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Crescimento pessoal

30/04/2019 08h00

O Ser terapeuta

O processo terapêutico efetivo deve tocar a emocionalidade do terapeuta, deixando que o conteúdo do paciente se relacione com o seu.

Por Sabrina Oliveira da Rocha

Pixabay
Terapeuta

O Ser terapeuta

O terapeuta é um artista de uma ciência humana complexa, que fala de emoção, cognição e comportamentos, fala de gente. Na atividade profissional o terapeuta está diante de uma pessoa, que busca melhorar a sua existência, que tem experiências, sentidas e vividas em sua absoluta individualidade e singularidade de ser. O artista nesse caso não está no palco, mas num assento cativo e privilegiado para o espetáculo da vida humana. Está na plateia, porém um espectador diferenciado: não é passivo, mas participativo. Se bem posicionado, pode trazer segurança, conforto e encorajamento. Além de acompanhar o curso da história é testemunha de uma fonte de coragem e recursos de viver ou sobreviver à vida de uma forma diferente.

 A complexidade do infinitamente único Self ou identidade pessoal do paciente está neste cenário diante de um outro Self que é o do Terapeuta. A pessoa do terapeuta faz diferença, porém não quer dizer que existe uma forma ou um modo certo de Ser. Existe uma necessidade de ser mais inteiro, mais vivo, ser capaz de viver o mundo emocional de uma forma mais consciente.

Aí vem o dilema, como ser um terapeuta que traz segurança, conforto e encorajamento se somos assim como nosso paciente: um Ser complexo com percepções únicas de sua própria realidade? Como ser honesto nesta relação terapeuta e paciente sendo ainda o Ser em processo na roda da vida que erra e acerta o tempo todo?

A psicoterapia é uma fonte inspiradora de desafios e experiências de mudança, o terapeuta neste momento está para o seu paciente assim como está para si mesmo. Quer dizer, ao mesmo tempo que tem um envolvimento com a história do paciente, no nível mais pessoal, o terapeuta cresce junto. Ele pode elevar a sua autoconsciência, sensibilidade e capacidade reflexiva.

Sentir não deve ser visto como um problema, perceber as emoções não deve causar estranheza, isso é fundamental para a empatia. Mahoney diz que um processo terapêutico efetivo deve tocar a emocionalidade do terapeuta, deixando que o conteúdo do paciente se relacione com o seu. A emoção que é experimentada pelo terapeuta funciona como um rádio tocando uma música ao fundo, para que a razão e as intervenções sejam guiadas por um coração informado. 

Não é só a melhor técnica terapêutica ou a teoria que fazem a diferença nos resultados de uma terapia. Mas a capacidade do terapeuta de ser um espectador consciente capaz de ler e entender que aquele que está a sua frente tem todas as condições de solucionar qualquer conflito.  A imperfeição a que todos estamos condicionados nos mobiliza na direção da completude, não ao encontro de outro ser que nos complete, mas, de Ser um com o todo. Esse combustível nos leva na busca de consciência, de saber o que precisamos e como aproveitar melhor as oportunidades desta existência.

Conceitos de mudança, evolução e desenvolvimento envolvem um ritmo crescente e compassivo do simples ao mais complexo. Cada um a seu momento, pois o tempo do relógio é apenas um parâmetro, ele não representa o tempo pessoal que aquele indivíduo necessita no seu processo de mudança. Reconhecer, sentir e ter atitudes são elementos essenciais inerentes ao processo de transformação. A queda temporária é uma transição para o equilíbrio, mas precisa de auto-organização quando as dificuldades excedem a capacidade de enfrentamento do indivíduo.

Não é preciso estar pronto para ser terapeuta, é preciso reconhecer que sua profissão o impulsionará a mudar e se desenvolver. Ajudar respeitando o direito de cada um ser único, dinâmico nas suas opções e escolhas faz com que o terapeuta perceba sua responsabilidade no lugar que ocupa na plateia e na vida do paciente. O ideal é o profissional cuidar de si, da sua mente e de suas emoções. Ser vigilante e sensível às suas necessidades emocionais e ao impacto da prática clínica. Cultivar seu compromisso com a ajuda, respeitando e honrando os privilégios da profissão, ser humano e consciente de que a evolução envolve a tudo e a todos e que estamos todos engajados em uma grande jornada da vida.

Sabrina Oliveira da Rocha é psicóloga

 

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