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Família

07/12/2018 12h37

Histórias de Natal

Para que a gente não esqueça o verdadeiro espírito das comemorações natalinas!

Por Elisa Dorigon

Acervo Pessoal | Pixabay
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O ano está no fim e o Natal se aproxima. O que faremos no dia 24?

O “corre-corre” é imenso, há uma certa aceleração no ar. O ano está no fim e o Natal se aproxima. O que faremos no dia 24? Onde vamos reunir a família? Como vamos lidar com os desentendimentos nutridos ao longo do ano em virtude das últimas eleições? Não será um período fácil, mas ao invés de focarmos unicamente nas compras para a ceia, estoque de comidas e bebidas, quem sabe tentamos nos alimentar do verdadeiro espírito natalino?

O Natal é uma festa religiosa que celebra o nascimento de Jesus Cristo, figura central do Cristianismo, que estipulou a data no ano de 350 (século IV). Dizem que começou a ser celebrado para substituir a festa pagã da Saturnália, que acontecia de 17 a 25 de dezembro. A substituição foi uma iniciativa usada para facilitar a aceitação do cristianismo entre os pagãos. Já a Bíblia, não menciona a data exata em que Jesus nasceu.

Se seguirmos os princípios cristãos, o Natal deveria enaltecer em nós as mensagens e ensinamentos de Jesus: aproximar as pessoas, amar ao próximo, perdoar, não julgar, fazer o bem, ter compaixão e ajudar os necessitados.  

Neste sentido, comer e beber em abundância, gastar exageradamente em presentes, festas e decorações, não estão, exatamente, em sintonia com os princípios que deram origem às comemorações natalinas.

Não seria mais legal aproveitarmos este período para refletirmos, internamente, sobre seu verdadeiro significado?  Quem sabe este ano a gente possa fazer um Natal diferente? Ainda dá tempo!

 

COM A PALAVRA, ELES...

O verdadeiro espírito de Natal pode ser vivenciado de diversas formas. Alguns leitores dividiram suas experiências com a gente.

“Sou voluntária em diversas ações sociais, mas entre todas as doações que já realizei, a entrega de brinquedos para as crianças indígenas das comunidades do Canta Galo, Lami e Itapuã, eu considero especial.

Através de uma amiga, conheci a iniciativa e resolvi embarcar. Cada pessoa arrecadou as doações separadamente e naquele sábado, nos encontramos para reunir o material e fazer a entrega. Quando conheci os outros voluntários, pessoas felizes, de coração imenso, focadas em um bem comum, senti uma imensa fé na humanidade. Partimos com o carro abarrotado de brinquedos e a emoção de chegar e ver o sorriso estampado no rosto das crianças foi indescritível. São comunidades muito carentes, porém, me chamou a atenção o fato de estarem livres, na natureza, todos acompanhados de suas mães.

Vivi um dia de trocas intensas. Conheci outra cultura e pude perceber seus valores. Ao perguntarmos ao pajé quais as necessidades da tribo e como poderíamos ajudar, ele apenas pediu livros, pois estavam montando uma biblioteca. Não é fantástico isto? Ele poderia pedir qualquer coisa, mas pediu livros.

Este é o verdadeiro sentido do Natal, não o consumismo. Sou 10 vezes mais feliz quando participo de ações deste tipo. Afetividade e troca é o que precisamos em nossos Natais”.  

Giselle Raabe - empresária.

 

“Há uns 12 anos fui secretária da Associação de Moradores da Vila Jardim. Como sabíamos da situação financeira precária da maioria das famílias do bairro, queríamos fazer uma ação que levasse um pouco de alegria para as crianças no Natal.

