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Saúde Integral

26/09/2019 08h00

Perigo a vista!

Por que o sarampo voltou a ser um risco no Brasil e no mundo?

Por Nosso Bem Estar

Pixabay
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Perigo a vista!

Quem tem um pouco mais de idade, deve se lembrar do perigo do sarampo para as crianças — até o início da década de 90, a doença era a segunda causa de mortalidade infantil no mundo.

Diante dessa situação, muitos governos assumiram o compromisso de controlar a doença com vacinas e campanhas de saúde. O Brasil, por exemplo, recebeu a certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) como país livre do sarampo em 2016.

No entanto, nos últimos anos, o número de casos voltou a crescer e o sarampo passou a se tornar um risco para a população de diversos países. De acordo com informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), os registros de sarampo tiveram um acréscimo de 300% em 2019 em todo o mundo, comparado ao mesmo período de 2018.

A queda na cobertura das vacinas é um dos motivos para isso. Hoje em dia, muitas famílias deixam de vacinar os seus filhos, o que pode se tornar um risco para a saúde deles e de outras pessoas. 

O aumento do sarampo no mundo

O crescimento da doença não é uma exclusividade do Brasil: muitos países enfrentam essa situação. Dados da OMS indicam que mais de 90 mil pessoas contraíram sarampo na Europa no primeiro semestre de 2019, já ao longo de todo o ano de 2018 foram contabilizadas mais de 80 mil infecções em 47 países do continente. A Ucrânia passa por um surto da doença com mais de 50 mil casos.

Os EUA tiveram mais de mil episódios de sarampo na primeira metade de 2019, sendo o maior surto da doença desde 1992. Nova York é um dos principais focos, mas ainda há risco em estados como Washington, Califórnia, Flórida, entre outros. O continente africano também apresenta uma alta taxa de incidência de sarampo. 

A volta do sarampo no Brasil 

O Brasil foi considerado como país livre do sarampo em 2016, por não ter registros da doença há mais de 12 meses. No entanto, o vírus continuava a circular em outras partes do mundo, deixando o território e a população não vacinada vulnerável à casos vindos de fora.

Com um aumento da doença nos países vizinhos, como a Venezuela que, diante de crises econômicas e sociais, diminuiu a vacinação da população, o vírus voltou a circular por aqui. Em 2018, o número de pessoas infectadas aumentou e o país teve um surto com mais de 10 mil casos, especialmente em Roraima, Amazonas e Pará.

Já no primeiro semestre de 2019, o Ministério da Saúde registrou sarampo em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, sendo que a capital paulista é o principal foco, com 900 episódios confirmados entre maio e agosto deste ano.

A principal causa do retorno da doença ao país é queda na cobertura vacinal. Como o sarampo é facilmente transmissível, podendo ocorrer a partir de tosse ou espirro, por exemplo, a OMS recomenda que 95% da população esteja imunizada para que o vírus não se espalhe.

Quando isso não acontece, as pessoas ficam vulneráveis caso tenham contato com o vírus durante viagens a outros países, ou com a chegada de estrangeiros no território.

A taxa de crianças vacinadas já atingiu 100% no passado, mas esse número vem caindo nos últimos anos. Um dos motivos para isso é o crescimento de um movimento antivacinas por parte de algumas famílias, que acreditam que a medicação não é necessária, ou que causa efeitos colaterais. Essas informações e crenças, sem bases científicas, fazem com que as crianças não sejam imunizadas, o que pode contribuir para o avanço da doença.

Além disso, o atendimento de saúde e as campanhas de vacinação deixam a desejar em algumas regiões, o que leva a uma resistência, ou esquecimento por parte dos pais, para manter a carteira de vacinação das crianças em dia.

Esse movimento de baixa vacinação aumenta os riscos para outras doenças. A imunização contra o sarampo é feita com a vacina tríplice viral, que ainda protege contra caxumba e rubéola, portanto, sem a vacinação correta, com as duas doses, o risco dessas enfermidades aumenta.

O retorno da poliomielite é outra preocupação do Ministério da Saúde, que registrou casos em 2018 após quase duas décadas sem ocorrências. De acordo com o órgão, mais de 300 cidades não vacinam nem metade das crianças com até 1 ano. A erradicação da pólio no Brasil cria uma falsa sensação de que o medicamento não é necessário, entretanto, o vírus continua em circulação em outros países, e pode retornar ao território brasileiro, assim como acontece atualmente com o sarampo.

Os perigos da doença

A volta do sarampo é motivo de grande preocupação. Além de ser altamente contagioso, visto que a transmissão acontece de pessoa para pessoa por meio de tosse e outras secreções, em casos graves pode causar sintomas irreversíveis, ou levar à morte.

A doença atinge adultos e crianças e, dependendo da gravidade, pode ocasionar sintomas como manchas pelo corpo, pneumonia, infecção de ouvido, febre e convulsões, encefalite aguda, lesão cerebral e óbito.

Como se proteger 

A melhor forma de se proteger é com a vacinação. A imunização contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação, e é oferecida gratuitamente pelo Sistema de Saúde. Crianças devem receber a primeira dose com 1 ano, e a segunda dose com 15 meses (esse reforço é importante para garantir a proteção completa). Quem recebeu apenas uma dose durante a infância e tem até 29 anos deve procurar um posto de saúde para completar o esquema vacinal.

Para controlar o avanço da doença, foram organizadas campanhas de vacinação voltadas para profissionais de saúde e pessoas entre os 15 e 29 anos que não foram vacinadas, não se lembram, ou perderam o cartão de vacinação. Além disso, diante do aumento dos casos em alguns estados, o Ministério da Saúde incluiu uma dose zero para bebês entre 6 meses e 1 ano.

Vale lembrar que a vacina é contraindicada para gestantes. Sendo assim, quem tem planos de engravidar deve tomá-la com antecedência e procurar manter a rotina de vacinação em dia para garantir a própria proteção e a do bebê. Pessoas entre 30 e 59 anos também podem se imunizar - nessa faixa etária é necessária apenas uma dose.

O sarampo é motivo de preocupação mundial e voltou a ser um risco no Brasil para adultos e crianças devido ao alto poder de contágio, à queda na imunização e à circulação de pessoas em diferentes países. Por isso, o desafio agora é controlar o avanço da doença e conscientizar a população sobre a importância da vacinação. 

 

Você já sabia dos perigos do sarampo e da importância da vacinação? Qual a sua opinião sobre o assunto? Escreva pra gente! 


 

 

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