Bem-vindo ao Nosso Bem Estar!
Para acessar toda positividade de nosso conteúdo, escolha o portal mais próximo a você.

Crescimento pessoal

26/10/2017 06h30

“POR QUÊ?” E “POR QUE NÃO?”

Essas são as duas perguntas mais importantes da vida. O segredo é saber usá-las

Por Gordon Livingston

Depositphotos | Pixabay
M32 porque

As perguntas mais importantes

Compreender porque fazemos as coisas é uma condição necessária para a mudança. Isso se aplica especialmente a padrões repetitivos de um comportamento que nos prejudica. Foi o que Sócrates quis dizer quando declarou: “Uma vida sem questionamento não vale a pena ser vivida.” Mas, como questionar-se é uma tarefa árdua e exigente, a maioria das pessoas não segue essa premissa.

As razões que nos levam a viver de uma determinada forma e a fazer determinadas coisas costumam ser obscuras. Nós achamos que escolhemos conscientemente nossos comportamentos. A maior contribuição de Freud à psicologia foi a teoria do inconsciente, que atua sob o nível da nossa consciência e influencia nosso comportamento. Para muitos, é assustador pensar que grande parte do que fazemos é produto de motivos dos quais podemos estar inconscientes.

Quando reconhecermos que existe por trás da nossa consciência um atoleiro de desejos reprimidos, de ressentimentos e motivações que influenciam o nosso comportamento no dia a dia, teremos dado um passo importante no sentido de compreender a nós mesmos. Mas, se negarmos a existência dessa vida interior, ficaremos frustrados quando nossos esforços para exercer o controle falharem. Ignorar a existência do nosso inconsciente pode causar problemas em nossa vida. Já observamos as consequências dessa negação: padrões destrutivos de comportamento que nos surpreendem por se repetirem constantemente, apesar de nos causarem prejuízo.

Para citar exemplos bastante comuns: uma mulher que escolhe uma série de homens que, tal como seu pai, são alcoólatras e violentos. Ou do homem cujos diversos empregos terminam sempre desastrosamente em algum conflito com a autoridade. Para mudar esses padrões, é necessário, em primeiro lugar, reconhecer que há situações e comportamentos que se repetem. As pessoas tendem a resistir a isso, preferindo achar que se trata de coincidência ou sempre atribuindo a responsabilidade aos outros.

PERGUNTAS FUNDAMENTAIS

Aqueles que relutam em responder ao “Por quê?” em relação à própria vida tendem também a resistir ao “Por que não?”. É uma pergunta arriscada. Acomodados em nossos hábitos, temos receio de mudanças e evitamos o mais possível correr riscos, sobretudo se imaginamos que podemos sofrer rejeição. Preferimos nos proteger e permanecer na situação conhecida, por mais que ela seja claramente prejudicial à nossa vida. Poderíamos pensar que esses medos melhoram com a idade e a experiência, mas normalmente acontece o oposto. Apesar de ser um dos objetivos mais desejados, tentar encontrar um parceiro na meia-idade é, para a maioria, uma iniciativa assustadora.

A popularidade dos sites de encontros da internet é testemunha da necessidade de companheirismo. Como vivemos numa cultura que valoriza a juventude e a beleza, e despreza os idosos, é difícil sentir-se desejável e confiante o bastante para readquirir o hábito do namoro e da intimidade na meia-idade. “Namorar” é em geral algo atribuído aos jovens que desejam se casar, mas um comportamento muito estranho nas pessoas com mais de 50 anos.

Quando nos deparamos com coisas ou situações novas, a pergunta mais produtiva deveria ser “Por que não?”. Mas as pessoas frequentemente se protegem do desapontamento perguntando “Por quê?”. E criam desculpas intermináveis para não aproveitar a oportunidade que se apresenta mostrando-se disponíveis. Muitas escolhem a solidão, em vez da difícil tarefa de procurar conhecer pessoas novas, temendo o consequente risco da rejeição. “Todos os homens bons estão casados” ou “Todas essas mulheres são cheias de manias” são refrões que estou acostumado a ouvir.

Frequentemente indago às pessoas que são avessas a riscos: “Qual foi a maior oportunidade que você aproveitou na vida?” Aos poucos meus clientes começam a entender o que é essa “vida segura” que escolheram ter. As maneiras como as pessoas se testam - conhecer países exóticos, viajar de mochila pela Europa, aprender a tocar um instrumento musical - são estranhas para a maioria. Na preocupação obsessiva com a segurança, perde-se muito do espírito de aventura.

A vida é um jogo em que a aposta mais alta é com o nosso coração, na experiência amorosa. De um lado há o risco de cometer erros, do outro a certeza da solidão se jogarmos pensando apenas na segurança. Como equilibrar esses dois lados? No entanto, ao contrário da maioria dos jogos, o resultado do jogo amoroso pode recompensar todos os envolvidos. Se jogamos como se fosse uma competição, iremos certamente perder. Mesmo assim, nunca sabemos se a outra pessoa tem a intenção de cooperar conosco.

Então a solução é uma só: admitir e aceitar o risco, às vezes muitos riscos, se quisermos vencer. Em nenhuma outra atividade esperamos ter todos os conhecimentos necessários desde o início. Todos aceitamos a existência de uma curva de aprendizagem acompanhada de erros às vezes dolorosos antes de adquirirmos experiência. Ninguém esperaria se tornar um bom esquiador sem levar algumas quedas. E, ainda assim, muitos se surpreendem com a dor inevitável que acompanha os nossos esforços para encontrar alguém que mereça o nosso amor.

Correr os riscos necessários para atingir essa meta é um ato de coragem. Recusar-se a corrê-los, para proteger o coração de todas as perdas, é um ato de desespero.

Extraído do livro Velho muito cedo, Sábio muito tarde (Ed. Sextante)

 

“Quando reconhecermos que existe por trás da nossa consciência um atoleiro de desejos reprimidos, de ressentimentos e motivações que influenciam o nosso comportamento no dia a dia, teremos dado um passo importante no sentido de compreender a nós mesmos.”

 

“Quando nos deparamos com coisas ou situações novas, a pergunta mais produtiva “Quando reconhecermos que existe por trás da nossa consciência um atoleiro de desejos reprimidos, de ressentimentos e motivações que influenciam o nosso comportamento no dia a dia, teremos dado um passo importante no sentido de compreender a nós mesmos.” deveria ser ‘Por que não?’. Mas as pessoas frequentemente se protegem do desapontamento perguntando ‘Por quê?’. E criam desculpas intermináveis para não aproveitar a oportunidade que se apresenta mostrando-se disponíveis.”

X