Foi então que nos unimos para arrecadar, no comércio local, doação de brinquedos e alimentos para prepararmos uma festa bacana para a criançada. Além dos brinquedos, ganhávamos refrigerante, salsicha para o cachorrinho quente, pão para os sanduiches, e aos poucos, a festa ia ganhando forma. Com a adesão dos moradores, o apoio da Brigada Militar e a realização de várias brincadeiras, o Natal na comunidade foi mágico. Nossa retribuição era ver no rosto das crianças aquele sorriso e aquela felicidade de estarem vivendo um sonho, pois muitas não tinham nem o que comer. Foi um Natal inesquecível!”.

Elis Oliveira – pensionista.

 

“Minha história de Natal inesquecível não aconteceu exatamente comigo, mas com um cliente. Acredito que ela ilustra perfeitamente o que é o espírito de Natal. Era 24 de dezembro, fazia um calor infernal na cidade e ele estava correndo para comprar presentes de última hora. O estacionamento do shopping estava lotado e ele colocou o carro na rua mesmo. Ao voltar, escutou um miado de gato, vindo do motor. Ele tinha duas alternativas: ligar o carro e, dane-se o gato; ou chamar um mecânico para desmontar o painel e salvar o bichinho. O mecânico demorou uma eternidade, cobrou uma verdadeira fortuna, mas o gatinho foi salvo, graças ao espírito natalino”.  

Sheila Aguiar – veterinária.

 

 

 “Faço parte do Coral Sinapers Encanto, composto de servidores públicos aposentados e pensionistas do RS . Todos os anos, na época do Natal, levamos alento em forma de música aos moradores de asilos e, também, aos enfermos nos hospitais. Acho que este é o verdadeiro espírito do Natal. Sinto uma alegria muito grande quando as pessoas nos abraçam e agradecem, com lágrimas nos olhos e um sorriso aberto. Sempre digo que nosso gesto como coralistas é um ato de amor ao próximo”.

Noeli de Almeida Mércio Pereira – aposentada.

 

 

Quando descobrimos a gravidez e fizemos os cálculos, uma amiga brincou: “Oba, Natal e Ano Novo será com a mamadeira na mesa ou o bebê agarrado no peito”. Fiquei imaginando todos felizes, rindo, dando colo para o novo membro da família, brindando, muitas vozes, muito barulho (como sempre foi). Lorenzo nasceu saudável e lindo às 08:59 do dia 13 de novembro, mas menos de 24h depois, num piscar de olhos, ele foi arrancado dos meus braços e levado para a UTI, pois teve uma convulsão. Nossos planos de Natal e Ano Novo mudaram radicalmente, assim como os planos que fizemos para a vida dele. Foram 40 dias sem resposta a nenhum medicamento. Lorenzo convulsionava com intervalos de no máximo 10 minutos, entre uma crise e outra.

Perdemos a noção de tempo na UTI, mas no dia 23 de dezembro ele começou a reagir aos remédios e, no dia 24, as crises já ficaram mais espaçadas. Isto era uma grande evolução! Meus pais nos prepararam uma ceia de Natal e levaram para o hospital. Seria o primeiro Natal com nosso filho.  

Na sala reservada para os pais da UTI, só estávamos eu e o pai dele. Às 22 horas colocamos na mesa tudo que meus pais levaram e comemos rápido, ansiosos pela meia noite, quando as enfermeiras iriam liberar a entrada. Não conseguíamos imaginar um Natal diferente do que sempre vivemos, mas tínhamos a certeza que este seria o mais especial das nossas vidas.

Enquanto higienizávamos as mãos e colocávamos a roupa, mentalizei, somente, o que havia acontecido de mais positivo nos últimos dias, esqueci o mundo lá fora e me entreguei, totalmente, àquele momento que foi tão sonhado. Aconteceu ali, naquele local frio, vozes falando baixinho. Não tinha comida nem presentes, não teve mamadeira na mesa nem bebê no meu seio, havia somente nós três abraçados, sorrindo, comemorando e agradecendo. Desde então, o quadro de Lorenzo começou a evoluir cada vez mais.

Este Natal nos mostrou que estarmos juntos, conectados, valorizando o amor, é mais importante do que qualquer coisa”.

Raquel Cezimbra - fotógrafa

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