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Planeta

05/03/2020 08h00

Felicidade Interna Bruta

Entenda este interessantíssimo conceito proposto inicialmente pelo Butão

Por Cintia Korte Mentz e Simone Merckel Dinnebier

Nosso Bem Estar
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Felicidade Interna Bruta

A ciência da felicidade é transdisciplinar, ou seja, conta com várias disciplinas que trabalham juntas: filosofia, psicologia positiva, neurociência e economia. No campo da filosofia, os gregos foram os primeiros a escrever sobre a felicidade. Tales de Mileto, Sócrates e Platão abordavam a felicidade relacionando-a com o cuidado do corpo, da mente e da alma, respectivamente. Frédéric Lenoir, um filósofo contemporâneo, diferencia a felicidade, o prazer e a alegria, destacando que a felicidade é interna e influenciada pela sabedoria.

Em 2000, surge então a Psicologia Positiva, fundada por Martin Seligman, que define a felicidade como a experiência do contentamento e bem-estar, combinada à sensação de sentido na vida. No enfoque da Neurociência, nosso funcionamento cerebral já mostra um viés mais reativo, quase sempre ressaltando o lado negativo das coisas. Pela capacidade da chamada neuroplasticidade, o indivíduo, no entanto, pode treinar a habilidade da leitura mais positiva da vida. Os especialistas deste campo da ciência, já atestaram que o bem estar humano pode ser elevado com o desenvolvimento de habilidades como: resiliência, “savouring” (capacidade de perceber e saborear emoções positivas), atenção plena e generosidade.

Quanto aos aspectos econômicos, são sintomas da atual crise, as três grandes rupturas citadas pelo Massachusetts Institute of Technology: a questão ambiental, social e espiritual. As causas dessas rupturas, segundo os pesquisadores do MIT, são o crescimento ilimitado, falta de coordenação sistêmica, foco na propriedade, consumismo, crise de liderança, bolha tecnológica, concentração de renda e especulação financeira. Como solução proposta, precisamos de uma nova compreensão de que os recursos da terra são finitos, buscar trabalhar com uma economia real, que atenda às necessidades básicas de todos, procurando soluções sustentáveis com cogestão, cooperação e corresponsabilidade. No quesito sustentabilidade, precisamos repensar nossa forma de relacionamento com a natureza, com os animais, com a alimentação, e com o meio ambiente na sua integralidade.

No estudo da Psicologia Positiva, seu propositor Martin Seligman, traz o modelo PERMA, onde relaciona o bem estar subjetivo à cinco pilares: a presença de mais emoções positivas do que negativas, o exercício de atividades que proporcionam engajamento ou “flow”, a existência de relações nutritivas, a presença de um propósito e as realizações de vida. O estado de “flow”, ou deixar fluir, é fundamental para a compreensão da felicidade, pois se refere ao estado no qual a pessoa está tão envolvida numa atividade que nada mais parece existir, sendo muito agradável que o indivíduo em questão continuará a exercê-la mesmo que envolva sacrifícios, pela simples realização de fazê-la.

No sentido de mudança de paradigma de desenvolvimento sócio econômico, vamos trazer o índice FIB (Felicidade Interna Bruta), proposto inicialmente pelo Butão, englobando filosofia, modelo de gestão e índice. Ele foi proposto pela ONU para substituição do PIB (Produto Interno Bruto) na mensuração da riqueza e desenvolvimento de um país. O FIB leva em conta o desenvolvimento econômico sustentável, a preservação do meio ambiente, a preservação e promoção da cultura e a boa governança.

O primeiro relatório da felicidade mundial (World Happiness Report) foi publicado pela ONU em 2012, em sua última edição, em 2019, registrou aumento de emoções negativas no mundo e a desigualdade na felicidade mundial. O Global Policy Report é um relatório de políticas públicas para a felicidade financiado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos e, na edição de 2019, sugeriu intervenções públicas para a felicidade, entre elas enfrentar a depressão e incentivar a educação positiva, defendendo a transparência das empresas na relação com o trabalhador. Lembramos que o índice FIB não mede a Felicidade, mas as condições para que ela aconteça, indicando as vulnerabilidades do sistema e possíveis caminhos de solução.

 Em contraposição ao PIB, o FIB vai medir aquilo que faz a vida valer a pena. Nosso desejo e esperança de um mundo melhor é alimentado por um movimento global em andamento, ainda não estruturado, com inúmeras iniciativas em diferentes países, como, por exemplo, na busca de indicadores para substituir o PIB, cursos de felicidade nas grandes universidades dos Estados Unidos e empresas que criam uma cultura de felicidade dentro da organização.

*Especialistas Certificadas no Método FIB – Felicidade Interna Bruta, pelo Instituto Feliciência de Brasília.

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