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Crescimento pessoal

13/07/2017 06h30

Nosso corpo, nosso lar

Conheça a Antiginástica, um método original que nos permite habitar integralmente o nosso corpo, através de movimentos simples e sutis.

Por Elisa Dorigon

Antigym
M32

Corpo, mente e espírito interligados

“O corpo é nossa casa, e nas suas paredes está escrita toda a nossa história, do nascimento até hoje, mas faz tempo que perdemos as chaves”, diz a francesa Thérèse Bertherat, criadora do método capaz de nos fazer encontrar estas chaves. Ele vem sendo aplicado há mais de 30 anos no mundo todo e se chama Antiginástica. Fisioterapeuta de formação, estudou, pesquisou e analisou diversas terapias corporais até criar seu próprio sistema. Um método que propõe um outro olhar sobre o corpo, compreendendo como ele funciona e fazendo com que cada indivíduo amplie a consciência de si mesmo.

Segundo Thérèse, nossos músculos são as paredes desta casa, que guardam memórias de todas as situações que vivenciamos e acabam se manifestando como rigidez, crispação, fraqueza e dores nas costas, pescoço, diafragma, coração, rosto e sexo.

Em seu primeiro livro, O Corpo tem suas razões (1976), ela afirma que nunca é tarde demais para nos liberarmos da programação de nosso passado, assumindo o próprio corpo e descobrindo possibilidades, até então inéditas. “É possível tomar posse desta casa e encontrar nela vitalidade, saúde e autonomia que lhe são próprias”.

Alejandra Herzberg teve seu primeiro contato com a Antiginástica através deste livro, quando tinha 15 anos. “Sou formada em Psicologia Social pelo Instituto Pichon-Rivière e sou Bacharel em Artes Cênicas pela UFRGS. Venho de uma família de psicólogos, onde o corpo é apenas o pedestal da cabeça. O livro me trouxe uma visão diferente, por falar do corpo, das pessoas e seus sentimentos, algo fantástico”. Mais tarde, vivendo na Europa, acabou em contato novamente com a técnica e decidiu fazer a formação na Espanha. Foram três anos até se tornar uma profissional certificada. Hoje ela é uma das seis profissionais que trabalham com a Antiginástica aqui no Rio Grande do Sul.

O método se aplica ao ser integral, corpo, mente e espírito intimamente interligados. “É um trabalho de percepção. O corpo é inteligente e se organiza da melhor forma possível para que a gente não sinta dor. Se ele precisa ir se entortando para isso, faz o que for preciso. Até que chega um ponto em que esta nova organização provoca dores, e quando elas chegam elas gritam. O corpo sabe que pode voltar a ocupar este espaço”, conta a Alejandra. Usando a analogia da casa, ela diz que é como se tivéssemos uma mansão, mas morássemos no quartinho dos fundos. “Através deste trabalho, de profundo respeito pelo corpo, podemos ocupar a casa inteira, acessar possibilidades que o corpo esqueceu”, diz a instrutora.

Para isso, são propostos movimentos sutis, variados, criativos e divertidos, respeitando a integridade da estrutura corporal. Embora sejam aparentemente simples, mobilizam toda a musculatura do corpo, até a mais profunda.

Para começar a praticar, o primeiro passo é agendar uma entrevista prévia e gratuita para que o cliente e o profissional se conheçam e para esclarecimentos sobre o trabalho; é um caminho pessoal e paulativo. O segundo passo são duas sessões individuais e, posteriormente, sessões em grupo, uma vez por semana, por três meses, tempo necessário para realizar um percurso pelo corpo todo.

Diferente das ginásticas tradicionais, não há esforço nos movimentos, cada pessoa exercita em seu próprio ritmo, sem competição ou avaliação de performance. Para facilitar os movimentos ou ajudar a perceber as diferentes partes do corpo são utilizados bastões de madeira, bolas de cortiça e almofadas de sementes de painço ou trigo, batizadas de doudous e duduzinhos.

Entre os inúmeros benefícios da Antiginástica, podemos citar a melhora do tônus muscular e da mobilidade, a diminuição do stress e das tensões musculares (costas, nuca, ombros), e o desenvolvimento da motricidade e coordenação.

Como diz Thérèse Bertherat, para saber exatamente o que é esta arte, é preciso a experiência vivida, convidando todos aqueles que desejam, através da técnica, afirmar sua individualidade, reencontrar sua capacidade de iniciativa, a confiança em si mesmo e livrarem-se de uma infinidade de males. 

