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Família

18/10/2018 09h30

Precisamos falar sobre isto

A participação dos pais quando o assunto é bullying é fundamental!

Por Luiza Zaccer

Shutterstock
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Geralmente, o bullying acontece no ambiente escolar, por isso, algumas pessoas acreditam que a responsabilidade de tratar o assunto seja apenas da instituição de ensino.

Infelizmente, o bullying faz parte da realidade de muitas crianças e jovens, que sofrem com apelidos pejorativos e, até mesmo, comportamentos negativos vindos de pessoas próximas ou não, como: colegas da turma ou de outras classes, vizinhos e primos. Essa prática é extremamente prejudicial e deve ser combatida, sendo papel dos adultos conscientizar as crianças sobre os efeitos do bullying.

 

 

Geralmente, o bullying acontece no ambiente escolar, por isso, algumas pessoas acreditam que a responsabilidade de tratar o assunto seja apenas da instituição de ensino. No entanto, os pais também têm papel fundamental nesse processo e devem acompanhar o comportamento dos filhos, dar o exemplo e conversar sobre o tema dentro de casa. 

 

O que é o bullying e quais as suas consequências?

Em países de língua inglesa, pessoas que intimidam outras de forma verbal ou física são nomeadas como “bullies”, que em português seria “valentões”. Foi a partir daí que surgiu a expressão bullying, direcionando ao ato de agredir ou humilhar alguém.

O bullying é um problema em diversas sociedades. Acontece quando um indivíduo é diminuído por outro por questões físicas, sociais, intelectuais, etc. A prática não está relacionada, apenas, a apelidos pejorativos devido às características físicas, como altura e peso, por exemplo, mas, também, às ações que envolvem ameaça, boatos e a exclusão de crianças e jovens.

Embora algumas pessoas ainda vejam essa situação como uma “brincadeira de criança”, o assunto deve ser tratado com seriedade, pois pode afetar a saúde física e psicológica de quem sofre com o bullying, resultando em problemas, até mesmo, na vida adulta.

Há pessoas que detestam recordar o período escolar em razão de momentos de humilhação vividos nessa época. Além disso, o bullying pode resultar em transtornos alimentares, baixa autoestima, insegurança, depressão e, em casos mais graves, levar a comportamentos violentos contra o agressor, e até mesmo ao suicídio. Ou seja, é imprescindível adotar atitudes para evitar esse comportamento.

Além do bullying no ambiente social e estudantil, há, também, o cyberbullying: as pessoas aproveitam a internet e, em muitos casos, se protegem atrás de perfis anônimos para incitar a violência e humilhar outras pessoas com xingamentos e exposição de fotos e vídeos.

 

Como conversar com as crianças sobre o assunto?

Alguns países já adotaram programas e ações para combater o bullying. No Reino Unido e na Finlândia, a prática é considerada crime e pode resultar em processos e multas. Já nos EUA, Canadá e Noruega, os colégios devem incluir no currículo escolar um plano para prevenção do bullying.

A Finlândia adota, desde 2009, um programa denominado KiVa, que busca dar apoio às vítimas de bullying e mudar o comportamento dos agressores e das testemunhas, que, embora não pratiquem o ato, participam com o silêncio ou com risadas - o que aumenta o poder do agressor. O projeto eliminou o bullying em 80% das escolas e foi adotado por outros países na Europa e na América Latina.

O Brasil também conta com ações sobre o tema: o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), sancionado em 2015, esclarece que instituições de ensino, clubes e agremiações recreativas devem assegurar medidas de conscientização, prevenção e combate à violência e à intimidação sistemática. Contudo, não há um acompanhamento ou fiscalização do cumprimento da norma. Por isso, muitas vezes, as ações são pontuais e pouco efetivas.

Além da conscientização no ambiente estudantil, os pais têm papel fundamental nesse processo e precisam dar exemplos no dia a dia das crianças ou jovens, além de conversar sobre o tema.

