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Bem-estar

21/06/2017 06h30

Psicoacústica

A Ciência do Som a Serviço do Bem Estar, Liberdade e Felicidade

Por Carla Maria Frezza Cavalheiro

Shutterstock
M21

O som como um poderoso anti estresse

A teoria do cérebro trino afirma que não temos apenas um, mas vários cérebros e podemos entender a evolução de nossa espécie pela evolução do cérebro. O sistema límbico desenvolvido 250-300 milhões de anos atrás deu aos mamíferos instinto maternal, comportamentos lúdicos e capacidade de vocalização.
 
Antes disso, os humanos eram regidos apenas pelo cérebro reptiliano, dominados inteiramente pelos instintos primordiais de LUTA-FUGA, característico dos animais inconscientes de si, de seus potenciais mais elevados e de sua ação no mundo.

Felizmente, a evolução neurobiológica da espécie humana nos habilitou com uma estrutura muito mais refinada do que a dos répteis e animais mamíferos. Porém, até hoje ainda somos impactados por registros inconscientes do modo primitivo que assegurou nossa sobrevivência.

Desta forma, o sistema nervoso simpático, aquele que nos impele à ação, é ativado quase que constantemente, visando nos proteger de qualquer evento que, embora não represente perigo real, permanece sendo compreendido pelo nosso cérebro como algo que ameaça nossa sobrevivência. Isto acaba gerando altos níveis de estresse.

O SOM VAI FUNDO

É aqui que entra a ação benéfica da psicoacústica. Estudos recentes demonstram o efeito do som no sistema nervoso, na mente e no comportamento, confirmando a ação benéfica da reverberação de determinados sons no cérebro humano.

Mais do que em outras intervenções terapêuticas convencionais, os sons agem no cérebro e na mente humana através da frequência e da vibração, facilitando o acesso a estes registros inconscientes, fazendo-os emergirem espontaneamente e até mesmo dissolvendo os padrões limitantes associados à estas memórias armazenadas consciente ou inconscientemente.
 
A experiência clínica com pacientes que também recebem sessões de psicoacústica, comprova a poderosa ressonância que alguns sons e fonemas produzem na mente, ativando regiões mais evoluídas do cérebro, que dificilmente seriam ativadas com tanta facilidade através da psicoterapia convencional ou mesmo com a prática de ásanas, respirações e outros métodos terapêuticos já estudados cientificamente.  Como o nosso organismo funciona de maneira integrada, esta ação cerebral se estende para a regulação hormonal e consequentemente para o equilíbrio no comportamento e melhoria nas relações.

PODEROSO ANTI ESTRESSE

Isto explica, por exemplo, a cultura de povos ancestrais, que ouviam e vocalizavam sons com vibração elevada para promover um estado de harmonia no corpo e expansão da mente. A explicação científica para isso é que a vibração destes sons, normalmente no idioma Sânscrito, gera uma redução significativa da produção dos hormônios do stress (adrenalina e cortisol), bem como significativo aumento na liberação dos hormônios de bem-estar (endorfina, serotonina, ocitocina).

Esta ação da psicoacústica oportuniza um estado de perfeito equilíbrio que inclui uma agradável sensação de relaxamento , vigor físico e expansão mental. Portanto, temos aí uma poderosa ferramenta para o autoconhecimento profundo, a prevenção e a cura de muitas doenças. 

OS ANTIGOS JÁ SABIAM

A moderna ciência da Psicoacústica vem comprovar aquilo que já era preconizado pelos antigos mestres de todas as tradições, como sendo uma das mais poderosas ferramentas de cura: o SOM(canto) e o SILÊNCIO(meditação).
 
Os sons de frequência e vibração harmônica e elevada têm a capacidade de atravessar as camadas conscientes da nossa mente, “desativando” os mecanismos defensivos de sobrevivência (lutar/agitar-se/competir, ou fugir/temer/estagnar), e de ativar porções mais evoluídas de nosso cérebro, que deveriam caracterizar a espécie humana (colaboração, empatia, elevado discernimento e amor pela própria espécie e por todas as formas de vida). A própria palavra mantra significa: sons que libertam a mente de todo tipo de condicionamento.
 
A entoação e contemplação de Mantras, Bajhans, Kiirtans, cantos devocionais, sons da natureza, algumas melodias clássicas, sons internos como a batida do próprio coração, da respiração profunda e do  silêncio da meditação, elevam as vibrações da mente, resgatando e reconectando nossa existência com um estado de saúde, paz e plena consciência. Ou seja, a nossa VERDADEIRA NATUREZA.

SONS RUINS CAUSAM DANOS

O contrário também acontece. Pela exposição aos sons e ruídos de baixa vibração, os mecanismos de nosso cérebro primitivo acabam sendo estimulados. Estes sons, dos quais podemos estar conscientes ou não, têm efeitos danosos em nossos pensamentos, emoções, comportamentos e relações.
 
Nesta categoria estão incluídos não só os danosos ruídos audíveis e desagradáveis da vida urbana, mas também aqueles que “escolhemos” escutar.

Grande parte da população acaba poluindo sua mente individual e coletiva quando, nos raríssimos momentos de pausa que ainda lhe restam, opta pelo entretenimento passivo para “acalmar” sua mente já estressada. Sem perceber, as pessoas estão se expondo a mais estímulo de baixíssima frequência e vibração, que acabam lhes gerando ainda mais estresse. Exemplos disto é  “relaxar” em frente à televisão; sucumbir aos estímulos cerebrais viciantes dos jogos de computador, da conexão virtual e da ilusão relacional que ela gera; manter-se em lugares fechados, ruidosos e estruturados para estimulação do consumo no cérebro; permanecer na companhia de pessoas que falam demais, alto demais e que precisam ser sempre o centro das atenções; ouvir determinados ”estilos musicais” ou notícias que emitem mensagens de verdadeiro terrorismo e degradação,  ou mesmo dar ouvidos a qualquer tipo de dogmas.

Os dogmas, sejam eles supostamente científicos, religiosos, culturais ou familiares, sempre que ecoam na mente primitiva, fazem de você um “disco furado, incapaz de evoluir para a próxima faixa”, permanecendo numa faixa vibracional primitiva, mesmo que já tenha toda a estrutura neurobiológica para avançar.

 
Carla Maria Frezza Cavalheiro é Psicóloga e yogaterapeuta.

Mestre em Psicologia e Espiritualidade.

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