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Bem-estar

07/11/2019 08h00

Banalizar o bom

E se - só desta vez - não precisássemos usar uma roupa nova nem virar o ano com cinco parcelas sem juros no cartão?

Por Nanda Barreto

Nosso Bem Estar
Td nov amy shamblen bv8ka je0cs unsplash

Banalizar o bom

Eu não compareci a minha formatura no prezinho. O bolo do meu aniversário de 15 anos não teve nada de diferente. Quando terminei a faculdade, na noite da colação de grau, em vez de usar toga, fui ao cinema. Embora tenha passado os últimos natais em família, vários anos troquei a tradicional ceia por viagens solitárias a lugares onde jamais houve renas, trenós ou liquidações.

Há quem diga que sou chata, antissocial, do contra. Mas o fato é que nenhuma solenidade me diverte e realmente não me sinto motivada ao ponto de comemorar datas destacadas no calendário. O dia dos namorados, por exemplo, acho meio brega - muito pelo consumismo exacerbado que sugere. Comigo não cola: prefiro as datas íntimas, carregadas de significados pessoais.

Digamos que sou menos pompa e mais circunstância. Gosto é dos rituais cotidianos. Do batuque dos corações. De fazer uma saudação à vida em plena mesmice de segunda-feira. Reunir toda a família para almoçar arroz e feijão numa quarta qualquer. Ou ler alguma coisa legal e anotar para dar de presente a uma amizade.

Assim como nunca espero um momento apropriado para dizer eu te amo nem guardo roupas para vestir em ocasiões especiais, quero festejar páscoas e colar grau todos os dias. Pular carnaval na sala em pleno  novembro (se alguém quiser, tenho uma playlist só para isso). Postar um cartão não-natalino em abril. Ou apenas me sentir à vontade para viver minha melancolia momentânea mesmo que seja dia de festa ou o mais importante feriado nacional.

O que eu estou falando é de desmistificar os dias santos. Valorizar nossas datas queridas e celebrar a vida como der na telha. Virar o ano quando for aniversário, servir a melhor bebida sem razão aparente e banalizar os momentos importantes. Ou simplesmente reverenciar uma coisa boa a cada dia.

Escrevo isso porque dezembro está ali na próxima esquina: é o mês das "boas festas!". Então, queria propor a vocês: e se dedicássemos um tempo para preparar as lembrancinhas que fazemos questão de oferecer a quem amamos? Digo, com as nossas próprias mãos e criatividade? E se - só desta vez - não precisássemos usar uma roupa nova nem virar o ano com cinco parcelas sem juros no cartão?

Quem sabe neste finalzinho de 2019 a gente possa experimentar viver a vida à vista - em todos os sentidos? Sem a pressão do crédito e com foco no que realmente importa. Olhos que se olham e se enxergam de verdade. Desconfio que o maior risco que corremos é descobrir que a simplicidade é o PRESENTE mais sincero de que somos capazes. É a vida acontecendo aqui e agora - sem convenções, restrições nem etiquetas. E isso merece um brinde!

Nanda Barreto é jornalista, poeta, feminista y otras cositas más!

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