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Crescimento pessoal

10/07/2019 08h00

O pulo da loba

"O pulo da gata (ou da loba) também está em compreender que as sombras são as sequestradoras das nossas belezas, dons e vocações. É preciso encará-las e vivê-las para resgatar outras versões mais luminosas de nós.”

Por Nanda Barreto

Pixabay
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O pulo da loba

Foi-se o tempo em que eu maldizia a minha TPM. De uns anos para cá, este momento do ciclo se transformou no verdadeiro pulo da gata para mim. Antes, eu vivia sintomas como emoções exacerbadas, explosões de raiva, tristezas, conflitos internos e desconfortos físicos como algo praticamente alheio.
Estas sensações vinham e eu me dizia: “Ah! Estou agindo desta forma porque eu estou na TPM”, como se isso fosse algo específico do período e não do meu SER. Também usava a tensão pré-menstrual como desculpa para minhas indelicadezas com os outros e hoje percebo o quanto isso também autorizava os outros a minimizar meus sentimentos: “Ah, ela tá na TPM”. (Grrrr)
Pois, atualmente, faço da TPM uma dádiva, um grande material de estudo. Sei que tudo que eu sinto nestes momentos são verdades profundas sobre mim. Se as emoções e desconfortos surgem de forma ampliada, e muitas vezes isso acontece, é um sintoma de que estavam bem reprimidas em algum lugar do meu inconsciente.
Claro que é um momento bem exigente, pois demanda abrir um espaço na agenda que na maior parte do tempo acreditamos não possuir, porque delegamos nossa vida ao sabor do mundo lá fora, né? Na medida do possível, é preciso se preparar para este compromisso, desmarcar o que não for urgente, não ceder tão facilmente ao ritmo e vontade dos outros, coisas simples assim…
Agora compreendo a TPM como um portal que se abre: uma possibilidade única de encontro com a minha sombra -  esta entidade tão temida, peluda, malcheirosa, dentes afiados, pretas unhas enormes, coluna envergada e cabelos sujos. São os meus demônios. As versões megera de mim que reprimi para ser bem aceita socialmente.
Então, eu aproveito essa fase para convidá-los  -  demônios, medos, megeras, animais peçonhentos  - a sentarem e tomar um chá de jasmim comigo na AMPLA sala do meu coração de MULHER. Nos confrontamos: é doloroso. Vê-los me traz mais consciência sobre o que NÃO anda bem na minha vida e esta consciência me obriga a assumir responsabilidades e colocar mudanças em marcha.
A consciência da sombra me CONVOCA atitudes. Tenho clareza de que se eu não assumir isso, serei assombrada pelo resto da vida. O pulo da gata (ou da loba) também está em compreender que as sombras são as SEQUESTRADORAS das nossas belezas, dons e vocações. É preciso encará-las e vivê-las para resgatar outras versões mais luminosas de nós.
É como se cada parte da gente que não toleramos, nossas vergonhas, misérias, aspectos que não queremos que ninguém veja, cobrasse um talento para ficar escondido no nosso porão. A TPM é uma oportunidade de ver isso com menos véus, com mais clareza e decidirmos o quanto estamos dispostas a esconder ou revelar de nós próprias.
Portanto, eu convido vocês, minhas irmãs, a experimentarem outros olhares sobre este período. Dêem ouvidos às insatisfações da TPM, recebam como DICAS de lugares que merecem ser iluminados, estudados, acolhidos. Não é loucura, não é insensatez, não é nada com ninguém: somos NÓS batendo à nossa porta pelo lado de dentro, com toda nossa maravilhosidade cíclica, sabedoria e intuição.

Nanda Barreto é jornalista, poeta, feminista y otras cositas más

face  /transitivaedireta

insta  @transitivaediret

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