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Crescimento pessoal

29/06/2017 06h30

O importante papel da compaixão nos cuidados da saúde

Compaixão traz naturalmente um grande senso de amor e isso é sentido pelo paciente e pelos membros de sua família

Por Tim Mitchinson

Depositphotos
M31

Compaixão efeitos práticos

No início da minha prática da cura espiritual, fui visitar um homem que morava temporariamente em um motel, porque não tinha moradia. Ele estava sofrendo de extrema angústia mental e medo intenso. Conversei um pouco com ele, compartilhando ideias que eu esperava o acalmassem e confortassem, mas ele só ficou irracionalmente zangado comigo e, quando entrei no carro para sair, ele bateu a porta do carro com força na minha perna.

Enquanto empurrava com força a porta do carro, ele disse: “Vou empurrar esta porta até quebrar sua perna”. Eu apenas fiquei quieto. Logo, ele desistiu. Saí do carro e sentei-me com ele no estacionamento e ele falou comigo por mais de uma hora. Fiquei escutando e, em seguida, oramos juntos. Ele se acalmou e disse que só precisava de alguém para ouvi-lo e orar com ele. Quando fui embora, ele já estava bem melhor. Logo depois, encontrou um apartamento pelo qual ele podia pagar e viveu lá muito bem por um bom tempo. Com essa experiência, aprendi a importância da compaixão na ajuda que prestamos aos outros.

Compaixão foi o tema da conferência deste ano, intitulada: “Cuidar do Espírito Humano”, realizada em Chicago. Patrocinada pela Rede de Capelania na Área da Saúde, os palestrantes deste ano focaram o importante papel que a compaixão desempenha no cuidado ao paciente. Realizada no Sheraton Grand Hotel, a conferência contou com a participação de 300 capelães de hospitais, casas de repouso e asilos, de enfermeiros e assistentes sociais, como também, via vídeo conferência, teve a participação de profissionais do mundo inteiro, desde a Holanda e Alemanha, até a Etiópia e Quênia.

De acordo com a Rede de Capelania na Área da Saúde, 87% dos pacientes consideram a espiritualidade importante em sua vida; além disso, segundo outra pesquisa, 72% dos pacientes declararam que receberam pouco ou nenhum apoio espiritual por parte da equipe médica. Para remediar isso, o Dr. Harold Koenig, médico da Universidade Duke, afirma que os pacientes necessitam de cuidado espiritual genérico por parte de médicos, enfermeiros, assistentes sociais etc., e também de especialistas em cuidado espiritual: capelães com certificado (aqueles que completaram o mestrado em Teologia ou seu equivalente em uma área relevante para a capelania profissional).

De acordo com a Rede de Capelania: “Capelães acreditados buscam oferecer cuidado espiritual a pacientes de todas as tradições religiosas, assim como aos que não têm nenhuma religião. Uma norma ética explícita da capelania profissional é que os capelães acreditados procurem conectar o paciente, a família do paciente ou alguém da equipe médica, ao seu referencial espiritual, não impondo nem fazendo proselitismo de qualquer tradição específica, religiosa ou espiritual”.

Os palestrantes na conferência deste ano enfatizaram a compaixão e seu grande valor na ajuda a pacientes hospitalizados ou doentes terminais. Vários palestrantes definiram a compaixão como a capacidade de não somente atender à experiência dos outros, mas também de prestar ajuda. Shane Sinclair, PhD, coordenador de cuidados espirituais no Centro Tom Baker de Câncer, na Universidade de Calgary, disse: “Compaixão é um verbo: tentar compreender o outro e agir de acordo com essa compreensão”.

Ele também observou que aquele que manifesta a compaixão é beneficiado na mesma proporção. Ele disse: “Quando você ajuda outras pessoas, está ajudando a si mesmo. Há bem poucas evidências de que você possa vir a esgotar toda a sua compaixão”. A principal palestrante e professora de budismo, Roshi Joan Jiko Halifax, concordou. Pioneira no campo do cuidado a pacientes terminais, Halifax disse: “A fadiga provém da distração; a atenção nos proporciona poder e descanso”. Vários palestrantes enfatizaram que o esgotamento profissional pode ser vencido por meio do envolvimento compassivo com os pacientes e suas famílias.

Tanto Sinclair quanto Halifax observaram que ouvir o paciente é vital no cuidado compassivo. Eles, assim como outros palestrantes, notaram que os pacientes não querem piedade e que a piedade os derruba. Em vez disso, o que eles desejam ter ao lado, nesse momento, é alguém que realmente ouça os seus temores, preocupações e dores emocionais.

A necessidade de cuidar de si mesmo, por parte dos prestadores de cuidados profissionais, inclusive capelães, enfermeiros e assistentes sociais, foi abordada em sessões de debate em grupo. Embora reconhecendo que o serviço prestado nos hospitais e aos doentes terminais pode ser um trabalho árduo, Debra Mattison, professora-assistente de clínica na escola de serviço social da Universidade de Michigan, declarou: “Em vez de dizer que nosso trabalho é árduo, e realmente é, lembrem-se de que é um trabalho sagrado”. Ela observou que é importante para capelães e assistentes sociais, bem como para enfermeiros, compreender que seu trabalho é uma fonte de energia para eles mesmos e para os outros. Muitos no grupo acenaram com a cabeça, concordando.

Os participantes me contaram como eles descobriram que a compaixão é um redutor de estresse; que seu trabalho é uma jornada espiritual com o paciente e sua família; e que a compaixão traz à luz naturalmente um grande senso de amor, de cuidado, de dignidade e graça e isso é sentido pelo paciente e pelos membros de sua família.

Mattison pediu aos participantes para preencherem o espaço em branco ao lado da pergunta: Eu gostaria de ter um (nome da profissão) como eu? Pergunte-se, por exemplo, eu gostaria de ter ao meu lado um capelão, uma enfermeira ou um assistente social como eu? Daí a importância de tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.

Depois de participar dessa conferência, lembrei-me da frase: “Um diamante é apenas um pedaço de carvão que suportou o estresse excepcionalmente bem”. Fiquei muito feliz por conhecer esses maravilhosos e dedicados capelães, enfermeiros e assistentes sociais, cada um deles um brilhante exemplo da Regra Áurea ensinada por Jesus: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles.”

Thomas Mitchinson escreve sobre a relação entre o pensamento, a espiritualidade e a saúde; integra o Comitê de Publicação da Ciência Cristã para Illinois, EUA.

Artigo publicado originalmente em Peoria Journal-Star, @pjstar.

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