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Família

04/05/2017 06h30

A Conexão Primordial

Conheça atividades que estimulam o vínculo da mamãe com seu bebê

Por Elisa Dorigon

Pixabay | Arquivo Pessoal
M31

Uma conexão para toda a vida

A partir do nascimento de um bebê, mãe e filho passam a estabelecer, diariamente, um novo tipo de relacionamento e intimidade. Trocam olhares, se tocam e se comunicam, reconhecendo um ao outro. A amamentação, é claro, é o canal primordial deste vínculo afetivo. Porém, a medida que o bebê vai crescendo, vai ganhando autonomia, da mesma forma que a mãe, vai voltando as atividades “normais”.

Para que o vínculo afetivo não se perca, é preciso estimular o elo entre os dois. Afinal, é importante que a criança se desenvolva e se torne independente com segurança.

Para a psicóloga Bibiana Alexandre, todo momento compartilhado entre mãe e bebê fortalece o vínculo, especialmente as atividades que proporcionam bem-estar físico e psicológico. “Essas experiências favorecem a comunicação e a troca entre eles. Pode, inclusive, ajudar na prevenção de quadros de depressão e estresse”. Segundo a psicóloga, compartilhar experiências com outras mães geralmente é favorável, quando se trata de um momento de vida tão específico e cheio de mudanças.

A terapeuta psicocorporal, professora e escritora Evania Reichert, diz que os bebês e as crianças pequenas sentem o amor e o cuidado afetivo através do contato corporal de seus pais, avós e cuidadores mais próximos. “O bebê precisa do corpo quente e afável da mãe e também do acolhimento do corpo do pai para sentir-se bem, tranquilo e amado. É através do corpo do adulto que os pequenos conseguem se acalmar e desenvolver a capacidade gradual de autorregulação. Nesta idade, de nada adianta os pais olharem para o filho e dizerem "como eu te amo". É necessário contato, quentura, beijos e muito prazer. É claro que um contato ansioso, de pais que não percebem a delicadeza de um bebê, pode gerar mal-estar e inquietude. É muito difícil para qualquer pessoa, mesmo adulta, relaxar em um corpo ansioso. Um bebê sente ainda mais o contato ansioso e desconectado, pois seu organismo ainda não tem defesas nem couraças. A pele é sensível e todos os órgãos dos sentidos estão muito ativados e perceptíveis. Portanto, atividades que acalmam os pais são sempre bem-vindas, tais como yoga, meditação, pilates, hidroginástica, entre outras”, diz a autora do livro Infância, a Idade Sagrada.

Evania, que também coordena projetos de prevenção na infância, conta que, é importante que a mãe, que passa os primeiros meses pós-parto em uma espécie de caverna - totalmente focada na amamentação e nos cuidados de sua pequena criança - tenha a oportunidade de fazer algo fora da caverna. No entanto, é importante sempre considerar o tipo de atividade e avaliar a sensibilidade do bebê em cada idade. “Não é pelo fato de estar junto da mãe que um bebê pequeno deva ser exposto à hiperestimulação externa, como ocorre em uma aula de dança muito ativa, por exemplo. Os bebês de até seis meses, que estão ainda muito sensíveis ao ruído, à ansiedade, à agitação, sofrem muito com os excessos e podem levar muito tempo, depois da atividade, para conseguir dormir e relaxar. Os pais devem protegê-los da estimulação excessiva até que tenham recursos saudáveis para viver dentro de um grau mais intenso de estímulos. Já uma criança de um ano, por exemplo, vai se divertir muito em uma aula de dança junto com sua mãe. Como ocorre em tudo, quando se fala de bebês, não há receitas. É sempre necessário sentir e avaliar o tipo de atividade, a estimulação que pode afetar o bebê, observando sua idade e o sentido de prevenção”, recomenda a terapeuta.

Do ponto de vista da Psicologia, este vínculo mãe-bebê envolve a comunicação e o afeto que eles estabelecem e que permite à criança que se constitua psiquicamente. De acordo com a psicóloga Flávia Scheffer Azevedo, é através deste vínculo que uma criança se desenvolve como um sujeito, porque o bebê nasce em uma total ausência de sinais indicadores para a sua orientação no mundo. Ele se constitui na medida em que os cuidados que recebe o situam. “É necessário que alguém possa transmitir-lhe a ideia de quem ele é e de quem se tornará. Uma criança, para assumir a si mesma, deve ser assumida por um outro. Ela sozinha não pode ter a experiência de existir e sua existência está indissociavelmente ligada ao outro (principalmente à mãe e ao pai)”.

De acordo com a psicóloga, podemos considerar que uma mãe incapaz de se conectar afetivamente com seu filho para estabelecer este vínculo primordial com ele, não vai conseguir favorecer um desenvolvimento emocional adequado para a criança. Flávia recomenda que, nos casos em que, por algum motivo o vínculo com a mãe vai mal, é importante que a criança conte com o suporte de outros membros da família.

