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Crescimento pessoal

24/03/2020 10h00

Reflexão em meio a crise

A Pandemia, a obediência às recomendações das autoridades no assunto e o nível do nosso ego

Por Dr. Mauro Kwitko

Pixabay
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Reflexão em meio a crise

Quando estamos em fases da calmaria, em nós, adultos, o nível do nosso ego (infantil, adolescente ou adulto) não interfere demasiadamente na vida pessoal e na vida das outras pessoas, mas em épocas de crise, como a que estamos vivendo atualmente, isso reflete-se, muitas vezes, de forma dramática em relação a nós mesmos e em relação a outras pessoas.

Vamos abordar, aqui, o raciocínio simplificado de que todos nós, adultos, temos uma predominância de um certo nível de ego, e isso independe da nossa idade. Alguns adultos apresentam características ainda infantis como se tivessem permanecido em sua infância até hoje, outros apresentam características ainda adolescentes e outros apresentam características realmente adultas, compatíveis com sua faixa etária.

Os adultos que ainda estão fixados em sua infância e, portanto, apresentam características infantis, costumam levar as coisas meio na brincadeira, a vida é parecida com um recreio, com uma festa, o importante é divertir-se, ser feliz, não se sentem responsáveis por outras pessoas ou circunstâncias da vida, o divertir-se é o mais importante para eles. Evidentemente, os adultos ainda infantis, em algumas situações ou circunstâncias da vida externam características adultas, afinal de contas são adultos, mas em outras parecem realmente crianças.

Os adultos que ainda estão fixados em sua adolescência, muitas vezes externam rebeldias, atitudes opositoras, irreverências, que chocam os demais, afinal de contas, eles são adultos, por que agem assim? São adultos na idade mas emocionalmente ainda estão lá na sua adolescência. Em contraponto, todos conhecemos adolescentes na idade que são mais maduros, mais conscientes, mais responsáveis, do que alguns adultos; podemos chamá-los de adolescentes de ego adulto. Mas, aqui, estamos falando é dos adultos de ego adolescente, e esses são o oposto.

 Já um adulto de ego adulto é uma pessoa que leva a vida a sério, o que não significa ser serioso, sente que tem um compromisso com sua família, com sua comunidade, com seu país e outros países, sente-se parte de uma grande família, a Família Humana. Sentem em seu íntimo que a desigualdade social é algo seríssimo, que a fome é algo trágico, que a miséria é uma vergonha para todos, que as doenças causam dor, sofrimento, morte, que o racismo é algo totalmente absurdo, e que uma pandemia... (e aqui chegamos ao tema do artigo) é algo que devemos lidar de uma maneira adulta.

Ser um adulto de ego adulto não significa levar tudo a sério, de uma maneira pesada, o tempo todo, isso cria couraças, cria uma rigidez, como uma armadura da qual dificilmente consegue se libertar. Significa entender que tem hora para tudo na vida: momentos para ser alegre e feliz como uma criança, momentos para ser idealista, futurista, revolucionário (no bom sentido), meio irreverente e sonhador, e momentos para ser... adulto!

Nesse momento que estamos vivendo, a hora é os adultos externarem o seu ego adulto, não é hora de infantilidades ou adolescentites. Um vírus veio nos ensinar o que ainda não aprendemos até hoje, veio nos tirar da zona de conforto (ou de desconforto, conforme o caso), veio nos mostrar o egoísmo e o egocentrismo exaltado pela tal de modernidade, veio nos lembrar que somos irmãos, que nesse barco não tem rico, não tem pobre, somos todos iguais, todos frágeis criaturas em busca da sobrevivência.

O que precisamos é que os timoneiros desse barco sejam adultos de ego adulto, que nos mostrem a realidade, que nos digam o que devemos fazer, o que devemos evitar, que nos conscientizem da gravidade do momento, ao mesmo tempo em que nos transmitam fé e esperança aliado à responsabilidade conosco e com os demais ocupantes do barco. Precisamos de timoneiros capacitados que nos levem com seu conhecimento à margem segura desse rio de águas turbulentas onde estamos navegando atualmente, que nos mostrem que sabem o que estão fazendo e nos transmitam a sua autoridade (não o seu autoritarismo), para que nos sintamos seguros ao obedecê-los, seguir as suas determinações, entendendo que eles estudaram, dedicaram-se e conhecem o rumo de nossa salvação.

Dr. Mauro Kwitko é Médico psicoterapeuta

 

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