Muitas vezes, as crianças repetem o comportamento dos adultos. Sendo assim, os pais devem tratar os outros com respeito, não só diante dos filhos, mas em qualquer situação. Se você ofende um vizinho devido a uma característica física dele, por exemplo, demonstra para seu filho que isso também pode ser feito na escola.

A convivência familiar contribui, significativamente, nesse processo. Uma pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, com alunos entre 10 e 19 anos, mostrou que a interação familiar, o afeto, o estabelecimento de regras e a boa comunicação com os pais são fatores que fazem com que os estudantes não pratiquem o bullying.

Além das atitudes, a conversa é outro fator importante. É necessário falar com as crianças, desde pequenas, sobre o tema, mostrando a elas que pode ser prejudicial. Os pequenos precisam aprender que os amigos e colegas da escola devem ser tratados com respeito e que não devem ser excluídos de determinado grupo.

Uma alternativa para introduzir o assunto é utilizar livros ou exemplos em filmes infantis em que o personagem tenha sofrido bullying. Há vários títulos sobre o tema voltados para crianças de diferentes idades, como “Felisbela Cara de…”, do autor Paulo Debs, “Me chame pelo meu nome”, de Nana Toledo e “Bruno e João”, de Jean-Claude R. Alphen.

O diálogo é um fator relevante para que seus filhos não pratiquem bullying, saibam reconhecer caso sejam vítimas e não apoiem comportamentos hostis dos amigos na escola, no condomínio, na academia e, também, na internet e em grupos de mensagens.

 

O que fazer quando seu filho sofre bullying

Muitas crianças sofrem bullying, e isso acontece, independentemente, da idade e de classe social, tanto em colégios públicos quanto privados. Geralmente, elas não falam sobre isso com os pais e professores, seja por medo de que as agressões dos colegas aumentem, por achar que os adultos não vão acreditar, ou, mesmo, por vergonha.

No entanto, é preciso ficar atento aos sinais que podem indicar que seu filho esteja passando por situações negativas na escola. Ele vem sentindo medo, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações de humor, seus materiais chegam em casa quebrados e ele está com machucados no corpo sem explicação? De repente, seu filho parou de querer ir à aula? Esses podem ser indicativos de agressões físicas ou psicológicas.

Ser direto e perguntar se seu filho sofre bullying pode não gerar resultados. Em alguns casos, a melhor alternativa é começar a conversa perguntando como foi o dia na escola, se ele tem amigos na classe e sobre atividades em grupo, como na educação física. Questione sobre brincadeiras e atividades, se ele ou outro aluno ficou excluído do time e qual o motivo de isso acontecer, por exemplo.

 A conversa sobre o bullying é necessária e deve ser frequente para que, assim, a criança consiga identificá-lo quando acontecer, e entenda que a melhor atitude é contar o problema para os pais ou outros adultos.

Se seu filho foi vítima de bullying e compartilhou essa experiência com você, não menospreze o relato dele e nem o culpe pela situação. Também é essencial não incentivar a criança a responder o bullying com agressão - isso pode piorar o caso e gerar ainda mais ansiedade e estresse.

O problema não deve ser ignorado, mas é importante procurar soluções adequadas, como: conversar com os professores e a coordenação da escola e contar com apoio de um psicólogo, se necessário.

O bullying não é um comportamento que deve ser considerado normal. Como vimos, ele pode causar sérios problemas na vida de crianças e jovens. Ele afeta, inclusive, aqueles que o praticam — ao crescer com esse comportamento, as crianças podem se tornar adultos agressivos, antissociais e intolerantes.

Dessa forma, é fundamental participar ativamente da educação de seus filhos, os envolvendo em um ambiente familiar de respeito, com afeto, bons exemplos e diálogo, demonstrando que o bullying é inaceitável, que eles não devem realizá-lo, apoiá-lo e tão pouco esconder caso sejam vítimas de situações negativas.

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