguém pode ser deixado para trás.

Nanda Barreto é jornalista, instrutora de yoga, feminista y otras cositas más! Nas redes sociais é @transitivaedireta. Na vida real é poeta.

 

 

X