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Crescimento pessoal

04/07/2018 09h30

A arte de liderar a si mesmo

A Autoliderança é o caminho para desenvolver a capacidade de liderar pessoas e exige, como pré-requisito, o autoconhecimento.

Por Fabio Oliveira e Raquel e Rau

Pxhere | Pixabay
Quero evoluir pandora autoconhecimento (1)

Liderar é conduzir, aos outros e a nós mesmos, à plenitude.

Viver plenamente com saúde e alegria, realizar sonhos, ser bem sucedido, são ideias que permeiam a maioria das pessoas. Mas, você já refletiu que quase todas as ações para a conquista da realização plena necessitam de liderança?

Num primeiro momento isso pode parecer estranho, mas vamos olhar juntos para o cotidiano. Cada vez mais estudos têm demonstrado que stress, angústia, ansiedade, entre outros, são impeditivos de uma vida plena e realizada, além de agravarem problemas com saúde e relacionamentos (social e profissional).

Bom, mas o que isso tem a ver com liderança? Liderar significa unir pessoas e ideias para que juntos cheguem a um objetivo comum. Entretanto, quando não há qualidade nessa liderança surgem as dificuldades que separam as pessoas da tão sonhada realização plena. Mas agora você pode estar pensando “eu não lidero pessoas”, será mesmo?  Constantemente estamos liderando, ainda que não saibamos disso.

A mãe lidera os filhos e a família, o objetivo comum pode ser saúde, bem estar e equilíbrio financeiro. Professores, em sala de aula, lideram os alunos e o objetivo é o aprendizado. O médico, ao executar uma cirurgia, lidera a sua equipe em prol da saúde do paciente.  E, ainda, em uma análise mais ampla, lideramos a nós mesmos em direção aos nossos objetivos, projetos e sonhos.

O importante não é quando ou a quem lideramos, mas como lideramos. Liderar não é sinônimo de mandar, de exercer autoridade e nem tem proximidade com o ditado popular “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Liderar é conduzir, aos outros e a nós mesmos, à plenitude.

Assim, a proposta aqui é chamar a atenção para o fato de que sim, lideramos em diversos momentos ao longo da vida e que a forma como lideramos repercuti ou não na conquista de uma vida plena. O stress e a desarmonia, que nos separam dessa realização, tanto no ambiente profissional como no familiar, muitas vezes tem sua raiz na falta de habilidade para liderar.

O interessante de tudo isso é que diversas pesquisas apontam que para tornar-se um bom líder é necessário, primeiramente exercer a autoliderança, liderar a si mesmo, saber se conduzir, se resolver. Desenvolver em si a autoliderança e por conseguinte tornar-se um bom líder em todos os âmbitos da vida, passa, necessariamente pelo trabalho de autoconhecimento. Liderar pessoas, mesmo que sejam os próprios filhos, requer, primeiramente saber quem somos, quais são as nossas fragilidades e quais são as nossas fortalezas para lidarmos com as diferentes situações do dia a dia.

No livro Liderança de Alto Nível, o autor Ken Blanchard defende que a liderança eficaz é uma jornada transformacional composta por quatro etapas Autoliderança (autoconhecimento), Liderança pessoa a pessoa (confiança), Liderança de equipes e Liderança organizacional (valorização dos relacionamentos e dos resultados).

A abordagem de Blanchard faz todo o sentido e por uma razão bem simples: antes de sermos bons líderes de outras pessoas, o primeiro passo é sabermos liderar a nós mesmos. Mas, afinal, o que significa autoliderança? Qual o melhor caminho para ser líder de si mesmo? A autoliderança é um comportamento notável, o autolíder não fica refém das situações do dia a dia, ele tem o seu próprio planejamento de vida, ele assume total responsabilidade pelos seus erros e acertos durante a caminhada do seu desenvolvimento pessoal e profissional.

A seguir, descrevemos alguns dos comportamentos mais marcantes das pessoas que possuem uma boa capacidade de liderar a si mesmas:

Responsabilidade - A característica mais notável e marcante de um autolíder é a sua capacidade de assumir a responsabilidade por suas escolhas de vida e de carreira. Ele não terceiriza os erros, não se enche de desculpas quando algo dá errado, assume e busca uma reflexão para identificar que aprendizado as falhas cometidas podem lhe proporcionar.  

Capacidade “Acabativa” - Qual a nossa capacidade “acabativa”. Você já conhecia esta expressão? O conceito é bastante simples, está associado à nossa capacidade de terminar aquilo que iniciamos ou concluir o que outros começaram, ou seja, a capacidade de colocar em prática uma ideia e levá-la até o fim. Chamamos atenção que nos dias de hoje, somos diariamente bombardeados por informações de todos os lados (Redes sociais, internet, TV, jornais), que alimentam nossas ideias, sonhos e projetos. O problema é que, às vezes, temos ótimas ideias, mas não executamos nem a metade delas. Reflita sobre os seus últimos meses: quais foram as suas conquistas? Dos seus planos, quais se concretizaram? No Coaching, por exemplo, há uma ferramenta que ajuda significativamente as pessoas a terem mais capacidade acabativa, é a SMART. Resumidamente, o conceito defende que toda meta precisa ser Specific – Específica (O quê?), Measurable – Mensurável (Quanto?), Attainable – Atingível (Como?), Relevant – Relevante (Para quê?) eTime Bound – Tempo Limite (Quando?).

