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Crescimento pessoal

16/04/2019 08h00

Terapia Familiar

A família é um importante recurso na psicoterapia.

Por Olga Garcia Falceto e José Ovídio Copstein Waldemar

pixabay
Design sem nome (2)

Quando se fala em terapia se pensa em uma pessoa com problemas emocionais que busca resolvê-los através de conversas com um profissional.

Se escutamos terapia familiar parece que deve ser para “aqueles conflitos terríveis de herança que existem na casa do vizinho”.

Não é bem isso, terapia familiar é a prática terapêutica que se desenvolveu a partir da valorização de que os fenômenos humanos são todos interligados, especialmente através das relações familiares.

Por exemplo, Maria, jornalista, 45 anos, casada, com duas filhas, procurou terapia porque há muito se sentia deprimida e não conseguia melhorar. Surpreendeu-se quando depois do primeiro encontro terapêutico pediram que viesse ao próximo acompanhada do marido. “Qual a lógica? Sou maior de idade, sou eu que estou deprimida!”.

 Às vezes, especialmente quando se trata de depressão, trazer mais alguém é inicialmente um esforço a mais.

 Mas, sim, tem lógica.

Ninguém, mesmo quem mora sozinho, vive em isolamento. As pessoas ao redor sofrem com o sofrimento do familiar. Ao mesmo tempo, sem intenção, aumentam a sobrecarga emocional da pessoa, dizendo que ela “tem que reagir”.

Neste caso Maria estava deprimida desde que seu pai falecera há mais de um ano. Nem ela associava mais seu desanimo ao luto não completado. Seu marido continuava a esperar dela ações e atitudes habituais, que ela não conseguia mais ter. E ela se culpava por isso. Ambos tentavam deixar as filhas fora dos problemas, mas elas percebiam a tensão, sem se atrever a dar opinião. Estavam mais distantes da mãe, planejando e vivendo suas próprias vidas. Tudo aconteceu ao mesmo tempo: a morte do pai, o distanciamento das filhas com suas carreiras e namorados e ainda o medo de perder o emprego devido à crise econômica. Maria tinha amigos, mas aprendera cedo a se virar sozinha. Os amigos estavam acostumados a se apoiar nela mais do que o contrário. A depressão minava inclusive suas energias de ativista ecológica.

O casal na terapia rapidamente concordou nas duas perdas principais: a morte do pai de Maria, que era uma pessoa muito importante também para João, e a relativa distância das filhas, muito ocupadas com suas próprias vidas. João, com 50 anos, precisou falar de seu medo da velhice. Também se deram conta de que geralmente quem dava “colo” para João era Maria. E  agora era João que precisava cuidar de Maria.  Como aprender a fazer algo tão diferente?

Chegaram a pensar em consultar psiquiatra para ver a necessidade de Maria tomar antidepressivo, mas de comum acordo com a terapeuta decidiram esperar um mês.

Numa sessão mais tarde vieram as filhas. Aliviadas de ver a mãe melhor e podendo falar das saudades do seu pai, sentiram-se liberadas para falar da falta que também sentiam do avô. Com isso se reaproximaram da mãe. Os pais conseguiram falar de como era difícil ver as filhas mais independentes, mesmo que isso os deixasse felizes.

Quando a família  participa, a terapia pode ser mais curta e efetiva, pois ainda que o sofrimento  apareça mais  em um dos membros, todos participam do círculo vicioso que mantém o problema. Com a participação da família, ativa-se um processo terapêutico, agora um círculo virtuoso, em que todos ajudam e se sentem ajudados!

 

Olga Garcia Falceto e José Ovídio Copstein Waldemar são psiquiatras, professores do Instituto da Família de Porto Alegre

 

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