Pensando nisto, selecionamos algumas atividades onde a mãe -  e inclusive o pai ou os avós possam participar, estimulando uma troca intensa e benéfica para o relacionamento familiar a curto, médio e longo prazo.  Vale a pena conhecer experimentar! Acompanhe:

Musicantodança

Criado pela bailarina e professora de dança Cris Nunes e pelo músico e professor de musicalização para bebês e crianças Fredi Bessa, as aulas de Musicantodança trabalham com a música e a dança de forma integrada, com o objetivo de desenvolver a percepção auditiva dos bebês e o alongamento corporal das mães.

A ideia é fazer uma aula que proporcione tanto a musicalização (com o violão e a voz) como uma maneira da mãe/pai se exercitarem. “Trabalhamos de forma lúdica e totalmente musical, com exercícios localizados, onde usamos o peso do bebê para intensificar o exercício. Muito alongamento, dança e no final um momento relaxante. Corpo, mente e coração agradecem!”, conta Cris.

São aceitos desde bebês recém-nascidos a crianças com até cinco anos de idade, sempre acompanhadas de seus responsáveis.

Yoga para pais e filhos

A prática milenar do Yoga foi se adaptando, ao longo dos anos, às necessidades da vida contemporânea. Segundo Luciene Rivoire, que é instrutora desde 2008, as relações familiares nestas rotinas são bastante comprometidas. Pais e filhos estão cada vez mais distantes, e quando nos permitimos fazer algo para nosso bem-estar, as atividades normalmente são separadas para adultos e crianças.

Desde o ano passado ela uniu pais e filhos na mesma atividade. “Pais e filhos vem resgatar momentos únicos de plena atenção. Um dos principais movimentos do yoga é reaprender a viver no presente e aproveitar ao máximo as relações que se estabelecem neste presente”, diz a instrutora.

A atividade desenvolve equilíbrio, força, flexibilidade e relaxamento. São trabalhados exercícios físicos e respiratórios, práticas de relaxamento e meditação. Estes exercícios são conduzidos, através de brincadeiras e histórias, de forma lúdica. As crianças e os adultos ampliam a percepção do corpo e da mente, desenvolvem a concentração e a autoestima. Pais e filhos vão descobrindo poderosas ferramentas que auxiliam a superar e compreender os medos, os estados de ansiedade. Além disso, aprendem a relaxar, ouvir, compartilhar momentos de aprendizado, carinho, atenção e prazer no contato e na relação com o outro. “É um movimento de amor e compartilhamento familiar”, conta Luciene.

Pilates

O método do Pilates também pode ser experimentado entre mães e filhos e também é uma forma da mãe voltar a realizar atividades físicas de forma gradual e controlada, ao mesmo tempo que fortalece o vínculo com seu bebê.  

A fisioterapeuta, instrutora de Pilates e Doula, Amanda Casagrande Slavutzky, sentiu esta necessidade após o nascimento dos filhos e hoje ajuda outras mães através das aulas que denominou Pilates Mom & Baby.

As aulas se dividem em movimentos de Pilates para a mãe, para a mãe e o bebê e finalizam com movimentos que a mãe faz no bebê.

Podem participar bebês de dois a 10 meses. Segundo Amanda, não existe contraindicação. “Nesta faixa etária o bebê está em estágio de desenvolvimento motor, o que permite sua integração em uma aula de grupo de até 6 mães e bebês. Após os 10 meses de idade os bebês podem continuar, mas é necessário a avaliação de caso a caso’, explica Amanda.

Dança com bebês

Um momento único para relaxar, dançar e inspirar-se nas sensações que o movimento do corpo da mãe e do bebê juntos podem proporcionar, é a proposta da dança com bebês.

Com o uso de um sling (carregador de pano, que envolve o bebê com segurança e conforto ao corpo do adulto), as danças são praticadas em grupo (a maioria são danças circulares) com coreografias simples e adaptadas para o slingar.

A facilitadora Isabella Isolani diz que a atividade pode ser praticada a partir dos 40 dias pós-parto até aproximadamente 1 ano, por mães, pais, cuidadores e avós. A proposta é levar uma prática de exercício, relaxamento e proporcionar uma meditação ativa. Além da dança, os encontros têm a finalidade de proporcionar trocas e conversas entre as mães, assim como a socialização dos bebês.

Shantala

A massagem infantil, mais conhecida através da Shantala, técnica trazida da Índia por Frederick Leboyer - o pai do parto na água-, é uma prática muito importante para o desenvolvimento de vínculos mais profundos entre pais e bebês. Segundo a terapeuta Evania Reichert, vale a pena conhecer e usar a Shantala, pois é uma forma de acalmar o bebê e de criar maior qualidade no contato corporal entre as crianças e os adultos, qualificando também o sono dos pequenos. “Nestas práticas é importante respeitar o corpo e o ritmo do bebê e não transferir ansiedade e tensão, através de um toque mecânico e rápido, como fazem os adultos que estão desconectados”, alerta. 

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