Insatisfação Positiva e Resiliência - Segundo Mário Sérgio Cortella, o termo se refere ao comportamento das pessoas que não se conformam com a mediocridade, querem sempre mais e melhor. Não ser melhor do que os outros, e sim dar o seu melhor o tempo todo, se superar, quebrar paradigmas, enfrentar desafios. Ao contrário da insatisfação negativa, composta por reclamações vazias, a insatisfação positiva é a que tem o poder de movimentar as pessoas, uma categoria profissional, uma nação, uma força capaz de movimentar o mundo. Já, o termo “resiliência” vem da física e está ligado à capacidade de flexibilidade de alguns objetos, ou seja, de voltar ao estado natural após receber determinada pressão, um exemplo é a mola. São inúmeras situações que acontecem ao longo do dia – com o chefe, com os colegas ou com os clientes – que podem levar qualquer um à frustração profissional e à desistência de objetivos. Por isso, a resiliência é a característica mais marcante das pessoas que enfrentam as dificuldades, não desistem diante dos primeiros obstáculos, aprendem com os erros e, por isso, alcançam resultados expressivos individual e coletivamente.

Comportamento Empreendedor - De forma simples, empreender é tornar real uma ideia. O empreendedor é sonhador, tem um olhar diferente sobre tudo o que o cerca, é curioso, criativo, proativo e otimista sobre suas ideias. O empreendedor gosta de explorar o desconhecido, de buscar mais resultados que o esperado, de ir além das expectativas, gosta de surpreender. Diante do fracasso, ele aprende e tenta outra vez, e mais vezes se necessário, até alcançar o seu sonho.

Comunicação Assertiva - Você costuma dizer que gostou de algo que você não gostou só para “agradar” alguém? Muitas vezes você engoliu a raiva em determinado momento e depois se arrependeu por não ter dito o que estava pensando e sentindo? Ou, ainda, o contrário, por vezes você foi agressivo ao extremo por falar de “cabeça quente”? São comportamentos comuns a todos nós, mas que atingem em menor grau as pessoas que conseguem desenvolver uma característica fundamental para gerar relacionamentos sadios: a assertividade na comunicação. De uma forma simples, a assertividade é a capacidade de nos expressarmos aberta e honestamente, seja algo ruim ou bom, sem negarmos os direitos dos outros.

Inteligência Emocional - No mundo corporativo é comum ouvirmos empresários e gestores da área de humanas afirmarem que contratam os profissionais por seus conhecimentos técnicos, mas que os demitem por problemas comportamentais. O perfil destes demitidos são, muitas vezes, de pessoas que investiram em suas carreiras, agregaram conhecimento e informações, mas que, em virtude de não saberem administrar suas emoções, acabam por perder grandes oportunidades. A inteligência emocional se resume no modo como gerenciamos nossas emoções, aprender a lidar com elas é determinante para a conquista de uma vida mais plena.

Liberdade - O ser humano é o único animal com poder de decisão, escolha e julgamento sobre si mesmo, ou seja, somos seres com total liberdade, temos o direito de agir de acordo com o nosso livre arbítrio e a nossa vontade. E você, como usa a sua liberdade? O quanto você assume o seu poder de escolha e faz bom uso dele? O quanto você valoriza a vida que os seus pais lhe deram e usufrui de sua liberdade para construir o seu caminho?            A autoliderança está alinhada à liberdade que cada ser humano tem de assumir o protagonismo da sua vida e, assim, construir a sua história.

Autoconhecimento - Felizmente, nos últimos anos, este tema tem crescido de forma fantástica em cursos, livros, reportagens ou rodas de conversa. Olhar para o outro é fácil, olhar para si mesmo é um exercício bem mais complexo, que nem todos se permitem. Por isso, o autoconhecimento está na base da autoliderança. Novamente cito o Coaching, onde é trabalhado perguntas poderosas que provocam o cliente a refletir sobre si mesmo, a encarar de frente as suas virtudes e as suas imperfeições, com o intuito de despertar o máximo de seu potencial, pessoal e profissional.

O autoconhecimento permite uma vida com mais consciência, menos máscaras e relacionamentos mais verdadeiros. Compreenderemos melhor as pessoas, nos tornamos mais receptivos ao amor, nos preocupamos menos com o que os outros pensam ou com o que a sociedade julga como “certo e errado”, e nos preocupamos mais com o que realmente é importante para nós. O autoconhecimento nos ensina a sentir, a não apenas a pensar. O autoconhecimento é transformador.

Autoliderança é servir a pessoa mais importante que existe na sua vida: você! Cuide bem de você e, assim, terá condições de cuidar bem das outras pessoas, principalmente de quem você admira, respeita e ama, seja no ambiente pessoal ou profissional. Antes de querer liderar os outros, seja líder de sua história.

Em suma, autoliderança é ter atitude em relação à própria vida.

 

Para saber mais leia o livro “Foco - Ação e resultado na vida e carreira”, editora Leader.

 

 

Fabio de Oliveira é jornalista, consultor e Coach
Raquel Rau é empresária

 

 

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