Depoimentos

“Faço antiginástica há mais ou menos três anos. Poderia falar muitas coisas sobre este trabalho, mas vou ressaltar o mais importante pra mim. Despertei através da antiginástica um olhar mais cuidadoso e atencioso com meu corpo e com a minha vida. É mais que autoconhecimento, porque é uma intimidade com aquilo que podemos com nosso corpo. Reconhecer dores, impotências, mas, também, potencialidades esquecidas. Sou grata por este trabalho que me coloca em processo de aprendizagem com o que já vivi e com o que está por vir nas mudanças de meu corpo. Super indico.”

Maria Célia Detoni - 53 anos, Psicóloga.

 

“Conheci a Antiginástica no Departamento de Artes Dramáticas, nas aulas da professora Lúcia Raymundo. Por que vivenciar uma técnica como essa na faculdade? Duas das afirmações da criadora do método já antecipam a resposta: ‘Nosso corpo somos nós’ e ‘Ser é nascer continuamente.’ A consciência do corpo (do ser) é a chave do trabalho do ator e a Antiginástica pode trazer à vida a consciência do corpo, perceber o entorno e o interno, estar presente.

Com a Alejandra Herzberg, desenvolvi um ciclo do trabalho (três meses). As aulas são uma oportunidade de integração mente-corpo (fato que não se verifica na correria dos nossos dias). Isso significa que, realizando movimentos extremamente simples, temos tempo para observar, perceber o que acontece na parte que está executando a tarefa e o que está acontecendo em todo o corpo: se a respiração para ou continua, se os olhos se fecham ou se abrem, se alguma tensão excessiva impede a realização do movimento. Não diria que é um trabalho de corpo e de mente: trabalhamos corpo-mente como uma unidade (como se fosse possível escrever corpomente).

Para finalizar, ressalto o desenvolvimento da consciência de si, da percepção crítica, questionadora; o incremento da mente plena, da atitude de estar no presente, completamente, com tranquilidade, em silêncio, percebendo e sendo.

Alexandra Zucolotto – 46 anos, bacharel em Artes Cênicas, bailarina e servidora pública.

 

“Conheci a Antiginástica há 19 meses, desde então pratico sessões semanais. Nos últimos 40 anos pratiquei dezenas de técnicas mentais e corporais que visam o autoconhecimento. A Antiginástica é a técnica que me apresentou os melhores resultados de forma imediata. Cada sessão é uma surpresa. Há um comando verbal do facilitador que dirige a mente do praticante para os mais diversos pontos do corpo. Tudo é muito sutil, delicado e profundo. Consigo perceber e sentir a integração do físico, mental e espiritual numa peça única, tudo unido. Em poucos minutos o corpo relaxa e libera as defesas musculares e mentais (couraças), segue-se então um caminho sutil, penetrando nas profundezas do inconsciente, revivendo memórias, gravações, trazendo lembranças que vem ao consciente de modo organizado, com compreensão dos fatos ocorridos no passado. Fatos estes, que estavam armazenados nas memórias dos vasos, nervos, ossos, tendões, músculos, ligamentos, células. Ocorre uma integração psicossomática, com expansão da consciência, advindo uma sensação prazerosa de vitalidade recuperada.

O diálogo interno fica suspenso, a mente relaxa e silencia, o corpo físico ocupa um espaço e uma presença de destaque, bem perceptível. Para mim é uma poderosa ferramenta, simples e eficiente que acessa sentimentos, emoções, esclarecendo toda história de vida do praticamente, tanto vivências prazerosas quanto as dores e os sofrimentos que são eliminados através do fio-terra que expulsa as negatividades e toxinas através da planta dos pés. Todo o processo acontece de forma natural, espontânea, utilizando a própria energia, nada vem de fora. Tudo é muito prático e objetivo. Tem-se a impressão que a mente clareia e a vida retoma seu caminho natural e racional, aumentando os potenciais de expressividade e abertura à vida. Assim que se toca o tecido mental e emocional, advém uma sensação de leveza, pureza, liberdade e bondade fundamental. Uma retomada do poder pessoal, com aumentada autoconfiança, predominando o sentir, agir e intuir. Ocorre uma limpeza dos canais mentais, com liberação dos sentidos e acesso à área da criatividade, um autêntico despertar e renascer. Ao final o praticante recupera sua originalidade e dignidade perante a vida”.

Alcindo Bortolini – 64 anos, médico. 

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