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Família

11/03/2020 08h00

Mulher é força, luta e resistência!

Nas ruas, nas redes e entre quatro paredes: aproveite o mês de março para aprender com os feminismos

Por Nanda Barreto

Nosso Bem Estar
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Mulher é força, luta e resistência!

A cada dois minutos, uma mulher é vítima de violência no Brasil. Em 2019, foram registrados mais de 1300 casos de feminicídio no país. As notícias deste início de ano dão conta de uma realidade revoltante: são abusos sexuais, assédio no trabalho, espancamentos, facadas, tiro a queima-roupa. O que todos os casos têm em comum? O criminoso é homem e - na grande maioria dos casos trata-se do próprio companheiro, um familiar ou alguém próximo. 

Um estudo divulgado pela Ong britânica Oxfam em janeiro de 2020 mostra que a economia sexista é vetor da desigualdade mundial. Significa: as mulheres trabalham mais, estudam mais e ganham menos. O cuidado e o trabalho doméstico continuam a nosso cargo. Pelas contas da Ong, se fosse remunerado, esse trabalho agregaria pelo menos US$ 10,8 trilhões por ano à economia mundial. 

O saldo deste "voluntariado" exercido pelas mulheres é óbvio: se não houver quem cuide, jamais haverá quem cresça e floresça. Infelizmente, não encontramos pares entre os provedores: só no nosso país, mais 5,5 milhões de crianças não têm o nome do pai na certidão de nascimento. 

Todos estes dados são alarmantes, não é? Mas o que mais choca é a passividade dos homens diante de tanta injustiça. Incapazes de sair de seus lugares de privilégio nesta lógica que nos massacra, os homens permanecem de braços cruzados, confortavelmente sentados no topo da cadeia alimentar mundial. Mesmo os que se mexem um pouquinho neste trono, o fazem esperando biscoitos de recompensa. 

A vocês, meus caros contemporâneos, que já despertaram minimamente para as bandeiras que as diversas vertentes do feminismo levantam há décadas, só tenho uma coisa a dizer: enquanto a luta pela igualdade jurídica, econômica e social de gêneros não for uma causa NOSSA, vocês continuarão defasados e apequenados no retrovisor história. 

A lógica machista patriarcal nos fere a todas e todos. É doloroso enfrentar construções socioculturais tão arraigadas. É imprescindível quebrar paradigmas, superar preconceitos, sair da zona de conforto, encarar falhas, estender a mão pro novo e colocar-se em movimento. Mas se não estivermos neste mundo para aprender, desconstruir e reconstruir, teremos feito uma passagem em vão. 

Então, amados, vocês que lutem! Venham lado a lado com a gente e em primeiro lugar: apenas escutem! Aproveitem este março das mulheres para aprender: abram mão do lugar de fala, coloquem o dedo na consciência, ouçam as demandas das mulheres, só postem foto de paizão nas redes sociais se estiverem com a presença e a pensão alimentícia em dia e - CLARO - antes de bancarem o boy magia, confiram se não tem uma loucinha dando sopa na pia. 

 

Nanda Barreto é jornalista, instrutora de yoga, feminista y otras cositas más! Nas redes sociais, é @transitivaedireta. Na vida real, é poeta. 

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