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Bem-estar

13/09/2018 09h30

Já ouviu falar em Normose?

Um fenômeno da sociedade que atinge o âmago de cada indíviduo

Por Luiza Zeccer

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Quer entender melhor o assunto? Continue a leitura!

Você já ouviu falar em normose? Segundo o autor e psicólogo Pierre Weil, o termo está relacionado a um conjunto de conceitos, valores, estereótipos e hábitos de pensar ou de agir aprovados pela maioria da sociedade, mas que podem levar a sofrimentos, doenças e mortes.

Aceitar todas as situações do cotidiano como normais, inclusive aquelas que não deveriam ser, como violência, roubo, corrupção e má educação, e renunciar a suas crenças e valores para ser considerado normal, seguindo o comportamento da maioria, pode fazer com que você se sinta infeliz e gerar problemas em sua vida.

Quer entender melhor o assunto? Continue a leitura!

 

O que é normose?

O termo, que está relacionado a um comportamento visto como normal, mas que seria anormal, teve origem a partir dos estudos de Roberto Crema, Jean-Yves Leloup e Pierre Weil, nas décadas de 80 e 90. Após anos de pesquisa, os autores publicaram a obra “Normose: A Patologia da Normalidade”.

Trabalhar dez horas por dia para ter uma boa condição financeira, ver os filhos passarem de ano sem esforço ou estudo e permanecer em um emprego que não traz satisfação apenas pelo retorno financeiro, são exemplos de normose. Sem que as pessoas percebam, esses comportamentos geram patologias que podem afetar o corpo e a mente.

Outros fatores que contribuem para isso são a tecnologia e a facilidade no compartilhamento de informações. Elas são positivas em nossa realidade, entretanto, consumir conteúdos em excesso, sem se aprofundar na questão e raciocinar sobre eles pode ser prejudicial para o ser humano e para a sociedade, no caso das normoses coletivas.

Pierre Weil define esse comportamento como normose informacional, no qual o excesso de conteúdo atrapalha a relação das pessoas e causa ansiedade, angústia, estresse, entre outros sintomas.

A informação em grande escala, vindo de mensagens, sites e redes sociais, também pode aumentar as exigências para que o indivíduo se enquadre naquilo que seria considerado o padrão na sociedade, como a felicidade constante, a importância de ser bem-sucedido, a necessidade de se manter informado e saber sobre todos os assuntos etc.

Além disso, o uso da tecnologia e da informação virtual podem fomentar a violência, o preconceito com diferentes grupos, entre outras situações. Sendo assim, é preciso saber como usá-las para que se tornem construtivas, e não destrutivas.

 

A diferença entre a normalidade saudável e a doentia

É importante analisar se você vive dentro de uma normalidade saudável, com crenças e costumes significativos para o bem-estar, a qualidade de vida e o convívio social, ou se ela causa alienações, distorções de valores e doenças.

Hábitos, como acordar cedo, tomar café, ir à academia ou almoçar ao meio-dia são considerados normalidades saudáveis ou neutras. Já o ato de agir e pensar para se adequar ao consenso do que seria normal pode levar a diferentes patologias.

Os exemplos de normalidades negativas são diversos e vão desde atitudes corriqueiras do dia a dia, como o hábito de fumar e a fofoca no ambiente de trabalho, até o consumismo ou excesso de comida para minimizar problemas de estresse e ansiedade, o exagero na dieta ou atividades físicas para alcançar o corpo das revistas, entre outras situações que trazem consequências sociais, morais ou doentias para a mente e o corpo.

O autor Pierre Weil explica a normose contando o que ocorreu em sua própria vida: a necessidade de ser um homem bem-sucedido aos trinta anos, seguindo as normas da sociedade, o levou à infelicidade — ele era um homem de sucesso, mas não era realizado.

Essa infelicidade causou um rompimento de seu casamento, porque um comportamento comum na normose é colocar a culpa do fracasso no outro. E todo esse processo resultou em uma patologia orgânica, o câncer.

Sendo assim, é necessário avaliar se o conjunto de hábitos são significativos para o equilíbrio mental e social ou se, na realidade, são patogênicos e podem levar as pessoas à infelicidade e causar doenças.

Hoje em dia, muitas pessoas buscam fugir do padrão da normalidade e ir ao encontro daquilo que as fazem felizes - e, em muitos casos, elas são classificadas como loucas ou inconsequentes por uma grande parcela da sociedade. É o exemplo de um médico que abandona uma carreira consolidada e financeiramente estável para atuar como artista plástico, ou, ainda, profissionais que pedem demissão de grandes empresas para trabalhar e viver em diversos lugares do mundo.

 

Como evitar a normose?

Muitos dos hábitos e costumes atuais foram adotados de forma inconsciente, passados pela cultura familiar, pelo convívio com amigos e na escola. Entretanto, é preciso analisar se essas normas são adequadas aos valores e a personalidade de cada pessoa.

Uma forma de fazer isso é fortalecer o autoconhecimento e a autoestima para se conhecer melhor, entender o que lhe traz felicidade e o que é adequado ou não ao seu perfil e características. É necessário romper o ciclo de fazer as coisas com a justificativa de que todo mundo faz, e buscar aquilo que lhe trará realização, baseado em seus valores e talentos. A meditação pode ser uma técnica interessante para isso, assim como o auxílio de um terapeuta ou psicólogo.

A mudança de pensamento não é uma tarefa simples, mas com empenho é possível fazer isso. Outra estratégia é buscar conteúdos aprofundados em diferentes fontes e não focar apenas a atenção na mídia eletrônica ou televisiva que, muitas vezes, pode ser tendenciosa e imediatista – ou, ainda, ser influenciado pelas redes sociais, que mostram uma parte fragmentada da vida das pessoas, mas que fazem parecer que todos são felizes e realizados seguindo o padrão da sociedade.

Fortalecer o conhecimento com jornais impressos, livros, participar de cursos e rodas de conversas, por exemplo, é importante para incentivar a reflexão, o pensamento crítico e a formação de opinião. Dessa forma, o indivíduo terá condições de analisar se seu comportamento e opiniões condizem com seu desejo, ou se está sendo modificado para se adequar àquilo que é esperado pela sociedade.

Por preguiça, comodidade ou medo de pertencer à minoria e se tornar vulnerável, as pessoas aceitam a normalidade e, muitas vezes, isso acontece de forma automática e inconsciente. Assim, passam a repetir o comportamento da maioria, comprar roupas que estão na moda, assumir como verdade aquilo que está nos jornais e nas redes sociais etc.

Um pouco desse comportamento pode ser percebido em ano de eleição. As pesquisas de intenção de voto, por exemplo, podem influenciar eleitores indecisos, ou que não têm um candidato, a votarem naquele que está na frente só porque a maioria das pessoas vai escolhê-lo.

Por mais que a normose sempre tenha feito parte da sociedade — hábitos e costumes considerados normais antigamente já não são aplicados hoje em dia —, atualmente, ela se torna mais significativa devido à tecnologia e ao excesso da informação e conteúdos sem critérios éticos, de fontes duvidosas e, em alguns casos, inverídicos, como as fake news.

Por isso, é fundamental tomar consciência sobre esse comportamento e fortalecer o pensamento crítico para entender se as normas estabelecidas são corretas ou consideradas normais, pois há uma grande diferença nisso. Ficar preso à padrões da sociedade somente para ser aceito pela maioria impede as pessoas de inovarem, se adaptar às mudanças e alcançar a satisfação na vida.

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